sábado, 21 de janeiro de 2017

E se tudo fosse privatizado? A população do Congo responde a essa questão em 15 imagens.

Imagine a seguinte situação: a pessoa mais rica do seu país, e uma das mais ricas do seu continente, surge querendo fazer o bem. E não se trata de um milionário comum, ele é simplesmente o rei do seu povo. Um rei bem diferente dos demais, que quer ajudar o próximo em vez de viver uma vida mesquinha usufruindo da riqueza e do status social que sua condição privilegiada permitiria. Um rei filantropo, preocupado principalmente com a questão da escravidão, e que está determinado a erradicá-la alhures, onde ainda é praticada.

Ele também se compromete a prestar ajuda humanitária às pessoas que lá vivem, assim como levar até elas o melhor de sua civilização. Todos se impressionam, ele é ovacionado e ganha o apoio, inclusive financeiro, de todo o seu povo no seu intento. Merecidamente, afinal, nem nos contos de fadas os reis são tão bonzinhos assim, está muito bom para ser verdade. E será que é mesmo?

rei-leopoldo
Caricatura do Rei dos Belgas.

O papo desse rei com o seu “Teleton” ou “Criança Esperança” real no fim do século XIX era melhor do que contos de fadas, mas acabou se tornando um dos períodos mais macabros da história da humanidade, além de ter inaugurado o imperialismo europeu no continente africano (cujas consequências são as dificuldades e a pobreza atuais do mundo subdesenvolvido). Trata-se da história de Leopoldo Luís Filipe Maria Nítor, ou Leopoldo II, o Rei dos Belgas e daqueles que receberiam a graça de uma suposta alma tão nobre, o povo do Congo, no coração da África. Numa época que nenhuma companhia ou Estado europeu estavam interessados em explorar a África, estando mais preocupados com suas colônias nas Américas, na Ásia e na Oceania, o rei Leopoldo II viu no Congo a chance para enriquecer ainda mais e enganando o mundo inteiro. Restava saber quem toparia ajudá-lo a concretizar a sua ambição. E foi assim que seus olhos brilharam ao ler a seguinte declaração de um jornalista sobre o Congo, e que se tornaria seu principal parceiro nessa empreitada:

“Há 40 000 000 de pessoas nuas do outro lado das cataratas (…) e os industriais têxteis de Manchester estão à espera de os vestir… as fábricas de Birmingham estão a fulgurar com o metal vermelho que será transformado em objetos metálicos de todos os tipos e aspectos que os irão decorar… e os ministros de Cristo estão zelosos de trazer as suas pobres almas para a fé cristã.”

StanleySão as palavras do galês Henry Morton Stanley, que havia se tornado um herói nos EUA e na Europa por ter encontrado o explorador David Livingstone no Congo, há muito tempo desaparecido. Nessa aventura o jornalista desbravou territórios na base do estupro, tortura e execuções em massa. Outro coração bom que se aliaria ao benévolo Rei dos Belgas seria o magnata Tippu Tip, um dos últimos comerciantes de escravos da era moderna. Como se vê, só gente boa.

Assim estaria criada as condições necessárias para a criação do Estado Livre do Congo (no francês, ou Estado Independente do Congo, no holandês), que na prática seria uma propriedade privada gigante do rei Leopoldo II, tão grande quanto os latifúndios que existem no nosso Brasil. Como ele também era um liberal, defensor apaixonado do livre mercado, ele prometeu que no seu mais novo reino também existiria uma zona de livre comércio, ganhando assim o apoio de empresários alemães, ingleses e franceses na sua ajuda humanitária.

Às vezes precisamos recorrer a um discurso irônico para conseguirmos falar sobre atrocidades históricas, ainda mais iniciadas com tanto cinismo, para não nos perdemos nos nossos sentimentos de revolta e impotência que inevitavelmente afloram. Mas nenhum recurso retórico ajudará a digerir o que vem a seguir (assim como não cabem mais as ironias).

In the rubber coilsOriginalmente o empreendimento do rei belga foi apresentado como uma salvação aos “últimos escravos” (a escravidão já havia sido abolida em todo mundo na época), mas acabou escravizando toda a população do Congo. Seu empregado Stanley estava obstinado em encontrar a nascente do rio Congo, o último segredo geográfico da África, como diziam na época, e nessa jornada cometeu um verdadeiro genocídio contra as tribos locais. Quem sobrevivia se tornava propriedade privada de Leopoldo II e era obrigado a trabalhar na extração de matérias-primas sob condições desumanas. Qualquer sinal de revolta era castigado com estupros, torturas, mutilações, crucificações, decapitações. Sequer crianças eram poupadas. As milícias que aplicavam a barbárie também não estavam imunes a ela. Os soldados tinham que mostrar “serviço”, sob o risco de serem executados também. Para provarem que estavam realmente trabalhando, eles deveriam apresentar as mãos decapitadas de suas vítimas. Como muitos não atingiam a cota estipulada, isso acabou provocando o surgimento do macabro comércio de mãos. Aos soldados brancos era reservado um tratamento melhor, mais ainda assim desumano: salários aviltantes, ausência de direitos, expostos totalmente às doenças e às intempéries e também corriam risco de vida se ousassem comentar com alguém de fora o que acontecia por ali. A propriedade privada do rei Leopoldo se tornou uma verdadeira indústria do inferno, tendo como auge de sua exploração o período de alta do preço da borracha no comércio mundial. O resultado desse empreendimento: o rei da Bélgica ficou ainda mais podre de rico às custas do desmatamento das florestas do Congo, da quase extinção dos elefantes e sobre os cadáveres de aproximadamente 10 milhões de seres humanos.

