Memórias Póstumas do Brasil: para ler Machado de Assis

Para ler mais e melhor Machado de Assis e as Memórias póstumas de Brás Cubas. No país escravocrata dos Brás Cubas, o liberalismo mostra a sua essência mais plena: toda lei, toda resistência do real, é virtualmente abolida.

0 2.009

Para ler mais e melhor Machado de Assis e as Memórias póstumas de Brás Cubas

1. Machado decifrador da esfinge brasileira

Ainda hoje há quem ache Machado de Assis um autor “morno”, “chato” e desnecessariamente “difícil”, apenas um pouco mais "divertido" que outros da linha romântica, como Joaquim M. de Macedo e José de Alencar.



Para começar realmente a compreender e a ter prazer na leitura de Machado – como tentaremos mostrar, um dos maiores romancistas e pensadores críticos não só do Brasil, mas da periferia capitalista mundial – o primeiro passo é afastar esse tipo de preconceito. Numa época em que as Ciências Sociais apenas engatinhavam, escritores como Machado de Assis foram os grandes decifradores da formação brasileira e da sociedade burguesa em construção, ou melhor, como veremos: uma formação em construção e decomposição simultâneas.

Ora, eis aí a chave essencial das Memórias póstumas de Brás Cubas (romance publicado entre 1879 e 1881): Brás é o Brasil, um Brasil vivo e morto a um só tempo, tal como seu “defunto autor”.

2. O capitalismo periférico brasileiro se fazendo literatura

O mais comum até hoje é ler as Memórias póstumas de maneira metafísica, como propõe o seu título, fora do seu contexto histórico. Não é a melhor maneira. Muita coisa se perde em termos de análise formal e estrutural. Não se trata de metafísica brincalhona, nem da nossa "condição humana", nem de esbanjamento de uma "cultura universal" – como se o escritor afrodescendente quisesse mostrar seu verdadeiro status cultural para a elite da época.

Ao contrário, o romance fala sobre as maneiras de ser da elite escravista brasileira. E isso inclui o desfile exibicionista de referências culturais as mais disparatadas. A intenção é a de uma crítica ácida, a fundo perdido, pois muito cifrada de maneira alegórica.

A obra é o primeiro passo acertado de Machado de Assis para escrever um ciclo de romances sobre a História do Brasil. Um país particular no conjunto do sistema mundial. Vale relembrar, uma nação pós-colonial, com todas as mazelas que nós conhecemos: o país do latifúndio monocultor e agrário-exportador, do escravismo, do poder patriarcal rural e urbano, o país do favor, dos privilégios e das relações de dependência, e que funde a isso tudo o registro do mercado mundial, tendo de ser ao mesmo tempo país liberal, moderno, civilizado.

O contexto acima indicado importa e é crucial para uma boa leitura do romance. Pois ele toma esse contexto como a substância de sua forma e estrutura literária – como já apontaram críticos de peso como Roberto Schwarz, John Gledson e José Antonio Pasta (vide Referências bibliográficas).

3. A “alma” de um enredo morto

Segundo o projeto de Machado, o sentido é narrar essa história malograda de uma nação escravista, de um país feito em pedaços, fragmentado em regiões e suas oligarquias. Trata-se de uma nação que ainda não nasceu, ou que nasceu morta nas mãos de uma elite descompromissada e de costas para a verdadeira nação, feita de escravos e dependentes, aqueles que vivem na miséria e sob a e lógica do arbítrio do favor. Ao contrário do romantismo e do realismo europeus, os subordinados raramente são representados nos contos e romances machadianos, pois não possuem vida nem dinamismo social para servir de exemplo de uma sociedade liberal. Londres e Paris se reduzem parodicamente, assim, aos endinheirados de Botafogo e do Cassino Fluminense.

