sábado, 21 de janeiro de 2017

Quer entender a origem do fascismo? Assista Batman v Superman.

[intense_heading font_family=”google|PT Serif” align=”center”] Batman v Superman:
A Origem do Fascismo[/intense_heading]

Este ano um filme reunindo Batman e Superman finalmente estreou nos cinemas, um encontro que esperou mais de 75 anos para acontecer. O filme veio acompanhado de polêmica pelo fato da versão cinematográfica ter sido projetada com vários cortes – 30 minutos cortados e que deveriam estar ali, provavelmente para aumentar o número de sessões e gerar mais renda. Após alguns meses, o estúdio lançou a versão integral do filme em versão blu-ray com 3 horas de filmagens. Apesar desses problemas, imagino que o filme seja o maior blockbuster político já produzido. Nunca um filme com discussões políticas tinha alcançado tão grande bilheteria e número de home videos vendidos, principalmente a versão integral em blu-ray.

Apesar de muitos identificarem como a principal discussão política do filme a problemática sobre se uma entidade com grande poder, com grande força de destruição, respeitaria leis internacionais – com o Superman apresentando-se como uma alegoria ao poder coercitivo acumulado pelos EUA, o qual, por sua evidente superioridade militar sobre os exércitos do restante do mundo, passa por cima de qualquer jurisdição internacional na busca de seus interesses políticos e econômicos -, outros veem o filme como uma crítica ao fascismo permeado de simbolismo religioso.

Como a relação entre um grande poder acumulado em uma entidade e as leis é bem explícita nos diálogos do filme, vou me concentrar na questão do fascismo apresentado no longa. Um fascismo representado pelo cansado e frustrado Batman.

O filme começa com a luta entre o Superman e o General Zod de Krypton em Metrópolis. Essa luta dizima boa parte da cidade e faz com que muitos vejam o Superman com grande desconfiança. Entre os presentes na cidade durante a batalha estava o bilionário Bruce Wayne, alter ego do Batman, ou vice-versa.

Alguns meses se passam e o Superman torna-se um assunto corriqueiro na cidade, com alguns apoiando o herói e outros desejando que ele vá embora. Enquanto isso, o psicologicamente debilitado Batman torna-se cada vez mais obcecado pelo alienígena. Cada dia que passa, apesar das boas intenções do Superman, Batman o enxerga cada vez mais como uma ameaça. A vida do Cavaleiro das Trevas passa a ser dedicada ao herói de Krypton, numa obsessão por encontrar maneiras de destruí-lo. Essa fixação constante por uma suposta ameaça é uma das características do fascismo. O fascista passa a se ver ameaçado por forças que ele imagina terem poder para destruir seus valores, crenças e modo de vida. Há um sentimento de iminência, de imediaticidade, em relação a sua destruição pessoal pelas forças de seu inimigo. O fascista tem por característica superdimensionar o tamanho da suposta ameaça que enfrenta. E faz isso para aumentar sua sensação de heroísmo pessoal frente ao inimigo.

O fascista se enxerga como um herói enfrentando forças muito além das suas próprias possibilidades. Há um culto ao heroísmo e à morte heroica pelo fascista, o qual, de acordo com Umberto Eco,  “aspira à morte, anunciada como a melhor recompensa para uma vida heroica. O herói Ur-Fascista espera impacientemente pela morte. E sua impaciência, é preciso ressaltar, consegue na maior parte das vezes levar os outros à morte.” No filme, vemos que Batman resolve apostar tudo na guerra pessoal contra o alienígena, o qual ele vê como uma ameaça. Ele aposta sua vida e julga que finalmente sua existência dedicada à luta vai ter valido a pena. Ele quer morrer como um herói ao destruir a ameaça externa.

