E se a América nunca tivesse sido invadida pelos europeus?

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Muitos não sabem, mas a América foi descoberta há milhares de anos, algo entre 15 e 18 mil anos, sendo que este número ainda não é consenso, pois existem evidências de atividades humanas na América há 48 mil anos.

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Alguns acreditam que o primeiro contato veio com a passagem pelo estreito de Bering, outros dizem que os Aborígines Australianos – muito provavelmente de barco – vieram antes através do Oceano Pacífico, isso com base no estudo da linhagem de parentesco dos ameríndios.

Apesar de tantas teorias sobre o assunto e nada muito conclusivo, é um fato que os europeus não foram aqueles quem descobriram o continente. Apenas milhares de anos depois, eles vieram e tomaram o espaço, modificando a cultura, a política, a fauna e flora. Fica a dúvida de como seria a América se nada disso tivesse acontecido.

[intense_heading font_size=”26″ font_color=”#000000″ font_family=”google|Oswald”]Impacto na natureza[/intense_heading]

Puma Concolor do Leste está oficialmente extinto nos EUA.

Uma das maiores consequências da invasão na América foi sem dúvida o impacto natural que as matas e fauna tiveram durante os últimos 500 anos. Os nativos, diferente do povo europeu, tinham uma grande ligação espiritual com a natureza material, tanto com os animais quanto com a mata, para eles, a harmonia do universo dependia do equilíbrio da fauna como um todo. Por isso boa parte das tribos era nômades ou seminômades, não viviam sempre em um único local, exatamente para não prejudicar aquele ambiente, a crença de não sobrecarregar os lugares e utilizar deles só o necessário a subsistência da tribo.

Hoje em dia boa parte da fauna de toda América está comprometida, provavelmente um desastre irreparável. Logo após a invasão houvera grandes políticas de desmatamento que só foram ser reconhecidas como prejudiciais ainda recentemente com o avanço de movimentos ambientais. Se não tivesse acontecido invasão, com as medidas que os indígenas tomavam sobre a natureza, provavelmente teríamos bem mais de 12,5% da mata Atlântica que restou hoje. Muito disso pode estar relacionado ao agronegócio, que em uma única década, foi capaz de desmatar pelo menos 70% das florestas da América Latina.

Além do impacto na mata, também sofreram os animais que aqui viviam, como o lendário Puma concolor do leste e a Araraúna. Sabe-se que a América Latina teve a maior perda de espécies nas últimas décadas, cerca de 80% das espécies totais de peixes, aves, mamíferos, anfíbios e répteis, as maiores causas estão ligadas a caça excessiva e ao deterioramento do seu habitat – por vezes ligado mais uma vez ao agronegócio.

O respeito que os nativos tinham pelos animais também era uma forma de manter os animais fora de qualquer tipo de perigo, boa parte dos animais eram sagrados, alguns chegando a serem totens de determinadas culturas.

Uma grande gama diversa de espécies de animais, foi trocada por milhões de cabeças de gado (ultrapassando em número a própria população humana de determinadas regiões, como o Brasil) que não são capazes nem de alimentar o próprio povo.

[intense_heading font_size=”26″ font_color=”#000000″ font_family=”google|Oswald”]Demografia nativa[/intense_heading]


A grande Tenochtitlan, de Diego Rivera

Hoje em dia se estima a existência de cerca de 45 milhões de ameríndios segundo a ONU, sendo que no Brasil atualmente existem cerca de 900 mil. Mas quanto era esse número antes da invasão?

Existem muitas controvérsias quanto aos números, entretanto há um consenso de que existiam cerca de 100 milhões de indígenas por todo território americano. No Brasil que se estimava cerca de 5 milhões, hoje restam apenas 1/5 deste total. O maior genocídio indígena provavelmente aconteceu nos Estados Unidos, onde cerca de 23 milhões de nativos foram exterminados na famosa “Marcha para o Oeste”, e hoje só restaram 2 milhões. A maior concentração está na América central com cerca de 17 milhões no México.

Crianças da etnia Poncho Quechua, no Peru.

Pouco antes da chegada dos europeus, na cordilheira dos Andes vivia uma das maiores civilização do mundo na época, com de pelo menos 14 milhões de pessoas. Para se ter uma ideia, na mesma época a Inglaterra tinha uma população de 3,5 milhões de habitantes, só no século XIX que ela atingiria a mesma marca que os Incas.