O que faz o escritor nesse contexto? Põe o foco nessa elite "liberal" de Botafogo, dá a pena para ela mesma se relatar e se autodenunciar com todo o cinismo do mundo, mas trazendo aquele segundo plano feito de misérias e personagens subalternas para a vida de relações corrompidas em que tal elite pensa brilhar. Daí o ciclo de agitação e melancolia, tensão e esterilidade da vida de Brás e do livro, feito inteiramente de ninharias, descontinuidades, interrupções, gracejos, pseudofilosofia - mas também muita brutalidade e sofrimento -, tudo costurado em vários capítulos curtos que não engrenam e não levam a nada. O que explica o saldo negativo do livro (expresso no final: “Das negativas”, Cap. CLX).

4. Ponto de vista de um Brasil morto mas vivo

Machado concentra sua crítica nessa elite de dupla face – patriarcal-esclarecida ou liberal-autoritária –, que apenas começou a morrer a partir da Lei do Ventre Livre (1871) e da modernização urbano-industrial, não obstante continue sua fala delirante ainda hoje - "sempre a mesma cousa... sempre a mesma cousa... sempre a mesma cousa..." (Cap. VIII), no país da iniquidade, do trabalho precário e da subcidadania. Por isso, como fica sugerido, Brás Cubas morrerá em agosto de 1869 (como se diz no cap. I), no limiar da lei de 1871, mas continua a falar no presente, como que da eternidade, deitado no berço esplêndido da nação fantasma – vale lembrar, ainda escravista em 1881 (data da publicação do romance).

Escravos secando café na Fazenda Queiroz, Jacarepaguá, RJ, em 1875.

O “defunto autor” é só um dos paradoxos desse país estruturalmente dividido e repleto de condições negativas: liberal e escravista, moderno e atrasado, civilizado e bárbaro, cosmopolita e provinciano, ilustrado e metafísico-obscurantista, – enfim, um país que tinha em seu DNA contradições imensas, que não poderiam ser eliminadas por uma narrativa realista no estilo europeu. Estritamente falando, assim, Machado não é um realista, nem faz realismo puro. Antes um realismo fantástico, pleno de ironia, humor ácido, falso universalismo e metafísica de almanaque. Por isso também Machado não repete os erros românticos – não enfeita, nem adocica como fazem Alencar ou Macedo. Machado destrói as ilusões românticas e nacionalistas.

5. Algumas outras chaves de leitura: unificando forma, conteúdo e sentido da obra

A chave principal da obra, como dito acima, é esta: Brás é o Brasil – mas em decomposição. O romance será então repleto de ambiguidades, ambivalências, confusões, disparidades, contrastes, despropósitos, que refletem essa condição brasileira dividida e negativa. O ser do Brás/Brasil é um ser-outro (alienado) ou um não-ser (morto). Vejamos o que se pode depreender disso, quem é Brás Cubas, voltando ao desenvolvimento do romance. Não precisamos esgotar aqui uma interpretação da obra que o leitor certamente saberá fazer. Explicaremos apenas três elementos-chave apresentados por seu “defunto-autor”: ideias móbeis, ideia fixa e a síntese no Nada.

A) Ideias móbeis e o fundo falso

Brás Cubas é polarizado entre uma série de ideias móbeis e uma ideia fixa (Cap. IV). As ideias móbeis são tudo o que na mente de seu autor faz “cabriolas”: não param no lugar, hesitam, mudam de sinal, retrocedem, circulam, oscilam pelo trapézio cerebral, ameaçam, avançam, decaem - e nos enganam e dão rasteiras, tanto nas personagens como no próprio leitor do livro. Resta a pose do autor ostentando um ar de superioridade sobre nós. O que vale é obter, como Brás diz sobre Quincas Borba, uma “supremacia, qualquer que fosse” (Cap. XIII). Isso é o essencial. A grande invenção criativa e reveladora de Machado é esta: é exatamente assim que age a classe dominante no Brasil. Estas ideias volúveis caracterizam-na pela falta de identidade e de caráter, a inconstância de desejos, a instrumentalização do outro e a certeza da impunidade, a falta de perspectiva e de projetos sólidos, o total descompromisso perante si e o Outro em geral. Claramente prevalece para além da vontade de falar bem e empulhar, a vontade de supremacia e de gozo imediatista seja qual for o seu preço. O que Sérgio Buarque iria mais tarde denominar “homem cordial” já está em Machado com muito mais precisão e sem a apologia da norma europeia. Ao contrário, as semelhanças sociopsíquicas da personagem não só com as classes dominantes brasileiras mas também internacionais não são mero acaso. É o que explica o comportamento trapaceiro, narcisista, perverso e violento de Brás contra todo Outro (Prudêncio, Eugênia, D. Plácida, seus familiares, o sistema sócio-simbólico como um todo). Aquilo que José A. Pasta denomina “luta de morte” há muito se generalizou como comportamento médio dos ferozes competidores do mercado global.