Vemos no começo do filme, ao olhar para os céus onde estava o Superman de forma irritada e impotente, que o Batman – um homem frustrado pela sua luta contra o crime, a qual ele via como quase inútil, pois “os criminosos são como ervas daninhas, você retira uma e nascem outras no lugar” – se sentia abalado pela impossibilidade de enfrentar o alienígena. Uma sensação de impotência que torna homens bons cruéis”. Um homem que já se sentia impotente por não conseguir obrigar o mundo a ser como ele queria que fosse – afinal, “as coisas só fazem sentido se nós as obrigamos a fazer” -, desaba ao perceber que uma nova força maior ainda surgia. Um homem para quem “o pacifismo é mau porque a vida é uma guerra permanente” (Umberto Eco) se desesperava porque o inimigo que o fazia se sentir inferior era um alienígena, um estrangeiro, alguém que não nasceu em sua terra e não compartilhava de seu sangue. Contudo, apesar de ser poderoso, ele poderia ser derrotado, porque não era um homem. O Superman, para o Batman, era menos do que um homem, era uma coisa sem humanidade, a qual merecia ser caçada como um animal selvagem.

“Os adeptos do fascismo devem sentir-se humilhados pela riqueza ostensiva e pela força do inimigo. Quando eu era criança ensinavam-me que os ingleses eram o “povo das cinco refeições”: comiam mais frequentemente que os italianos, pobres mas sóbrios. Os judeus são ricos e ajudam-se uns aos outros graças a uma rede secreta de mútua assistência. Os adeptos devem, contudo, estar convencidos de que podem derrotar o inimigo. Assim, graças a um contínuo deslocamento de registro retórico, os inimigos são, ao mesmo tempo, fortes demais e fracos demais.” (Umberto Eco)

Superman era poderoso, mas não era humano. Essa contradição na mente do fascista entre a superioridade e a inferioridade simultâneas do inimigo se resolve pela desumanização do adversário, o qual passa a ser tratado como não humano. E como matar um não humano? Com indignidade. Pisando em sua garganta, atravessando seu peito com uma lança de caça.

No filme, Lex Luthor nos diz que apenas estimulou a raiva do Batman pelo Superman, e ele fala a verdade. Ele só estimulou algo que já estava lá. É uma das características do fascista aceitar cegamente apenas aquilo que justifica seu ódio. Quando Alfred tenta argumentar com seu patrão a respeito da insanidade de levar sua luta adiante, Bruce Wayne não dá ouvido. Quando o Superman tenta o diálogo, a mesma coisa acontece. O fascista não está interessado no diálogo, não está interessado naquilo que pode mostrar-lhe o quanto ele está errado. Ele aceita apenas o que fornece razões a sua crença sobre o inimigo. Ainda mais se a dissuasão vier de um empregado como Alfred ou de um estrangeiro considerado menos do que um humano como o Superman. O elitismo é outra marca do fascista. Para o fascista, a ação se justifica pela própria ação e não é preciso pensar muito sobre o inimigo. Ele é o inimigo, é uma ameaça e pronto. Fim de conversa. A ameaça deve ser exterminada.

Na versão dos cinemas algumas cenas envolvendo Clark Kent foram cortadas, e, por essa razão, só podem ser vistas no blu-ray de três horas. Nessas cenas, vemos o repórter do Planeta Diário a investigar as ações do Batman em regiões pobres de Gotham City. Superman conversa com os moradores para saber como eles veem o Homem-Morcego. Ele percebe que muitos o enxergam como uma fonte de coerção constante e violência. Um senhor de idade até mesmo diz que não é bom andar durante a noite pela vizinhança, pois “ele está com fome e está caçando”. Caçando os “não humanos”, a ralé, os pobres. Todavia, mesmo entre os pobres, há aqueles que dizem que o Batman está certo, e que ele só espanca bandidos, só espanca quem merece ser espancado.

Batman, o frustrado, o psicologicamente debilitado, o elitista aristocrata, passa até mesmo a matar seus adversários. Ele não o faz a sangue frio, mas isso não significa que se importe com a vida daqueles que ele combate. O Ur-Fascismo provém da frustração individual ou social” (Umberto Eco). Dessa forma, a frustração em relação a uma realidade que não se adequa ao que ele deseja como ideal e o medo infundado em relação a um inimigo externo ameaçador, tornam o Batman cada vez mais psicótico e obsessivo. A realidade, apesar de ser forçada a fazer sentido, não se encaixa nos valores do Batman, não funciona como ele queria que funcionasse. O desprezo por valores diferentes e pelo conflito entre eles é outra característica do fascista.