Seguem alguns registros desse tempo cruel, uma verdadeira galeria de horrores esquecida pelo mundo ocidental, e que por tal motivo deve ser sempre lembrada.

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1[intense_heading font_size=”26″ font_color=”#000000″ font_family=”google|Oswald”]Mulheres reféns acorrentadas[/intense_heading] Mulheres Reféns.

Para forçar os homens nativos a colherem borracha na floresta, suas mulheres eram acorrentadas e mantidas reféns. Foto de Roger Casement.

2[intense_heading font_size=”26″ font_color=”#000000″ font_family=”google|Oswald”]Crianças mutiladas[/intense_heading] Mutiladas
Mutilados por não cumprirem a cota de coleta de borracha. Foto da missionária britânica Alice Seeley Harris, de 1908.
3[intense_heading font_size=”26″ font_color=”#000000″ font_family=”google|Oswald”]Jovens Mutilados[/intense_heading]

Mutilados do Congo

4[intense_heading font_size=”26″ font_color=”#000000″ font_family=”google|Oswald”]Membros arrebentados[/intense_heading]

acorrentados-harris
Quem não pagava impostos tinha como punição seus membros arrebentados. Foto de Alice Seeley Harris, em Bauliri, de 1904.

5[intense_heading font_size=”26″ font_color=”#000000″ font_family=”google|Oswald”]”Meio de transporte” na propriedade privada do rei[/intense_heading] transporte-congo-belga
6[intense_heading font_size=”26″ font_color=”#000000″ font_family=”google|Oswald”]O sofrimento de Nsala de Wala[/intense_heading]

membros-filha

O pai Nsala de Wala olha desolado para a mão e pé decepados da filha de apenas 5 anos. Foto de Alice Seeley Harris, 1904.

7[intense_heading font_size=”26″ font_color=”#000000″ font_family=”google|Oswald”]Prisioneiros de Boma[/intense_heading]

Prisoneiros
A taxa de sobrevivência entre os prisioneiros de Boma ficava entre 30% a 50%, e em condições favoráveis.

8[intense_heading font_size=”26″ font_color=”#000000″ font_family=”google|Oswald”]Caça predatória de elefantes[/intense_heading] marfim
De início, a principal fonte de riqueza do rei Leopoldo com seu Estado Independente do Congo era o comércio de marfim, o que contribuiu com a quase extinção dos elefantes no século XX.
9[intense_heading font_size=”26″ font_color=”#000000″ font_family=”google|Oswald”]Matança gratuita de animais[/intense_heading]

Leoa-caçada-Leopoldo-II
Leoa alvejada por um dos soldados de Leopoldo II.

10[intense_heading font_size=”26″ font_color=”#000000″ font_family=”google|Oswald”]Mongala, Mola Ekuliti e Biasia[/intense_heading] deformados
11[intense_heading font_size=”26″ font_color=”#000000″ font_family=”google|Oswald”]Tortura[/intense_heading]

leopold-ii-whipping

12[intense_heading font_size=”26″ font_color=”#000000″ font_family=”google|Oswald”]Mãos de Lingome e Bolenge[/intense_heading] leopoldo-ii-congo-missionarios
Missionários britânicos com homens segurando as mãos de Lingome e Bolenge, cortadas pela milícia da Anglo-Belgian India Rubber, companhia de borracha do rei Leopoldo II
13[intense_heading font_size=”26″ font_color=”#000000″ font_family=”google|Oswald”]Fome[/intense_heading] fome
14[intense_heading font_size=”26″ font_color=”#000000″ font_family=”google|Oswald”]Crianças, jovens e adultos[/intense_heading] mutilatedchildrenfromcongo
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[intense_heading font_size=”26″ font_color=”#000000″ font_family=”google|Oswald”]Nariz arrancado[/intense_heading]

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[intense_heading font_size=”26″ font_color=”#000000″ font_family=”google|Oswald”]Considerações finais[/intense_heading]

O Estado Livre do Congo era uma propriedade privada e funcionava como uma empresa. Possuía metas, gestão empresarial, cobrança de resultados, tudo na base da bala, com muito derramamento de sangue. Política? Apenas a política da empresa do rei Leopoldo II.

Funcionava como um estado de exceção: suspensão de direitos de um Estado normal, império real dos interesses privados e da propriedade privada associal, que, para se efetivarem, prescindem até mesmo da forma da lei social que garante a propriedade. Ao invés da lei formal da propriedade, há ali a propriedade privada pura e simples.

Os (neo)liberais protestam, não reconhecem o Estado Livre do Congo como consequência última da lógica da propriedade privada, porque eles ignoram a realidade efetiva, os reais desdobramentos da sua doutrina na prática, um comportamento muito parecido com o dos religiosos mais extremados. Mas para quem faz uma análise objetiva , que considera a categoria real, efetiva, fica claro que ali a propriedade existiu para garantir a extração do marfim, da borracha e dos metais, tudo objetivando gerar o lucro capitalista.

Assim, o capitalismo na sua forma mais pura aconteceu no Congo, de maneira anômala e selvagem, prescindindo da liberdade plena dos indivíduos, mas não da liberdade irrestrita que o proprietário, Leopoldo II, tinha sobre seu domínio no mundo.

Os empreendimentos do rei Leopoldo II (sem nunca ter pisado no Congo) também servem como um alerta às pessoas que embarcaram na onda de negação da política, que confiam naqueles que se dizem “apolíticos” como seus representantes, que acreditam em reis Leopoldos modernos administrando a coisa pública, chegando até a eleger no primeiro turno um “empresário” para a prefeitura de uma das cidades mais importantes do país e do mundo.