Apesar de nos parecer distante, o genocídio indígena ainda não acabou, muitos ainda são assassinados a sangue frio, ou ainda por pressões políticas e mudanças culturais. Como já vimos aqui no artigo “Anomia Social”, a forma como a sociedade se organiza pode causar doenças como depressão, ansiedade e estresse, levando o sujeito ao suicídio por vezes. Essa é a realidade para muitos ameríndios brasileiros, que ao contrário da tendência mundial do crescimento da expectativa de vida, no caso deles, há na verdade um decrescimento, só entre 1993 e 1995, a expectativa de vida dos índios no país diminuiu 5,6 anos. A Organização das Nações Unidas já manifestou-se a respeito do assunto, mostrando que deve ser levado com extrema seriedade.

[intense_heading font_size=”26″ font_color=”#000000″ font_family=”google|Oswald”]A sociedade e cultura ameríndia[/intense_heading]

Muitos não sabem mas existiam acontecimentos, conflitos e guerras entre os povos indígenas antes da chegada dos europeus. Como por exemplo a Guerra dos dois irmãos, Huascar e Atahualpa pelo domínio do Império Inca. Também se sabe que os Maias e os Astecas viviam envoltos de conflitos e guerras. Eventos como estes, se tivessem continuidade, poderiam ter mudado todo o rumo da história desse continente.

Existem vestígios de que os Incas muito provavelmente estiveram no Brasil, um destes vestígios é o Caminho do Peabiru, que são espécies de trilhas com 1,4 metros de largura pavimentadas com pedra, que ligava Cusco(Peru) a Florianópolis(Brasil). Essa rota teve grande importância para as migrações indígenas e na circulação de mercadorias. Segundo o arqueólogo Heinz Budweg, a forma como as pedras foram talhadas, indicam que foram trabalhadas com ferramentas de metal, o tipo de tecnologia que não era usada pelos indígenas brasileiros, mas era algo que os Incas dominavam muito bem.


O Caminho de Peabiru

Recentemente foi encontrado também o que se acredita ser um “altar Inca” em Roraima, alguns pesquisadores dizem que o local era um antigo santuário. Também foi possível encontrar monumentos e artefatos semelhantes como crianças mumificadas em território argentino.

O Caminho de Peabiru e outros artefatos e monumentos mostra como o Império Inca estava em expansão grande por toda a América. Em meados de 1430, o Império Inca não passava de 70 km², em 1533(na sua dissolução) esse território tinha aumentado 27 vezes. Para se ter uma ideia, a cada 10 anos os Incas expandiam um território do tamanho do estado do Paraná. Se continuasse no mesmo ritmo, chegaria no Brasil ainda no século XIV, e no século XVIII já teria boa parte do território Brasileiro. Esse sucesso se dá pela organização do seu exército de 12 mil guerreiros bem treinados e especializados, diferente dos demais exércitos que não tinham a guerra como uma vocação.

Caso esse sucesso do Império tivesse continuado por mais tempo, muito provavelmente o impacto entre essas diversas culturas ameríndias teria um resultado bem diferente do que vemos hoje em dia.

Arte de JJasso

Fontes:

• Primeiros ocupantes das Américas sabiam navegar

(http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/primeiros-ocupantes-das-americas-sabiam-navegar/n1238130454390.html)

• Uma década de agronegócio gerou 70% do desmatamento na América latina

(https://www.brasildefato.com.br/2016/07/26/em-uma-decada-agronegocio-gerou-70-do-desmatamento-na-america-latina/)

• América latina teve a maior perda de espécies de animais nos últimos 40 anos

(http://ciclovivo.com.br/noticia/america-latina-teve-a-maior-perda-de-especies-animais-nos-ultimos-40-anos/)

• Rebanho Brasileiro…é muito gado

(http://www.beefpoint.com.br/cadeia-produtiva/conjuntura-de-mercado/rebanho-brasileiro-e-muito-gado-21956/)

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E se a América nunca tivesse sido invadida pelos europeus?

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  • Davi Augusto de Oliveira

    “Os nativos, diferente do povo europeu, tinham uma grande ligação espiritual com a natureza material, tanto com os animais quanto com a mata, para eles, a harmonia do universo dependia do equilíbrio da fauna como um todo. Por isso boa parte das tribos era nômades ou seminômades, não viviam sempre em um único local, exatamente para não prejudicar aquele ambiente, a crença de não sobrecarregar os lugares e utilizar deles só o necessário a subsistência da tribo.”