Há também no filme questões teológicas, como o Batman querer provar que o Superman não é um Deus, pois, se assim fosse, Deus existiria e seus pais, então, não deveriam ter morrido no beco. O Superman como uma espécie de Jesus, esculachado em vida e reverenciado na morte. O fato do monstro final chamar-se “Juízo Final” e os deuses estarem lutando numa espécie de inferno de fogo enquanto o humano só pode assistir à luta perplexo.
Como qualquer filme, ele pode ser interpretado de diversas formas.

De qualquer maneira, podemos dizer que Batman v Superman, apesar de ser um filme pipoca, traz em si uma importante discussão sobre a psicologia do fascismo, tão urgente nos dias de Trumps e Bolsonaros.

Quer entender a origem do fascismo? Assista Batman v Superman.

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  • Voyager

    Tem também umas questões teológicas no filme.
    Como o Batman querer provar que o Superman não é um Deus, pois, se assim fosse, Deus existiria e seus pais, então, não deveriam ter morrido no beco.
    O Superman como uma espécie de Jesus, esculachado em vida e reverenciado na morte.
    Mas o filme tem várias camadas interpretativas.

    • SubHeaven

      Gostei muito das duas interpretações, a do artigo e a sua.

    • Fish

      Tem não, cara, essas interpretações são você querendo ver coisas baseado em outras obras com esses personagens. O filme em si (e o diretor) não tem tato suficiente para apresentar estes conceitos de forma honesta.

      • Gabriel Mageski

        Que???? O trabalho da vida do Snyder e escancarar essas questões cara. Isso fica explicito no discurso do Luthor, em que todo o seu ódio pelo Superman se resume no paradoxo de Epicuro. Até em outros filmes da carreira dele, como Watchmen isso é discutido, no caso com o doutor Manhattan. De todas as questões discutidas na Hq Watchmen, o Snyder foca bastante em sua versão para o cinema na perda de humanidade do Manhattan, e como a presença de um deus como ele afetaria nas nossas vidas. Enfim, acho q vc deveria ver filme de novo man

        • Fish

          Cara, não importa que ele queira mostrar como é ter um deus na Terra, ele não tem tato suficiente para transmitir isso. Primeiramente por ele não entender o conceito do Super-Homem, e segundo por ele não entender as obras com as quais ele trabalha. Snyder é um diretor visual, nisso ele é nota 11 de 10, mas quando se trata de buscar profundidade ele é muito superficial. Aliás, acho que o problema nem é a superficialidade em si, mas o fato dele (e o fãs) venderem o trabalho como tendo algo a mais que isso. Leia Watchmen e Cavaleiro das Trevas e, em seguida, veja os filmes. Entenderá o que estou falando. #paz

          • Gabriel Mageski

            Eu já li Watchmen e Cavaleiro das Trevas, algumas vezes até kkkkkkkkk. Concordo que ele não é o melhor diretor quando se trata de passar essas idéias. Tanto que o superman dele não me agrada nem um pouco, (o tom sombrio e depressivo na minha opinião desconstroem o personagem) mas quando se trata de mostrar a perda de humanidade do Manhattan, e a superioridade do Superman sobre nós humanos, não consigo dizer que ele falhou. Eu realmente sai do cinema com a mesma sensação de quando li Reino do amanhã, ou Superman paz na terra ( claro que puto com o resto das cagadas que ele fez no filme, eu não nego isso de jeito nenhum) Acho que no geral, eu mais concordo com vc do que discordo. Queria ter visto um filme mais redondo e com menos pontas soltas, mas mesmo assim, gosto das discussões que ele propõe com o filme, e o jeito que esse filme está fresco na minha cabeça até hoje realmente me impressiona. Assisti Guerra Civil 2 vezes e não lembro da maioria do plot, o filme podia abordar tantas questões como desarmamento, direitos civis, direitos humanos, e fica só com uma história rasa de espionagem e ação. Acho que no final, o errado sou eu, de ficar esperando isso de filmes de super herói kkkkkkkkk. Mas voltando. Apesar de achar que o Snyder tenha conseguido abordar bem algumas coisas, acho que falhou miseravelmente em outras, mas dizer que ele não conseguiu passar nada das discussões dos quadrinhos eu acho exagero. Abraço man, e feliz natal