A experiência do Estado Independente do Congo nos mostra o que ocorre quando apenas a lógica do mercado baseado na propriedade privada dita como as coisas devem ser, principalmente nas populações mais vulneráveis: estabelece uma devastadora barbárie, em que o ser humano não passa de um lixo descartável.

Referências:

• BBC – Henry Stanley (1841 – 1904)
• BBC – King Leopold’s legacy of DR Congo violence
• The Guardian – The Hidden Holocaust

[intense_panel title=”Para saber mais” title_tag=”h4″ title_color=”#4a4a4a” title_font_color=”#ffffff” color=”#f2f2f2″ margin_right=”200″] • O Fantasma do Rei Leopoldo, de Adam Hochschild
• A era dos impérios — 1875–1914, de Eric Hobsbawn
O sonho do celta, de Mario Vargas Llosa
[/intense_panel]
E se tudo fosse privatizado? A população do Congo responde a essa questão em 15 imagens.

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Sobre Jorge Charon

Sou um barqueiro. Ajudo aqueles que desejam atravessar águas turvas para lugares com alguma luz.

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  • Zhu

    Bestial…

  • Cesar Mello

    De onde vocês tiraram que isso é “igual uma empresa”?
    Numa empresa, se você não concorda com o chefe, você PEDE DEMISSÃO.
    O único lugar de onde, quando você não concorda, você não pode pedir demissão e pessoas armadas vem te obrigar a concordar é o ESTADO.
    Honestidade Intelectual passou longe desse artigo hein?

    • Calavera

      Empresas não dispões de direitos e deveres alheios aos interesses particulares dos donos da empresa. Nesse sentido o Congo era uma empresa e não um Estado. Era uma empresa sem escape para os direitos sociais e civis próprios de uma gestão política e democrática. Nesse sentido, caro Cesar Mellor, é que o artigo se refere ao Congo como uma empresa. Como se pode ler:

      “Como muitos não atingiam a cota estipulada, isso acabou provocando o surgimento do macabro comércio de mãos. Aos soldados brancos era reservado um tratamento melhor, mais ainda assim desumano: salários aviltantes, ausência de direitos, expostos totalmente às doenças e às intempéries e também corriam risco de vida se ousassem comentar com alguém de fora o que acontecia por ali. A propriedade privada do rei Leopoldo se tornou uma verdadeira indústria do inferno, tendo como auge de sua exploração o período de alta do preço da borracha no comércio mundial. O resultado desse empreendimento: por volta de 10 milhões de mortos.”

      Algo muito análogo à violência que muitos dos trabalhadores são submetidos aos seus superiores, trabalhadores esses dos quais desconhecem seus direitos e o amparo social possível, não? É exatamente esse o objetivo do artigo, trabalhar por uma analogia o que ocorre no livre mercado e seus perigos. Em sublinhar a vulnerabilidade que um trabalhador que apenas dispõe de sua força de trabalho dispõe num regime absoluto de liberalismo econômico sem a interferência do Estado.
      O Estado, assim como a livre-iniciativa, se alheias ao que é verdadeiramente político, isto é, a busca belo bem coletivo, estará sempre na borda de praticar grandes atrocidades. Desse modo o seu comentário sublinha algo interessante… mas mesmo assim não concordo que haja uma falta de “honestidade intelectual” no artigo em questão. O Rei analisado se apropriou do Congo sob a lógica do lucro, não uma lógica política, nesse sentido ele foi bem honesto em fazer tal analogia.
      Grato pela atenção, Cezar, boa tarde!

    • Regis Ribeiro

      Se você voltar no tempo até mais ou menos até a 1ª revolução industrial na inglaterra vc vai encontrar empresas sem nenhum direito, onde até crianças trabalhavam 16h por dia, pessoas eram mutiladas e não tinham nenhum direito, nem o de demissão. todos esses direitos que vocês clamam serem vantagens empresariais e do livre mercado são na verdade conquistas históricas de quem penou muito em empresas sem direito nenhum. melhorem.

      • É por isso que você voltou no tempo, não existiam leis. Hoje, isso jamais aconteceria. O texto é ridiculamente apelativo quando tenta traçar qualquer semelhança entre privatizar áreas do governo com mutilar pessoas.

        • Regis Ribeiro

          pode ser que o q ocorreu no congo belga não ocorra mais, mas o que o texto quis dizer é que já nos fodemos muito e temos que aprender com os erros, e não regredir deixando tudo pra privatizações… vai confiando deixar tudo na mão do livre mercado sem nenhuma regulação… isso aconteceu 100 anos atrás, não é muito tempo e eu não duvido que as coisas caminhem pra trás, assim como está acontecendo com a aposentadoria, direitos trabalhistas, 13º, etc…

        • Rodrigo

          Essas leis sofreram objeção dos economistas liberais. E até hoje empresas operam na África assim, com seguranças privados coagindo trabalhadores

      • Pedro Lemos
        • Regis Ribeiro
          • Pedro Lemos

            Na época feudal o trabalho era pesado mas tinha períodos, como no inverno ou época depois da coleita que o trabalho logicamente era reduzido, mas a população era extremamente pobre. Como diz no segundo texto que eu compartilhei, é logico que no começo tinham muitos trabalhos sub-humanos, mas com o crescimento das industrias, da economia e tudo mais, eles tinham que aumentar o mercado consumidor, por isso, eles diminuíram a jornada de trabalho, que foi provado que aumentou a produtividade de cada funcionário e os salários. É ninguem te obriga a trabalhar na empresa x

      • Pedro Lemos
    • Vitor Dall’asta Rigo

      Cesar Mello, onde, no texto, diz que os africanos não podiam sair da propriedade privada de Leopoldo II se eles quisessem…?