    Parece que o autor do artigo esqueceu, ou deixou passar, que os “nativos”, quando vieram para a América e outros lugares anteriormente isolados da ocupação humana, foram responsáveis pela extinção de muitas espécies, principalmente as de animais de grande porte, que eram caçadas veementemente. Mamutes, marsupiais gigantes e lêmures gigantes são alguns dos principais exemplos, e foram os primeiros casos de extinções em massa provocadas pelo homem.
    Não podemos esquecer que os nativos não eram muito melhores do que os europeus no quesito “preocupação com o meio ambiente” (se é que eram, já que provavelmente não fizeram pior apenas por não terem uma tecnologia mais avançada e uma cultura diferente). Os nativos só são santos nesse mito popular entre ambientalistas e esquerdistas, que os veem de uma forma extremamente angelical e romantizada.

    Outro erro importante, que o autor cometeu, foi dizer que o fato das tribos serem nômades ou seminômades foi ocasionado “exatamente para não prejudicar aquele ambiente, e a crença de não sobrecarregar os lugares e utilizar deles só o necessário a subsistência da tribo.”
    Na verdade, eles viviam de forma nômade (alguns, já que grande parte deles, principalmente grande parte dos indígenas brasileiros e os impérios americanos, não são), simplesmente porque era a forma de vida mais rentável para eles, e não porque realmente tivessem uma preocupação ambiental.
    Mas, isso era a exceção no território americano, já que a maior parte dos habitantes da América, como eu já disse, não eram nômades. Os Impérios Asteca e Inca, que continham milhões de habitantes, eram sedentários e praticavam a agricultura. A maioria dos indígenas caçadores-coletores (caçadores coletores não são necessariamente nômades) viviam em aldeias e tinham um território fixo. Podiam até se aventurar um pouco, mas não ao ponto de serem “nômades”.

  • As matérias desse site são tão cômicas que parecem zoeira.

    • Magerbio

      Argumentar o porque supostamente serem assim que é bom, nada…

      • Nem precisa, né chegado

        • Magerbio

          Precisa se você quiser causar uma impressão de ser apenas mais um troll sem argumentos…

          • Rapaz, qualquer conjectura iniciada na base do “E se” não leva a lugar algum. Poderíamos pintar um cenário em que a América seria um céu sem a vinda dos Europeus, ou um Inferno. Coisas completamente antagônicas, e mesmo assim, como é um exercício de puro achismo, ambas, mesmo tão diferentes, poderiam ser realidade. O tom cômico foi dado pelo viés estudantil/psolista/nutella do autor, mas nem o culpo por isso, pois escreve apenas para quem tem esse portal entre os seus favoritos ou para incautos como eu, que nem sabem como foram parar aqui. Abraços.

          • Magerbio

            Ninguém falou que conjecturas mostram alguma resolução definitiva, até porque ninguém tem bola de cristal para saber com certeza o que aconteceria. O autor porém especulou com embasamento, mostrou justificativas para cada ponto que escreveu. Seu comentário inicial é que foi bem rado, que bom que não teve preguiça e escreveu um pouco mais sobre porque pensar assim, pena que sucumbiu a uma estereotipação idiota do autor com base no portal em que o artigo está hospedado (psolista num espaço que mal toca em partidarismos???! Oi). Ainda bem que você não é comentador frequente assim nos poupamos de suas intervenções superficiais

          • Beleza campeão, mas o portal é bem ruim sim,nível DCE.

          • Magerbio

            Legal a sua opinião, ainda bem que não é unânime

  • Magerbio

    Davi, a maioria dos os nativos podiam até não ter preocupação ambiental como a que é idealizada, mas em algumas culturas havia um respeito grande sim pela manutenção do meio ambiente, basta ver o culto a Pachamama no Peru
    Mesmo que eles não tivessem preocupação alguma com o meio ambiente sua capacidade de causar impacto nele era muito menor do que vimos os europeus sobre ele anos depois

  • Davi Alexandre

    Se não fosse invadida pelos europeus muito provavelmente seria pelos muçulmanos, que também adoram conquistar umas terras (de forma bem mais violenta que os opressores europeus que a esquerda tanto demoniza, mas se cala perante àqueles) e implantar uma sharia “de boas”… e o que aconteceria depois? Seria uma teocracia islâmica, onde gays, ateus e qualquer um que zombasse da religião implantada, crentes de outras religiões e críticos do regime seriam simplesmente mortos; mulheres teriam piores tratamentos do que um animal, sendo tratadas como um objeto dos homens, a pedofilia seria legitimada pelo mesmo motivo anterior; teriam muito mais escravos negros aqui do que os europeus (muçulmanos escravizaram muito mais que os europeus), só para citar algumas consequências.
    E então, cenário dos sonhos para qualquer esquerdista, não é mesmo?