      • Tiago

        Vc ignora quem escreveu o roteiro: Chris Terrio. O cara é ganhador de Oscar (nao q isso seja a comprovação definitiva, mas indica q ele não é um roteirista incapaz) e falou q estudou mais do que em qualquer coisa q ele tenha feito, pra escrever o roteiro de BvS e Liga da Justiça

        Como o Gabriel falou, podemos ver isso explícito nas falas do Lex (não é uma interpretação forçada; é bem gritante a referencia).

        Por exemplo, em suas frases mais famosas do filme, Lex Luthor cita uma referência filosófica:

        “Se Deus é todo poderoso ele não pode ser de todo bom e se ele é de todo bom então não pode ser todo poderoso e você também não pode!”

        A frase é referência ao paradoxo de Eupicuro que argumentava que um deus não pode ser ao mesmo tempo onisciente, onipotente e benevolente:

        Is God willing to prevent evil, but not able? Then he is not omnipotent.
        Is he able, but not willing? Then he is malevolent.
        Is he both able and willing? Then whence cometh evil?
        Is he neither able nor willing? Then why call him God?

        Ele também fala pro Super “O problema do mal do mundo, o problema da virtude absoluta, o problema de vc acima de tudo”. Na filosofia da religião, o problema do mal se refere à questão de como conciliar a existência do mal com um Deus todo-bondade, onisciente e onipotente. Eupicuro é creditado como o primeiro a expor o problema do mal.

        O plano dele com o Batman envolve tb essas coisas. Ele teria que matar o Morcego para salvar a mae, o que define que não é omnibenevolente. Ele tb teria o poder de acabar com o Lex, mas nao teria como salvar a mae e não sabe outra forma de fazer isso, só entrando no plano do Luthor, o que mostra que ele não é omnisciente. Se o Batman matasse o Superman, ia ficar provado que o Superman não é onipotente.

        • Fish

          Cara, olha só, tudo isso que você explicitou é verdade, muito bonito e pode ser encaixado no perfil dos personagens mas se perde por um furo de roteiro básico: o filme não apresenta razão real para a luta entre os dois heróis.

          Para o Super-Homem, não há motivo para ele atacar o Batman pois, se ele consegue ouvir e salvae Lois quando ela está na África, seria muito fácil para ele ouvir e salvar a PRÓPRIA MÃE. Ele poderia até ter ido em direção a Gotham e depois, em super-velocidade, mudar de rota, Luthor nem iria perceber.

          Do lado do Batman, não existe essa coisa de “vou matá-lo para provar que ele não é Deus, pois Deus teria salvo meus pais”. No filme Bruce Wayne é um cara que vai, nas palavras dele, “destruir o Super-Homem caso ele represente uma ameaça” (não vou nem levar em consideração o qual idiota é o Batman tomar essa atitude sem investigar primeiro). Depois da Batalha de Metrópolis e do ataque à Casa Branca ele vira um cão raivoso descompensado. Prova disso é que ele só para quando tem o insight do nome da mãe. Ou seja, não tem nada de referência filosófica na motivação dele.

          Sobre o que o Voyager falou lá em cima, as referência a Jesus Cristo no Super-Homem estão aí desde o filme de 1978 (que eu lembre) e rolam em todo lugar desde então, simplesmente jogá-la de qualquer jeito no filme (como a pose de crucificação em MoS) não o torna mais louvável de modo algum.