    • Francys Charlie

      Desenhando: se ele espia e filma as suas filhas pela fresta na parede do banheiro dele, quem é você para dizer que ele não pode? Se vocês estão na laje dele e ele a derruba antes que você consiga descer, quem poderá criticá-lo? Se você entrou na casa dele e ele não quer que você use a porta para sair, quem é você para condená-lo? Se o seu filho comeu o pão dele, por que ele não pode perfurar a barriga dele?

  • Augusto César

    que na prática seria uma propriedade privada gigante do rei Leopoldo II” Estatal, próximo.
    A galera tenta falar de anarquismo, mas acaba citando exemplos que o Estado mais uma vez foi um lixo.

    • Charon

      O Congo se tornou uma propriedade privada do Leopoldo II, a qual ele utilizou para suas empresas lucrarem como não se houvesse amanhã, de início com o comércio de marfim, depois com extração de borracha entre outras matérias-primas. Mas é culpa do “Estado” porque está no nome, um nome que ele colocou numa época que a palavra Estado tinha um peso e uma função totalmente diferente do que tem hoje, como o de ser um nome perfeito para ele legitimar a propriedade gigantesca e esconder suas reais intenções.

      Eu quero acreditar que vocês sejam cínicos, porque se for burrice, tomem cuidado para não caírem de quatro, do contrário vcs nunca mais levantam.

      • Augusto César

        Você conseguiu definir muito bem o poder de um estado em sua grandeza.

        • Rodrigo

          O texto não foi para se contrapor ao Anaquismo

    • Vitor Dall’asta Rigo

      Desculpa, mas, onde no livre mercado eu seria proibido de ter uma propriedade privada do tamanho do Congo e aplicar sob ela as leis que eu quisesse, afinal, é a minha empresa?

      Segundo vocês, não existe caráter coercitivo algum se os empregados possam pedir ~~demissão~~, o que, no caso, seria equivalente a abandonar o Congo, o que não está dito no texto que eles não poderiam fazer e, além disso, é algo fisicamente impossível de se proibir. Nem os EUA conseguem, com a tecnologia e o acumulo de capital de hoje, impedir a imigração ilegal.

      • Augusto César

        A partir do momento que você fere o PNA.

        • Vitor Dall’asta Rigo

          onde eu to ferindo o PNA meu bebê? se quer ficar na minha propriedade e trabalhar nela, as regras sao simples: nao cumpriu a meta, perdeu a mão. Se não quiser, pode sair, isso não fere o seu PNA não.

        • Vitor Dall’asta Rigo

          Se invadir minha propriedade, vira escravo.

          • Pedro Lemos

            Não fala merda, autista. Primeiro que o corpo é um propriedade privada, e você não pode obrigar um um outro individuo a fazer algo que ele não quer, segundo que se alguém chegar em um local e declarar que é sua propriedade privada, que no caso do Congo não era legitimo, pôs ja tinha gente lá, e não a utilizar você não é o dono dela, como se fosse uma lei capiao( é só um exemplo). Isso só foi o estado com a sua famosa OPRESSÃO. Se vocÊ conhecesse a filosofia libertaria e liberal não falaria merda, o qual defende unicamente o individuo.

          • Vitor Dall’asta Rigo

            >todos os contratos voluntariamente firmados e cumpridos<

            quem disse que o povo do congo foi obrigado? ora, quem disse, também, que eles eram donos das terras? se fosse assim, a américa nunca poderia ter sido colonizada, toda a nossa propriedade privada é ilegítima, era dos índios e eles nunca pagaram.

            não, toda propriedade privada é estabelecida primeiramente pela força, depois, se julga nas leis do mercado. Se o contrato é entre dois indivíduos e voluntário, TUDO pode ser acordado, TUDO. Vc quer regulamentar o meu contrato com outro individuo? quem vc é, o Estado? Logo, sim, o Congo é o exemplo perfeito de propriedade privada, e os nativos podiam sair do Congo se quisessem, nada os impediria. Então sim, eles não eram obrigados a nada.

          • Pedro Lemos

            Eu disse, pela fotos e porque o numero de pessoas que concordam em ter seu braço decepado e quase nulo. Eles podiam sair do Congo, mas tinham consequência por esse ato, que já configura coerção. O CORPO TAMBÉM É UMA PROPRIEDADE PRIVADA. Me equivoquei nessa parte, porque muitos trocavam suas propriedades por equipamentos e iguarias e muita terra não era utilizada.

            Pode fazer QUASE tudo, menos interferir na propriedade de outra pessoas, não tem muito sentido o que você falou e não vejo nenhum defensor do livre mercado defendendo isso.

            Ayn Rand era uma retardada e só retardo que segue ela

          • Vitor Dall’asta Rigo

            Que consequência? Largar emrpego tbm te leva consequencias, nem por isso é coercitivo, oras.

            E aí que vc se engana, e toda a ideologia liberal cai a parte, a quantidade de pessoas HOJE EM DIA que se submeteria a ter a mão decepada é mínima, fato, mas isso depende da realdiade material e cultural.