Cena do filme “O Lobo de Wall Street”

O leitor certamente vai lembrar: temos no romance uma mobilidade infinita de pensamentos e ações sem propósito, com teorizações filosóficas ridículas e rebaixadas, uma mobilidade aliás que atinge o próprio espaço, tornando-se quase picaresca (viagens, perambulações etc.) – mas nada parece realmente se movimentar e mudar nessa vida medíocre. Em certo sentido, trata-se do oposto da elite protestante europeia, embora esta, nas Colônias, revelasse o seu avesso burguês inconsciente, a sua verdadeira face. Por isso, o Brás Cubas de Machado é tão ou mais moderno que as damas caprichosas de Balzac ou os cavalheiros orgulhosos de Jane Austen.

6. O Esclarecimento justificando a Barbárie

Além disso, Brás serve-se do discurso iluminista para justificar práticas patriarcais e escravistas, completamente opostas ao decoro e à ideologia liberal e igualitária da civilização moderna. A classe dominante usa o saber a seu bel-prazer, arbitrariamente, para além de toda seriedade crítica ou interpretação objetiva da realidade (qualquer semelhança com os atuais formadores da opinião na mídia conservadora e “autores” farsantes de “guias politicamente incorretos” não é mera coincidência).

É que aqui, segundo o raciocínio fundamental de Machado, as ideias esclarecidas não valem nada, são mero pretexto. O que vale é a opinião, aquela imposta pelos mais fortes ou o simples boato difuso (daí o lema estapafúrdio do “Humanitismo”: “Ao vencedor, as batatas”). No mundo machadiano, a verdade e a objetividade das relações foram enterradas por toneladas de fetichismo, ideologia e... opinião. Cotrim, o cunhado de Brás, aparenta ser um bom empresário liberal, que trabalha com “ardor e perseverança” (Cap. XXV), e tem um “caráter honrado”, é um bom pai e marido, exercendo até mesmo a filantropia. Mas “o verdadeiro Cotrim” (Cap. CXXIII) não é este. A opinião de Brás irá prevalecer, e ele assim o apresenta:

“Como era muito seco de maneiras tinha inimigos, que chegavam a acusá-lo de bárbaro. O único fato alegado neste particular era o de mandar com frequência escravos ao calabouço, donde eles desciam a escorrer sangue; mas, além de que ele só mandava os perversos e os fujões, ocorre que, tendo longamente contrabandeado em escravos, habituara-se de certo modo ao trato um pouco mais duro que esse gênero de negócio requeria, e não se pode honestamente atribuir à índole original de um homem o que é puro efeito de relações sociais” (Cap. CXXIII).

Como assinala Roberto Schwarz, o argumento sociológico inverte-se em um juízo canalha, antissocial, que legitima cinicamente a barbárie de uma classe de proprietários. “Só os perversos e os fujões” eram mandados para a tortura no calabouço – o que pretende nos fazer esquecer toda a instituição espúria da escravidão e do contrabando, que naquela altura (desde 1826 e da Lei de 1831, que instituiu a proibição do tráfico), aliás, condenava o Brasil a ser um país de piratas do Atlântico. Eis o que significa na prática o “Laissez faire, laissez passer.”

