Não, Sr. Reaça! Você nunca derrubou governo nenhum…

O nosso histórico de golpes mostra que a queda de governantes foi mais causada por estes lesarem os interesses das classes dominantes. A classe média conservadora entra apenas como massa de manobra.

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Certamente você alguma vez presenciou a classe média reacionária batendo no peito por aí e gritando aos quatro cantos que fez história ao participar das passeatas que (segundo ela) provocaram a derrocada do governo Dilma Rousseff. No entanto, essa direita parece desconhecer que as classes dominantes sempre foram responsáveis por ditar as regras do jogo político no Brasil.

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Já em 1954, a imprensa conservadora lacerdista, grandes empresários, militares e grupos contrários ao trabalhismo e políticas nacionalistas do governo Getúlio Vargas, denunciaram seletivamente casos de corrupção para construir a imagem de um “mar de lama” sob o Palácio do Catete. Tal pretexto foi utilizado pela oposição para levantar a classe média contra o dito “pai dos pobres” (Getúlio Vargas), provocando uma crise política que culminou no suicídio do então presidente frente a essa pressão.

Getúlio Vargas deu cabo à própria vida por causa de pressões de grupos contrários ao trabalhismo.

Dez anos depois (1964), vários grupos sociais, incluindo o clero, o empresariado, banqueiros e setores políticos diversos, organizaram a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, levando às ruas mais de um milhão de pessoas com o intuito de derrubar o governo de João Goulart e barrar suas reformas de base. A classe média aderiu às manifestações e passou a abominar o presidente que logo sofreria um golpe militar apoiado pela mídia e pelos EUA.

Marcha da Família com Deus pela Liberdade foi o nome comum de uma série de manifestações organizadas por banqueiros e empresários contra o governo de Goulart.

Após o primeiro choque do petróleo, em 1974, o Brasil entrou numa fortíssima recessão econômica. Daí em diante, o regime militar começou a declinar (leia sobre o mito do milagre econômico da ditadura militar aqui), o que desencadeou na campanha das “Diretas Já“, uma década depois. O país estava literalmente implodindo economicamente e, devido ao intervencionismo na economia durante a ditadura, o empresariado aderiu ao movimento cooptando segmentos de uma classe média desiludida.

Diretas Já foram manifestações de classe média, segundo o próprio ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, uma das lideranças do movimento.

Em 1989, na primeira eleição presidencial direta da Nova República, o projeto (neo)liberal de Fernando Collor surgiu para atender aos anseios das elites econômicas. A mídia cumpriu seu papel no episódio e ajudou a eleger o “Caçador de Marajás”. Contudo, quando Collor entrou em confronto com uma parte expressiva do empresariado e lesou a classe trabalhadora e a classe média com o confisco das poupanças, a mídia mudou de postura em relação ao então presidente e passou a fazer uma cobertura investigativa dos casos de corrupção no governo, gerando uma mobilização popular de classe média: o movimento dos “Caras Pintadas”.

Os Caras Pintadas formavam um movimento estudantil de classe média, segundo o senador Lindbergh Farias, um dos principais líderes da campanha “Fora Collor”.

E nada poderia ser diferente na queda da Dilma, a qual, apesar dos inúmeros erros cometidos, teve um desgaste político devido, em grande parte, às medidas que confrontavam os interesses da burguesia rentista (interna e externa), quando baixou exacerbadamente a taxa básica de juros (Selic); do setor elétrico privado, ao interferir na tarifa da conta de luz; e, sobretudo, dos maiores “patrocinadores” do impeachment, a FIESP e todo o setor industrial, ao reverter parte das desonerações que os beneficiavam.

Esses conglomerados, em conluio com a mídia conservadora, mais uma vez usaram você, conservador, de direita, como massa de manobra para atingir interesses particulares. Ou seja, o brasileiro médio ingenuamente acha que pode realmente ter voz ativa e que pode mudar o nosso destino como nação. Mas nosso paradeiro, a roda-viva continua a nortear…

Não, Sr. Reaça! Você nunca derrubou governo nenhum…

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