            Vc sabia que existem filas de pessoas pra se explodirem como homens bomba no ISIS? filas e mais filas e mais filas. Vc ja assistiu os miseráveis? onde a atriz se submete a prostituição e a ter seu dente arrancado em condições sanitárias da periferia da França pós-rev-francesa, apenas para ter dinheiro pra mandar pra filha que está longe? É exatamente isso que acontece qnd os meios de produção estão nas mãos de poucos: fascismo economico, degradando as condições de vida e fazendo pessoas se submeterem a trabalhos deploráveis como na áfrica, 1 dólar por dia, na china, com redes anti-suicidio nas janelas, no brasil, catando comida e recicláveis no lixao da vila das flores.

            Não existia coerção que violasse o PNA, é assim que é a vida privatizada.

            Um mendigo hoje só vive porque existem áreas públicas, se fosse td prviatizado ele n teria nem onde dormir.

          • Pedro Lemos

            Escrevi maior textão e pra no final dar erro rs, vou resumir ao máximo.

            Nesse caso especifico terceiros ou a pessoa era obrigados a fazer isso, e não sei da onde vc tirou que libertários e liberais defendem isso.¹

            O que a pessoa faz com o próprio corpo é problema dela, no caso do ISIS é que eles violam a propriedade de terceiros. Não vejo isso sendo culpa do livre mercado nem nada, culpa mais do estado ela está naquela miséria, alias graças ao livre mercados, um coisa triste eu sei, possibilitou que a filha fosse pra longe. O estado é o maior causador dos meios de produção ficar só nas mãos de uns, no libertarianismo ningyém te impede de abrir um negocio, se vc tiver capital, e pra monopolizar o mercado, se tivéssemos livre mercado, seria quase impossível o produto tem que ser bom e com um preço em conta, se não alguém tomaria seu lugar. E se houvesse um monopólio nos bens naturais, que são bastante escaços, o capitalista ia investir em outros bens ou ate mesmo em outra tecnologia, tudo para diminuir o preço do produto.²

            Não sei da onde vc tirou isso.

            Vc levaria o mendigo para morar na sua propriedade? Se sim bom vc é muito caridoso.

            **** Vou deixar alguns links aqui para leitura, depois que deu erro deu preguiça de escrever de novo, desculpa rs, ta ai:
            ¹ http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1956
            ² http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1956
            http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1241

          • Vitor Dall’asta Rigo

            Em que caso específico vc ta falando? Quem foi obrigado? Ninguém cara, tudo que eu citei foi ~~voluntário~~, é só pra mostrar que a realidade que a gente tem hoje, onde pessoas nao se submetem nem a empregos perigosos, só foi possível depois de muita luta social. Em ambientes de miséria as pessoas se submetem a qualquer coisa, vide áfrica hoje em dia, e é por isso que o exemplo do texto não tem nada a ver com o Estado.

            E não, liberdade economica não é paraíso solucionador de tudo, cara, a propriedade concentra a renda* e diminui a quantidade de novos negócios ao mesmo tempo que se beneficia dessa concentração reduzindo a concorrência e aumentando a massa de desempregados pra baratear a mão de obra. É lógico que é importante, mas sem transferência de renda nenhum país DO MUNDO tem bons indicadores de idh, digo mais, sem distribuição de renda e ALTOS E PROGRESSIVOS IMPOSTOS, além de SINDICATOS FORTES (aqui eu n sei qnt a todos, mas a Suécia tem sindicatos fortíssimos).

            *(nem venha com a desculpa de que os meios de transporte sao estatais e subsidiados, se fossem privados, seriam disfuncionais e, caso vc nao saiba, o fundador da GM Motors fez tanto dinheiro exatamente pq era dono de uma linha de trem, e usava ela como ameaça pra fechar negócios e exercer o seu poder, e, não, não existe concorrencia na infraestrutura que deixaria de gerar oligopólios, quantas estradas teriamos? 3? 5? 7? 9? oligopólio, temos 4 operadoras de celular no Brasil e elas agem em oligopólio)

          • Pedro Lemos

            “Para forçar os homens nativos a colherem borracha na floresta, suas mulheres eram acorrentadas e mantidas reféns. Foto de Roger Casement.”

          • Pedro Lemos

            “Mutilados por não cumprirem a cota de coleta de borracha. Foto da missionária britânica Alice Seeley Harris, de 1908.”

          • Pedro Lemos

            Nada mais nada menos que “escravos voluntários”. Vc ate agora não entendeu que a primeira coisa que o movimento libertário defende é o individuo.
            Tem tudo a ver com os malditos socialistas e corporativistas africanos, por isso aquela miséria. Kara é qual é sua proposta pra quebrar monopólio, criar mais burocracias criada por burocratas que podem ser subornados para ajudar um lado ou deixa a livre iniciativa quebrar essa barreira? No caso da ferrovias o maior prejudicado foi o setor petrolífero que cornou isso criando os oleodutos, que transportavam o petróleo a longas distancias e com o menor custo, além de iniciativas para construir dos outros industriais novos meios de transportes. Não entendi sitar a telefonia do bostil, isso vc ta mais me ajudando que vc.
            A Suécia da fudida como toda a Europa por causa de politicas idiotas. Aqui explica melhor: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2210
            http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=872

          • Rodrigo

            Não, o movimento proprietarianista, que usurpou o termo “libertário” do movimento anarquista com o qual ele não tem nada a ver, defende o darwinismo social. Não o indivíduo.
            As multinacionais que exploram recursos naturais no Congo são socialistas? Os países ricos que despejam lixo na África são socialistas? Porque não houve liberais nas lutas anticoloniais?
            Interessante que o revés que a Suécia experimentou foi o da educação ao terceirizar o serviço e o da dívida privada ao implementar regime de controle fiscalista e o da bolha imobiliária ao liberalizar este mercado retirando regulamentações.