Na verdade, todas as personagens são volúveis quase da mesma forma que Brás ou Cotrim. Todos são muito “bons” e "respeitáveis" em termos de aparência e retórica, mas na prática são seres banais, miseráveis e nada exemplares (com a digna exceção de Eugênia). Mesmo os subordinados como Dona Plácida e Prudêncio (Caps. LXX e LXVIII) se transformam no seu oposto, conciliando-se com o sistema de dominação vigente a fim de poder sobreviver nesse mundo ameaçador e supressivo da liberdade, feito de coação paternalista, delinquência moral, favor e dependência. O próprio escravo de Brás, no final do romance, tem o “orgulho de sua servilidade” (o fato de ser escravo de um senhor muito rico, Cap. CLVI). Pouco importa que isso seja de fato assim entre os de baixo – historicamente pode comprovar-se até o contrário: a resistência e o falso consentimento dos dependentes. Machado apenas retrata a visão ideológica de Brás. Daí a impressão de arbítrio e violência gratuita que este romance nos deixa nem bem ainda terminado.

B) Ideia fixa e a superfície falsa

Mas esse sistema volúvel de inversões e conversões do mesmo no outro, ou do outro no mesmo, paralisa quando encontra uma ideia fixa. A ideia fixa principal do livro – “o emplasto Brás Cubas” (Cap. II e IV) – nada mais é que a tentativa de pôr um fim a essa movência vertiginosa de caráter e falta de propósito na vida. Mas o seu projeto é nada mais nada menos do que um "medicamento sublime", ou seja, um remédio milagroso para "aliviar a nossa melancólica humanidade" (Cap. II). Ou seja, um projeto impossível - francamente endoidecido - , nenhum pouco baseado na ciência e no trabalho prático. Essa ideia era nada mais então que uma  "paixão do arruído" – isto é, a tentativa de obter fama e glória, de figurar na opinião pública através de um cartaz pregado nas ruas e no rótulo de um pseudo remédio. Um desejo de se converter ele mesmo em mercadoria – ou, pior, em pura superfície de cartaz publicitário.

Como diz, ainda no Cap. II, ele buscava, de um lado, "filantropia e lucro" (interesse burguês); "de outro lado, sede de nomeada. Digamos: amor da glória" (interesse tipicamente pré-moderno, baseado na paixão por títulos honoríficos e hierárquicos).

C) A síntese no Nada: a supressão de Si e do Outro

Finalmente, como Brás parece não ter nenhum "ser" fixo, nenhuma identidade, então, ele pode se misturar e se confundir com a esfera do Outro em geral, a esfera da realidade simbólica e interpessoal como um todo. Mas esta é simplesmente eliminada e convertida em um GRANDE NADA. Para começar, ele agride o próprio leitor, invade o seu espaço e o ameaça com piparotes e frases que simplesmente o desprezam e o anulam (o leitor é o único "senão" do livro, Cap. LXXI). Eis aí, como deixamos entrever, o capricho autoritário de nossa elite (os senhores liberais da casa-grande ou dos sobrados) transformando-se em uma forma de escrita agressiva e violenta.

As consequências desse nosso vale-tudo liberal são várias. Vamos traçar algumas, expondo o seu caráter dialético-negativo. A falta de lei no país – pois a lei e o poder de polícia estão na mão das oligarquias e dos coronéis de cada rincão – aproxima Brás da perversão e da loucura. É um caráter extraordinário, irrealista, que reflete o nosso estado de exceção permanente, mais que real, opressivo e objetivamente ameaçador, representando a coerção de uma espécie de paranoia coletiva. Daí a filosofia loucamente realizada do Humanitismo durante o decorrer dos capítulos. Isso permite inclusive um morto escrever um livro, justificar os vícios de sua classe, narrar seu delírio como uma descida ao inferno pastichando Dante, e dedicá-lo primeiramente ao verme que roeu gozosamente sua carne. Uma passagem do Mesmo (ou do Eu) no Outro, transgredindo todo limite (moral, social, legal, narrativo).

No país escravista dos Brás Cubas, o liberalismo mostra a sua essência mais plena: toda lei, toda barreira ou resistência do real, é virtualmente abolida. Por isso a dialética machadiana é implacável. Brás é por um lado um homem culto, por outro, pura casca e ornamento, rebaixando a filosofia à ignorância, à piada e a teoremas sem pé nem cabeça (filosofia narcisista da ponta do nariz, aforismas estúpidos etc.). Brás é tão sutilmente inteligente quanto delirante, como seu amigo Quincas Borba. É tão refinado (citando Dante, Molière ou Shakespeare) quanto brutal (batendo em Prudêncio, legitimando o seu cunhado Cotrim etc.).