          Em tempo, Chris Terrio pode ser ganhador de Oscar como for, mas até onde sei ele só reescreveu o roteiro do Goyer, e o diretor continua sendo o Snyder, um cara que pega a referência visual de um gibi foda como Cavaleiro das Trevas, põe de forma porca no meio do filme e vende como “adaptação”. Velho, parece que o cara só viu a página do Batman chutando o Super-Homem na internet e pensou “É isso, vou fazer isso aqui! Sou um gênio!”.

          Por tanto repito: o filme e o diretor não tem competência para refletir de forma HONESTA as referências que você citou. Isso vem agregado como bagagem pela historiografia rica dos personagens, coisas que de fato existem bem trabalhadas em OUTRAS obras. Nessa não.

          #paz

          • Tiago

            “Para o Super-Homem, não há motivo para ele atacar o Batman pois, se ele consegue ouvir e salvae Lois quando ela está na África, seria muito fácil para ele ouvir e salvar a PRÓPRIA MÃE.”

            KKKKKKKKKKKK! Cara, vc acha mesmo que o Superman ouviu a Lois lá de Metropolis? Sendo que ela nem grita nem nada! kkkkkkkk Ele é casado com ela, é mais provavel dele saber sobre a entrevista e já estar à espreita ou coisa do tipo e ouviu as explosões. Ou qualquer outra explicação menos absurda q ele ter ouvido ela em perigo lá de Metropolis.

            A Lois é sequestrada, e a mãe tb, quando ele estava em exílio. E não, nao tem como ele ouvir a mãe, pq ela está em poder dos bandidos e em silencio (a nao ser q vc considere q ele seja capaz de identificar a respiração dela). E outra: vc arriscaria a vida da sua mae tentando enganar o Luthor? Acho q vc ignora o psicologico da pessoa numa situação dessas. Tem bandido que liga pra pessoa e fala q está com a filha, e coloca uma mulher qualquer pra pedir socorro e a pessoa acredita q é a filha de verdade! Mesmo cmo a voz diferente. Ja vi isso pessoalmente no meu predio. Eles pediam cartão de recarga de celular.

            Em nenhum momento falei q Batman quer matar Superman pra provar q n existe deus. Isso aí é com outra pessoa q vc tem q discutir. Pra mim fica claro que o Batman ve o Super como uma ameaça ainda q futura, e decide acabar com ele logo, antes q o proprio fique velho demais pra conseguir fazer isso depois. O autor do texto explica o comprotamente do batman como facista! se vc quer entender pq ele nao investiga, entao releia este texto; o autor explicou bem como sentimentos como impotencia transformam a atitude da pessoa. Se vc ainda nao entender, paciencia! Vai ver outro filme q este nao é pra vc.

            E sobre o Snyder, duvido muito que sua descrição seja adequada. Basta ver entrevistas com o cara onde ele explica pq quis o que fez com os personahens e nao é só: vamos reproduzir o batman chutando o superman. Tem um trecho de uma entrevista do Zack onde apontam qual é a graça de um heroi ter um código de ética e regras se vc não desafia-las? Pra alguns descaracteriza o personagem, mas não deixa de ser uma visão mais madura da coisa, que é o q o Snyder gosta do Cavaleiro das Trevas:

            “There’s that bit — I kind of borrowed it for the movie — where Batman’s got the M60 and the goon’s got the gun on the kid’s head, and he’s like, “I’ll do it, I’ll kill him, I swear,” and Batman’s like, “I believe you,” and just shoots the guy. Because Frank was all about setting a scenario where there is no option. A guy’s going to kill a kid, what are you going to do? Like the Kobayashi Maru– there’s no way [to win], it’s designed to be that. Because that’s when we grow up, right? We go, “Oh my god, Batman just killed that guy…”

            Fala sobre um cenario onde qualquer coisa que o heroi faça, alguem vai sair perdendo. é quando vc sai do mundo de faz de conta. Tem a ver com o papo que o Clark tem com o pai dele sobre a montanha, onde ele conta q salvou a fazendo desviando o rio, mas causou o afogamento de cavalos em outra.

