Dez passos para entender didaticamente como os bancos nos empurraram abismo abaixo

4 38
[divider style="solid" top="0" bottom="10"]

Em apenas dez passos você poderá entender claramente como os grandes bancos globais, os verdadeiros detentores do poder no capitalismo, empurraram o planeta e 99% de sua população abismo abaixo. Eu achava que era coisa para economista com muitos anos de estudo, para experts. Mas, não – ainda bem! A leitura combinada de uma entrevista e um artigo veiculados no Outras Palavras esclarece tudo.

[ads2]

[tie_slideshow]
[tie_slide]

1. Comece pela entrevista do economista norte-americano Michael Hudson clicando aqui – não se apavore, é curta. Ele é especialista em sistema financeiro e consultor de governos como os da Grécia, Islândia e China. Ao lê-la, você entenderá o processo de submissão da economia mundial ao sistema financeiro explicado de maneira simples, direta. O dilema brasileiro atinge todo o capitalismo neste momento: “Quando se diz ‘pagar os bancos’, o que eles realmente querem dizer é pagar os detentores de títulos bancários. São basicamente o 1% mais rico. O que estamos vendo realmente neste relatório [do FMI, nota minha], neste crescimento de dívida, é que o 1% da população detêm aproximadamente 3/4 de todos os créditos. Significa que há uma escolha: ou você salva a economia, ou você salva o 1% de perder um único centavo”.
[/tie_slide]
[tie_slide]
2. Lendo a entrevista você compreenderá (se eu compreendi todos podem!): é ilusão pensarmos que a PEC 241, que liquida com gastos públicos no país, e a reforma da Previdência são “invenções” dos golpistas brasileiros; descobrimos com Hudson que as duas políticas (redução brutal dos gastos públicos e reforma de sistemas previdenciários) são globais, ditadas pelo processo de financeirização do capitalismo.
[/tie_slide]
[tie_slide]

Arte de Steve Cutts.

3. O que deixa claro: o golpe não foi um evento nacional, “bananeiro”, mas parte de um processo global conduzido pelo sistema financeiro e os rentistas de todo o mundo. Há desmonte de políticas públicas e reformas dos sistemas previdenciários acontecendo em todo o planeta para, como no Brasil, destinar os recursos públicos para os bancos e o pagamento dos juros das dívidas públicas a eles e aos rentistas.
[/tie_slide]
[tie_slide]
4. Há um agrupamento misto de pessoas que se consideram “moderninhas” com gente que tem muita clareza do que está em jogo que dizem e escrevem: na pós-modernidade a luta de classes teria acabado e os conceitos de esquerda e direita estariam superados. Não se deixe enganar. A luta de classes está em um momento dos mais cruentos da história da humanidade e todos os aparatos ideológicos como as redes de TV, o jornalismo conservador e a indústria do entretenimento estão mobilizados para desmobilizar os pobres, confundindo-os e vendendo ilusões e mentiras. Se você está no Brasil: pare imediatamente de assistir a TV Globo e a imprensa golpista. Eles só veiculam mentiras, pois fazem parte deste grupo de rentistas que quer liquidar os gastos sociais e a Previdência para que os recursos sejam direcionados todos para eles. Sim, é só disso que se trata: para quem irá o dinheiro.
[/tie_slide]
[tie_slide]

5. Leia a seguir este artigo de Ranulfo Paiva Sobrinho e Junior Ruiz Garcia, publicado originalmente no Portal EcoDebate e depois no Outras Palavras. Clique aqui. Entenda como a situação pré-falimentar do Deutsche Bank aponta a possibilidade de uma crise muito pior a de 2008.
[/tie_slide]
[tie_slide]
6. Aprenda com os autores, se você não sabe (eu não sabia), como se dá o processo de criação do dinheiro no sistema bancário. E como os bancos chamados de dealers primários (entre eles o Deutsche Bank) definem este processo de criação do dinheiro subordinando os governos nacionais e os bancos centrais. Descubra, espantado, que estes bancos, verdadeiros gigantes de pés-de barro, são dealers primários de uma série de governos nacionais e podem desencadear um efeito dominó capaz de levar o mundo a uma crise sem precedentes –ao que tudo indica tal crise, está a caminho. Não é algo de uma complexidade apenas para economistas! Você e eu podemos entender!
[/tie_slide]
[tie_slide]

7.Veja sem falta a figura construída por Ranulfo Paiva Sobrinho e você saberá como há um teia de aparência forte mas de fato frágil que interliga os grandes bancos e os governos dos países capitalistas. Clique aqui. Melhor ainda, clique no link a seguir e veja a imagem interativa. Na medida em que você passar o cursor sobre cada banco, verá o tamanho das conexões e ameaças que eles representam para o planeta: Deutsch Bank e a próxima crise mundial.
[/tie_slide]
[tie_slide]

Arte de Pawla Kuczynskiego.