Assim, ainda, Brás é tão ativo e dominador quanto um ser passivo, deixando Marcela ou Virgília tomarem conta de si (aliás, Virgília faz o papel “ativo” no casal, - ela é Vir, viril). Parasita oco por dentro, para ele o que importa são as amáveis “Formalidades” da vida (Cap. CXXVII). Na Câmara dos Deputados, o seu único projeto político é querer reduzir o tamanho da “barretina” da Guarda Nacional (Cap. CXXXVII), que obviamente nada tem de político. No fim da vida, a sua melhor ação não passa de falsa filantropia (em que pisa mais uma vez em Eugênia), em que prevalece mais uma vez o amor da glória, a supremacia qualquer, sem nenhum verdadeiro compromisso para com o outro e o país. Algo que lembra diretamente, ao fim, a Lei do Ventre Livre: cheia de “boas intenções” liberais, mas na prática mantendo os filhos de escravos nas fazendas como mão-de-obra não-paga até os 21 anos. A Lei torna-se igual ao caráter de Brás: letra morta, o puro nada.

7. Breve conclusão: vamos ler mais Machado de Assis?

A Lei do Ventre Livre prometia aparentemente um país novo, com liberdade de trabalho, empreendimento e mobilidade social. Mas é isso que Machado irá negar nos romances seguintes: em Quincas Borba, Dom Casmurro e Esaú e Jacó - quando retrata, novamente através de narradores enganosos, o malogro da liberdade e da ascensão social bem como os embustes e autoritarismos congênitos à classe dominante brasileira e seu círculo de dependentes. Machado apresenta assim o saldo negativo da cultura e da socialização burguesas através do mercado e do patriarcalismo renitente. Em Memorial de Aires, último livro do autor, a elite dá finalmente as costas para o país e retorna para Portugal, deixando os negros “livres” – abandonados à própria sorte, após a Abolição. O que deu - como sabemos bem - em cortiço, favela, salário baixo, viração, racismo, exclusão e, cada vez mais hoje, chacinas e encarceramento em massa.

Morro de Santo Antônio, 3/3/1914. De Augusto Malta.

O romance não comporta uma visão moralista desses problemas, mas trabalha as relações sociais que dão origem a eles, e que persistem no tempo. Quando o Eu não se distingue do Outro senão precariamente, temos instaurado um regime de confusão, perversão, violência e loucura, em que tudo é invadido pela esfera do Outro, que também sai anulado. No fundo, um regime de exceção estrutural às leis e normas, o fruto estéril de um país em que o indivíduo burguês se realizou em seu contrário, revelando sua essência maligna, que hoje desabrocha no mundo “neoliberal” enquanto sistema. Por isso, há algo de profético nas letras de Machado. A pior mazela dessa indistinção entre o Mesmo e o Outro é então esta: o Brasil moderno, que prometia a riqueza social trazida pelo café, dificilmente se separa e se distingue do atraso. Ou melhor, só é possível com base nos elementos mais arcaicos e atrasados, em que a História falha e desaparece. Eis o Brasil Morto que ainda hoje segue vivendo e nos alienando.

Referências

GLEDSON, John. Machado de Assis: ficção e história. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986.

MACHADO DE ASSIS, J. M. "Memórias póstumas de Brás Cubas" [1881]. in: Obra Completa, vol. I. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1959.

PASTA, José Antonio. “Volubilidade e ideia fixa. (O outro no romance brasileiro)”. Revista Sinal de Menos, Ano 2, nº 4, 2010. (Acesso em: www.sinaldemenos.org)

SCHWARZ, Roberto. Um mestre na periferia do capitalismo – Machado de Assis. São Paulo: Duas Cidades, 1990.

• ____________________. Duas meninas. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.

Print Friendly, PDF & Email

Mais publicações que podem te interessar Mais do autor