            O Zack de fato nao tem sutileza e sofisticação pra tratar dessas coisas, mas que de alguma forma elas estão lá, estão. Nem que seja no texto do Chris Terrio.

      • luciano

        chora não acionista da Marvel/Disney…

    • Tiago

      Podia acrescentar no texto uma fala do Bruce. Quando o autor/a fala que:

      “O Superman, para o Batman, era menos do que um homem, era uma coisa sem humanidade, a qual merecia ser caçada como um animal selvagem”.

      Podia citar a fala do Bruce que reforça essa visão:

      “Vc nunca foi um deus, você não foi sequer um homem”.

  • Thiago Martins

    Como ponto de vista deve e precisa ser respeitado, mas é importante salientar que esse texto pode não estar de fato condizendo com a realidade. Não sou fã do Batman, menos ainda do Super Homem – Na minha humilde opinião, em um cenário realista, os dois seriam super-coxinhas combatendo todo e qualquer ato de protesto contra governos previamente estabelecidos, afinal é bem claro que ambos representam a ordem, do ponto de vista governamental – mas conheço um pouco do universo D.C. e convenhamos, se o Batman é fascista, o Superman é o próprio Bolsonaro/Trump, com super poderes.

  • Evandro Guimarães

    A análise faz até um certo sentido, mas “esquece” algumas coisas de propósito. Quando Batman diz que a vida só tem sentido quando a obrigamos a fazer, ele está se referindo a perda prematura dos pais. É uma citação de Cavaleiro das Trevas (HQ), onde o Batman quer dizer: “a vida seria eu, papai e mamãe; agora não tenho meus pais e tenho que construir por conta própria um novo sentido para a vida”. Essa frase fala de perdas e da dor que elas causam e não de uma tentativa de encaixar a realidade em teorias. Aliás, convenientemente, todo o artigo se “esquece” da morte do pais do Bruce Wayne; talvez porque essas mortes não se encaixem na teoria do autor do artigo a respeito do filme. Ou seja, ele comete o mesmo erro que pretende combater: tenta encaixar a realidade nas suas convicções. O autor do texto também é fascista?

    • Logan Quasar

      Na verdade, o que ocorre no filme é justamente um paralelo total a muitas revistas. Só faltou ter textos enormes falando os nomes de edições, arcos e especiais e você deve ter percebido isso, como fã de quadrinhos.
      Eu não quero falar em nome de outras pessoas, mas o contexto dos pais mortos está lá. E o trauma psicológico é o que faz o filme correr.
      Temos um Batman irritado, estressado, enfraquecido, derrotado, desesperado, sem Robin, sem Batgirl, sem Mulher Gato.
      Tudo de drástico, nesse universo DCEU, já aconteceu.
      Então, podemos considerar que é fácil alguém com o psicológico ferido apoiar ações e supostos pensamentos que são prejudiciais ao desenvolvimento.

      • Evandro Guimarães

        Claro que de um ponto de vista realista, como já foi dito num comentário aí em baixo, tanto o Morcegão quanto o Azulão seriam reaças protegendo o poder político e o status quo, mas, na tradição da HQs o Morcegão é muito mais um excluído, uma ameaça ao poder do que apenas um psicótico. Em Cavaleiro das Trevas do Miller , apesar de uma tendência a justiçamentos, o Morcegão representa o homem comum resistindo a um totalitarismo burocratizante. Em HQs dos anos 70, o Morcego luta ao lado de “gangues” de jovens pobres contra o processo de gentrificação (intervenções urbanas com objetivo de elitizar os bairros e afastar a população pobre dos mesmos) do bairro em que vivem. Óbvio que o sujeito está falando só do filme, mas, ainda assim, ele esconde convenientemente a morte dos Wayne da sua análise. Estranho, não?