            Este site “mises” é como os sites de criacionismo e “inteligent design”. Há pouco ele escrevia que a Suécia ia ficando mais maravilha devido a maior liberalização. Aí aparecem os problemas começa a cacarejar dizendo que é devido a socialismo.

          • Pedro Lemos

            Resumindo: isso foi obra de comparativistas, dos mais imorais, ajudo pelo estado. Não tem nada a ver com livre mercado e privatização

        • Vitor Dall’asta Rigo

          “Por outro lado, como o libertário também se opõe a todos os tipos de ataque à propriedade privada, isso também significa que ele se opõe com a mesma ênfase à interferência do governo sobre todos os direitos de propriedade e sobre todos os contratos voluntariamente firmados e cumpridos, o que significa que o libertário se opõe a toda e qualquer interferência governamental sobre a economia por meio de regulamentações, subsídios, tarifas, controles, impostos e proibições. ”

          >todos os contratos voluntariamente firmados e cumpridos<

          vc nem manja da sua própria ideologia, coitado.

          nao existe interferência no PNA, refutado.

          http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2036

  • Será que eu vou ter mesmo que explicar o abismo entre ‘uma empresa ter uma administração privada’ e ‘uma empresa poder mutilar pessoas’ para o gênio que escreveu esse texto? Administração privada é sempre melhor, vide todas as estatais do país sendo uma BOSTA e tendo serviços privados infinitamente melhores. Você simplesmente não pode negar isso.

    Ah, e o gênio também não percebeu que isso na verdade seria o último passo de um Estado grandioso, e não uma empresa. Vai ser burro assim lá na pqp.

    • Regis Ribeiro

      Se você voltar no tempo até mais ou menos até a 1ª revolução industrial na inglaterra vc vai encontrar empresas sem nenhum direito, onde até crianças trabalhavam 16h por dia, pessoas eram mutiladas e não tinham nenhum direito, nem o de demissão. todos esses direitos que vocês clamam serem vantagens empresariais e do livre mercado são na verdade conquistas históricas de quem penou muito em empresas sem direito nenhum. melhore.

      • Rodrigo Almeida

        Sabe que antes da revolução industrial, antes delas trabalharem 16 horas por dia, elas morriam de fome, pobreza sempre existiu, e isso nunca foi e nunca vai ser culpa do capitalismo, ao contrario, o capitalismo ele gerá riqueza e trabalho, pessoas deixam de morrer por causa do capitalismo, vou te fazer uma pergunta então! Se o capitalismo é tão ruim e mata tantas pessoas! Então por que após a revolução industrial o numero da população só aumentou invés de ser minimo como antes? Além de que antes do capitalismo, antes da revolução industrial a taxa de pobreza extrema era de 94% e hoje? sabe quanto é? Provavelmente não né!? Hoje a taxa de pobreza extrema do mundo todo é de apenas 10%, a mortalidade infantil antes do “capitalismo” era de quase 50%, o capitalismo deu dinheiro e comida em troca de trabalho! E depois de alguns anos essas mesmas crianças iam as escolas aprender, isso é culpa do capitalismo “malvadão” vá para o japão veja aquele tanto de prédios, e lindezas, vá aos super mercados e veja o que é o capitalismo! O que é o livre mercado!

        AGORA SOBRE A POSTAGEM: hahahahaha, impressionantemente ridícula, prova que vocês não tem a sincera menor ideia do que é liberalismo! liberalismo vem da palavra liberdade, como o cérebro esquerdista de vocês consegue associar essa palavra a escravidão? Liberalismo defende: O PNA (Principio da não agressão), propriedade, vida, e liberdade, você é dono de você mesmo! Você não pode ser dono de ninguém! Você não pode matar ninguém, e você não pode agredir ninguém, nem roubar ninguém, olha que estranho, diferente do socialismo, que o estado decide quem matar! que o estado ROUBA seu dinheiro! que o estado basicamente te escraviza!

        • Anti Matéria

          “Se o capitalismo é tão ruim e mata tantas pessoas! Então por que após a revolução industrial o numero da população só aumentou invés de ser minimo como antes?”

          A revolução industrial não é resultado do capitalismo, é o resultado da ciência e tecnologia. E C&T é algo produzido tanto por sistemas capitalistas como socialistas.

          Agora minha pergunta… O que acontece se implantarmos um sistema liberal máximo onde não existirá nenhum Estado e tudo será deixado para a iniciativa dos indivíduos?… Ordem e progresso? Paraíso na Terra? Monopólios, máfias e feudos?

          • Augusto César

            Estipule de onde quiser, então. Desde da implantação do capitalismo, e a resposta será a mesma.

        • Regis Ribeiro

          cara, fome e pobreza sempre existiu e quanto mais pra trás no tempo obviamente as coisas pioram. o que melhorou foram as descobertas científicas sobre causadores de doenças e como evitá-las, bem como melhoria do saneamento, mas isso é outra história. claro que o capitalismo ajudou, ninguém tá falando em abandonar o barco, só estamos evoluindo junto com o mopdo de produção. se já foi provado que deixar tudo nas mãos de empresas não é um bom negócio o jeito é lutar contra, mobilizar-se e ver se as coisas melhoram. pode ter certeza que se vc não for mais lucrável pra uma empresa estará no olho da rua no mesmo segundo: vc tem que produzir o suficiente pra pagar seu salário, seus benefícios e ainda o lucro da empresa, senão é rua. não tem como a conta fechar se vc não der lucro pra empresa onde trabalha, porém isso não significa que o patrão quer mal pra vc, ou quer que vc sofra trabalhando muitas horas… mas no fim, entre escolher ter prejuízo e manter vc empregado ou não ter preju, te botar na rua e garantir uma graninha a mais o que vc acha que ele vai escolher?