8. Por fim, saiba o tamanho da encrenca em que o Brasil está metido. Cinco dos dez dealers primários do Banco Central brasileiro são bancos estrangeiros!
[/tie_slide]
[tie_slide]
9. Estes bancos, junto com os brasileiros, especialmente Itaú, Bradesco e BTG Pactual (também dealers primários) empurram a lógica dos juros goela abaixo do país, com apoio dos rentistas e dos meios de comunicação. Eles muito provavelmente serão tragados num processo de crise global se de fato o Deutsche Bank quebrar. Os cinco bancos estrangeiros que criam dinheiro no Brasil são: Santander, Bank of America/Merryl Linch, Credit Suisse/CSB, JP Morgan e Goldman Sachs. Veja a lista na imagem abaixo (se quiser, veja a lista na própria página do Tesouro Nacional clicando aqui.

Dealers primários – lista oficial Tesouro Nacional

[/tie_slide]
[tie_slide]
10. Agora, faça o seguinte: pegue cada um destes bancos estrangeiros e volte às figuras de Ranulfo logo acima no item 7: você verá as conexões de cada um destes cinco bancos no dominó financeiro global (se você for à imagem interativa será simples e surpreendente).

Só a mobilização dos pobres e a união das forças progressistas em cada país e globalmente pode frear esta ameaça que pesa sobre o Brasil e toda a humanidade.

[/tie_slide]
[/tie_slideshow]

Originalmente publicado em Outras Palavras.

[por Mauro Lopes]

[easy-social-share buttons=”print,love” counters=1 counter_pos=”right” total_counter_pos=”hidden” style=”icon_hover” template=”15″ point_type=”simple” print_text=”Imprimir” love_text=”Curtir”]

Dez passos para entender didaticamente como os bancos nos empurraram abismo abaixo

Avalie esta publicação

Digite sua avaliação de 0 a 100 ou clique/toque no círculo mantendo pressionado e solte na pontuação desejada.
Você poderá avaliar apenas uma vez.

User Rating 97.39 (31 votes)

Você também pode gostar Mais do autor

  • Beatriz

    Artigo excelente, como sempre! Só um adendo, essa parte da entrevista resume perfeitamente o que está acontecendo não somente com o Brasil como também com o resto do mundo:

    “Para salvar os bancos de perdas que ameaçam varrer seu patrimônio líquido, teríamos de nos livrar da Seguridade Social. Isso significa basicamente abolir o governo para entregar o funcionamento do sistema aos bancos, com a ideia de que o papel dos governos é extrair renda da economia para pagar os acionistas e os bancos. […] Quando se diz “pagar os bancos”, o que eles realmente querem dizer é pagar os dententores de títulos bancários. São basicamente o 1% mais rico. O que estamos vendo realmente neste relatório, neste crescimento de dívida, é que o 1% da população detêm aproximadamente 3/4 de todos os créditos. Significa que há uma escolha: ou você salva a economia, ou você salva o 1% de perder um único centavo.

    Todos os governos, de Barack Obama até Angela Merkel, da zona do euro ao FMI, comprometem-se a salvar os bancos, não a economia. Nenhum preço é muito alto para tentar fazer o sistema financeiro ir um pouco mais longe. Ao final das contas, ele não poderá ser salvo, por causa da equação em que está envolvido. As dívidas crescem sem parar. E quanto mais crescem, mais encolhem a economia. Quando você encolhe a economia, reduz a capacidade de pagar as dívidas. É uma ilusão pensar que o sistema pode ser salvo. A questão é: por quanto tempo mais as pessoas estarão dispostas a viver nesta ilusão?”

  • Booker

    O sistema bancário atual só existe devido ao estado. E como solução, vocês defendem mais Estado. Parabéns pela lógico… sqn

    • Rodrigo

      O mercado monetário só existe devido ao Estado. E como solução, vocês defendem mais mercado monetário. Parabéns pela lógica… sqn

      • Booker

        Cara, mercado monetário = estado.