    • Voyager

      É óbvio que a morte dos pais o fez enxergar o mundo como não tendo sentido inerente, finalidade, inerente, pois ali ele chegou a conclusão de que Deus não existe. Mas a ideia de “você tem de FORÇAR” a fazer sentido, é que entrega a dualidade da coisa. Ele não diz “você tem de tentar achar um sentido para sua vida”, ele diz FORÇAR. Ele achou o sentido na vida dele: espancar gente pobre achando que isso faria do mundo um lugar melhor. Mas isso foi o tornando cada vez mais frustrado, cada vez mais fascista, cada vez mais paranóico. O Alfred fala da impotência. O que é impotência? É não fazer a realidade funcionar como queríamos que funcionasse.

      • Evandro Guimarães

        Certo, vamos aplicar na prática. Sinto-me impotente diante de governos brasileiros(estaduais, federal) que estão fazendo os mais pobres pagarem a conta de seus desmandos e desrespeito pela coisa púbica. Sei que não tenho chances de mudar nada, apesar de toda a minha luta e isso me frustra. Então, lutar para mudar essa realidade me tornará paranoico e fascista? Então, todos temos que desistir de fazer a realidade funcionar como queremos, mesmo que estejamos querendo justiça social? É isso?

      • Evandro Guimarães

        Vamos olhar por um lado mais emocional e menos filosófico. Perder os pais de forma violenta é um fato tão arrasador, que te deixa tão depressivo e desolado, que você literalmente tem que forçar a realidade a fazer sentido. Ela não fará isso sozinha. A palavra forçar tem essa carga emocional; essa não é uma interpretação possível? Acho difícil um personagem cujas HQs criticam a gentrificação e assassinatos de negros por policiais brancos, que nunca admitiu tirar uma vida, possa ter alguma coisa a ver com fascismo! O Morcegão do Snyder tem pouquíssimo do morcegão dos quadrinhos!

      • Tiago

        Acho que o que vc fala reverbera inclusive no monólogo do Bruce inicial:

        “Houve uma época além… uma época anterior… haviam coisas perfeitas… diamantes absolutos. Mas as coisas caem… as coisas da Terra. E o que cai… está caído. No sonho, eles (os morcegos) me levaram para a luz… uma bela mentira.”

        A época anterior era a infância, a inocência. A infância acaba, e a inocência se perde… pra sempre. Nos sonhos, na expectativa dele, os morcegos que representam a luta por justiça (espancar gente pobre), levavam ele pra um lugar de satisfação, de plenitude ou paz… mas que ele acabou descobrindo que ele não alcançou nos anos dele atuando como vigilante.

  • Logan Quasar

    A parte ruim é dar audiência para trampes e buchanários. Eles devem ser apagados e esquecidos, é a forma de se lidar com quem usa fama para ter alguma força. Mas, de resto, é muito bem observado.

  • Professor Frederico Fagundes

    A questão é: O que esta por de trás do filme? O que o diretor/cineasta/roteirista/produtor que passar ao público?
    O audiovisual possui várias facetas de mensagens diretas ou indiretas em relação a sua função pedagógica de ensinar…
    Segundo ANKERSMIT (2012,p, 198):

    “Realidade entre linguagem e realidade no caso da metáfora histórica – e, igualmente, entre o objeto de representação e o apresentado e sua representação. O que exatamente estamos fazendo quando fazemos com que a metáfora e a representação fechem a lacuna entre a imagem e o mundo”

    E LANGER (2004, p. 2,3 e 6)

    “Os estereótipos… Constituem em representações uma realidade social ou histórica, tomadas como verdadeiras, mas que constituem quase sempre em fantasias ou produtos da imaginação […] Alguns estereótipos são produtos eruditos… E que tiveram formato definitivo com a literatura”

    “A possibilidade de leituras teóricas de conteúdos aparentemente apenas centrados no passado, mas que revelam muitas conexões com o momento em que o filme foi realizado […] Mesmo assim, eles desempenham um papel significativo na divulgação e na polemização do conhecimento histórico”

    Os filmes, através da História do Cinema, permitiu observar na construção do imaginário popular na constituição de uma memória ou mentalidade coletiva, em consonância da contribuição da formação da chamada opinião pública…