        • Rodrigo

          Só diminuiu o morticínio na Revolução Industrial quando algumas das tarefas mais penosas foram internacionalizadas para as colônias.

          E é estúpido reivindicar melhoras no mundo para o “liberalismo econômico”, dado que a economia mundial não o seguiu; não foi pautada por “livre mercado” nem “estado mínimo”.

          Vocês estão ficando mais velhos, quase adultos, deveriam aprender a ter vergonha na cara.

    • Charon

      Ué, os anarcocapitalistas brutalistas não defendem qualquer atrocidade deentro da sua propriedade privada? A propriedade do Leopoldo II é o capitalismo levado às últimas consequências, é o Ancapistão que seus irmãos de ideologia, os ancaps, defendem nas redes sociais. Um deles chegou a defender estupro dentro da propriedade privada abertamente. Louco? Não, ele apenas está sendo coerente com a doutrina que aprendeu e explica bem os abusos cometidos no Congo.

      Administração privada é sempre melhor?

      Tipo a empresa privada responsável por abastecer a cidade de Flint, nos EUA? Essa água amarronzada é o quê? É tipo uma água rica em sais minerais, já que tudo o que é privado é melhor?

      E esse trem de subúrbio da empresa privada supervia do Rio? Melhor que o trem de subúrbio S-Bahn da DB estatal alemã, né?

      Vcs são religiosos.

      https://uploads.disquscdn.com/images/28866947f0ca40bd1882f046a163b2c581322ae43e50ab01572eb58d043a0e46.jpg https://uploads.disquscdn.com/images/c3622afb89af2235488de851f6fb9915784ac8eb4b90cdef227cbb081d9c43a6.jpg https://uploads.disquscdn.com/images/2cd5fa8ebc1eca2575b10735c67bd45a923e244110ab53f1d9e4e2d07a86e720.jpg

      • Você quer que eu poste uma foto dos correios e uma da UPS como exemplo também? E na filosofia anarcocapitalista (não defendendo, pois acho um absurdo), estupro seria contra o princípio da não agressão, então o cara que defendeu isso apenas não entende mesmo o que está defendendo. E é muito interessante como você pega um trem do Rio e daí é obrigado a se dirigir pra Alemanha pra pegar um exemplo de algo estatal que funcione. Tá, mas e os trens privados da Alemanha? Comparação enganosa. Se administração privada é 100% das vezes melhor eu não sei, mas é claro que existirão exceções…

        • Charon

          Os trens privados da Alemanha usam tecnologia desenvolvida em unis públicas alemãs, que recebem muito dinheiro para pesquisa do Estado alemão.

          E eu apenas mostrei como sua afirmação é falsa.

          Vc disse: tudo o que é privado é melhor.

          Eu apenas mostrei que vc está errado.

          Sobre os abusos de empresas privadas, inclusive violando os direitos humanos, sugiro vc ler outro artigo do site sobre o que está acontecendo nos presídios privados dos EUA. E tem toda uma periferia, IMENSA, do capitalismo, para mostrar que a realidade do Congo não está tão distante assim para os mais pobres no mundo inteiro.

          O capitalismo não é apenas o centro do sistema, ou o que os índices falaciosos de liberdade econômica dizem. O capitalismo vai muito além do que vc vê nas prateleiras do supermercado, meu caro.

          http://voyager1.net/economia-politica/america-grande-novamente-com-trabalho-escravo/

          • Sim, você mostrou UM exemplo, que é a exceção à regra… E você consegue entender que os exemplos que você tá mostrando não chegam nem perto de ser uma crítica ao capitalismo? Posso citar 99% DOS PRESÍDIOS BRASILEIROS e destruir seu ‘exemplo’…

          • Regis Ribeiro

            o que tem os presídios brasileiros? vai falar que vc paga a comida e a hospedagem dos presos que não trabalham? vai lá então morar e comer de graça que pagamos pra vc.

        • Rodrigo

          Bote uma foto de alguma empresa de entregas que oferte serviços para áreas dispersas, de difícil acesso, com infraestrutura pequena, aos preços dos correios.

          Na Alemanha, o Estado assumiu custos iniciais e de infraestrutura e cobriu juros dos projetos de longo prazo através de seu banco de financiamento público. Senão não haveria trens privados.

  • Charon

    Nossa, quantos (neo)liberais de internet aparecendo para comentar meu texto! Quanta honra! Comentem bastante, assim meu texto ficará no topo dos artigos populares, será mais visualizado, logo mais lido e compartilhado. Resta-me agradecer vossa contribuição em ajudar que meu texto chegue a cada vez mais pessoas. 🙂

    Saudações!

  • Jean Sith

    Regra N1 de qualquer defensor do Direito à Propriedade Privada:

    A primeira e unica inalienável propriedade privada de todo homem é seu próprio corpo [meu corpo, minhas regras. entendem dessa forma?]. Se qualquer outro individuo desrespeita esse direito não é um defensor ou até mesmo usufrutário da propriedade privada, é um déspota, uma pessoa que usa apenas da força bruta para afirmar seus interesses.
    Propriedade Privada se baseia em mutuo reconhecimento, não em mero usufruto.

    Regra N2 de qualquer defensor do Direito à Propriedade Privada:

    Todo ser humano tem direito ao que é fruto de seu trabalho, nenhum outro tem qualquer tipo de reivindicação capaz de negar esse principio. Qualquer negação dele é violência.

    se não entendeu eu recomendo ler John Locke.

    Definição de Livre Mercado:
    Sistema de trocas comerciais baseado nos princípios de reconhecimento da propriedade privada, da livre iniciativa e da soberania do mecanismo de oferta e demanda sobre as quantificações de preços e valores.

    Se mesmo após entender esses conceitos uma pessoa ainda repete que o Congo Belga é um exemplo de livre mercado, ou até mesmo de propriedade privada, não posso fazer nada.

    Só mais uma coisa:
    agora faz um sobre como seria se tudo fosse socializado ou estatizado, existem exemplos históricos verdadeiros sobre como as coisas seriam

    • Rodrigo

      John Locke respaldou espoliação dos indígenas norte-americanos -> desta forma não teriam direito ao fruto do seu trabalho.

      Para se ter “livre inciativa” deve-se ser capaz de realizar o ato. Não há arma apontada para mim impedindo-me de pular até a lua ou nadar numa lava vulcânica, mas não sou livre para isso.

      E se arma mata, fome mata. Alguém pode tentar enfrentar a fome, como pode tentar enfrentar a bala. Se pra um é livre, para outro também.

      Ponto. Desconstruído.

  • Voyager

    “A primeira e unica inalienável propriedade privada de todo homem é seu próprio corpo [meu corpo, minhas regras. entendem dessa forma?]. ”

    Ué, agora o discurso mudou? A propriedade privada não é mais absoluta, a não ser sobre o corpo? Estão admitindo que a propriedade privada pode ter função social, dando razão para os “socialistas”? Agora a Constituição brasileira não é mais “comunista”? Ué?

    E definir o corpo como propriedade privada, como um objeto ou coisa, não é exatamente o pretexto que utilizaram os senhores de escravos para justificar a escravidão?

    “se não entendeu eu recomendo ler John Locke.”

    E ainda cita Locke, que tinha uma companhia de comércio de escravos, que só enfatiza a contradição? 🙂

    “Definição de Livre Mercado: Sistema de trocas comerciais baseado nos princípios de reconhecimento da propriedade privada, da livre iniciativa e da soberania do mecanismo de oferta e demanda sobre as quantificações de preços e valores.”

    Ou seja, o rei Leopoldo II fez a lição de casa direitinho. Os conceitos liberais ão frouxos, variam conforme a conveniência, caem constantemente em flagrantes contradições, e no fim legitimaram o Estado Livre do Congo, que era uma empresa de livre iniciativa, baseada no reconhecimento mútuo da propriedade privada (todos concordaram na época, os africanos não eram considerados gente, o que permanece até hoje de forma não declarada no sistema, como já denunciamos aqui: http://voyager1.net/politica/seres-humanos-superfluos/ ) e respeitando as regras da oferta e demanda. Que o diga os elefantes que tiveram suas presas arrancadas e a população do Congo que teve a mão arrancada ao não cumprir a meta de coleta de borracha. Aliás, o que os liberais dizem hoje mesmo? Que animais não possuem direitos naturais. Ontem eram negros e indígenas que não tinham e hoje só possuem no aspecto formal, assim como os bilhões de excluídos do sistema. Qualquer crise profunda do sistema, virarão bucha de canhão. Vai vendo.

  • Victor Ferreira

    PLOT TWIST: O Rei Leopoldo era um estadista, líder de uma nação, um representante do Estado.

  • Charon

    “que na prática seria uma propriedade privada gigante do rei Leopoldo II” Estatal, próximo.
    A galera tenta falar de anarquismo, mas acaba citando exemplos que o Estado mais uma vez foi um lixo.”

    “PLOT TWIST: O Rei Leopoldo era um estadista, líder de uma nação, um representante do Estado.”

    Respondido na edição que fiz nas considerações finais:

    O Estado Livre do Congo era uma propriedade privada e funcionava como uma empresa. Possuía metas, gestão empresarial, cobrança de resultados, tudo na base da bala, com muito derramamento de sangue. Política? Apenas a política da empresa do rei Leopoldo II.

    Funcionava como um estado de exceção: suspensão de direitos de um Estado normal, império real dos interesses privados e da propriedade privada associal, que, para se efetivarem, prescindem até mesmo da forma da lei social que garante a propriedade. Ao invés da lei formal da propriedade, há ali a propriedade privada pura e simples.

    Os (neo)liberais protestam, não reconhecem o Estado Livre do Congo como consequência última da lógica da propriedade privada, porque eles ignoram a realidade efetiva, os reais desdobramentos da sua doutrina na prática, um comportamento muito parecido com o dos religiosos mais extremados. Mas para quem faz uma análise objetiva , que considera a categoria real, efetiva, fica claro que ali a propriedade existiu para garantir a extração do marfim, da borracha e dos metais, tudo objetivando gerar o lucro capitalista.

    Assim, o capitalismo na sua forma mais pura aconteceu no Congo, de maneira anômala e selvagem, prescindindo da liberdade plena dos indivíduos, mas não da liberdade irrestrita que o proprietário, Leopoldo II, tinha sobre seu domínio no mundo.

    https://uploads.disquscdn.com/images/5a60091c0f7464d67f700b0fdee9339d8c4896960e7a316eec883c2d5b3303a0.jpg