    O filme, nesse contexto, pode se assemelhar a tradição oral na medida em que cumpre a função de transmissão do conhecimento, através da representatividade interpretativa dos atores na figura de seus personagens. Seria a mesma coisa de uma mesma história ser contada de acordo com o olhar de cada um que a conta. Nesse sentido:

    “Em uma sociedade onde impera a cultura do audiovisual (…) o intenso contato com obras cinematográficas históricas, certamente, contribui não só para a formação do gosto estético de grande parte da população, mas, para a formação da própria consciência histórica das pessoas (…)uma vez que a película cinematográfica, por suas características estéticas e dramáticas, é dotada de um efeito de realidade muito intenso, mas forte do que o efeito provocado por um texto escrito (…) [Portanto] os filmes históricos devem ser tomados como objetos de grande atenção por parte dos historiadores, devem ser vistos como documentos históricos” (COSTA e DIAS, 2010: p.3)

    E finalizando… A concepção didática do ensino de história esta diretamente ligada a esta questão ideológica, sendo que as mídias sempre cumpriram e sempre cumprirão esse papel, pois a comunicação muito bem organizada nas diversas propagandas políticas, oficiais ou não remete a formação de opiniões; individual e/ou coletiva.

    Profº Frederico M Fagundes Rodrigues
    Historiador e Gestor Social
    Especialista em História e Narrativas Audiovisuais pela UFG
    Mestrando em Educação na FIG

  • Olavo Lima

    A humanidade falhou quando esse filme foi produzido, falhou miseravelmente ainda mais quando as pessoas não sabem que é fascismo.
    Olha, realmente, está de parabéns, jamais li nada mais tolo e despropositado na internet, e olha que a cada dia saem mais e mais besteiras, mas esse é com certeza o artigo mais nada a ver que já li.

    • luciano

      chora não bebe, volta pra tuas comédias…, incrível como os fatos relatados fazem sentido e são até relevantes para o entendimento da história e aparecem bocós pra choramingar, volta pra matinê da marvel faz favor

  • Eunão Estouaqui

    dilma que pariu …..quanta merda…

  • Juarez Alencar

    É uma boa analogia a feita entre a construção do ódio do Batman pelo Superman com a construção do ódio do Fascista. Mas não creio que a temática do filme siga completamente o que o texto fala, de modo que algumas passagens são opiniões ideológicas suas. Ex: Não há elitismo na relação Bruce Wayne e Alfred. Ultimamente Alfred vem sendo mais uma figura paternal que mordomo e, no filme em si, ele é como se fosse um Robin da inteligência do morcego, papel mais desempenhado pela oráculo nas HQs. Também é leviano dizer que o Batman “bate em pobres”. Ele bate em bandidos. Dizer que todo bandido é pobre é também fascismo lombrosiano. Fosse assim, ele não bateria em Lex Luthor e seus capangas. Em suma, sobre o texto, há algumas forçaçoes de barra e outras passagens que fazer sentido, como na questão da aversão ao “estrangeiro” querendo ser o salvador, quando o salvador tem que ser eu ou um dos meus pares. Nesse sentido, o Batman, cansado e manipulado pelo Luthor demonstrou atitude semelhante a fascistas. Aliás, muitos criticaram a cena do “Salve a Martha”, mas, a meu ver, ela existiu justamente para isso: para o Batman perceber que o Superman tem uma mãe terráquea, foi criado na Terra e nunca quis matá-lo. Ou seja, mais informação sobre o outro, menos preconceito e menos fascismo,

    • Tiago

      Sim, o texto tem umas “bolas fora” mas no geral apresenta pontos válidos e é bem interessante pra quem não enxerga nada além de “Martha”.

  • Juan Thiago Gomes

    Por essas e outras, acredito que no futuro, esse filme será considerado um clássico. Nenhum filme de super-heróis blackbusters, abordam tantos temas interessantes para discussões. Além é claro, de ser bom para caralho para muitos fãs do gênero!

  • Ramon Vitor

    Impactado.

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