Quando a economia vira uma religião e economistas, seus apóstolos

Eichmann na Economia — a covardia atrás dum apelo à técnica: O discurso dos economistas mainstream, apesar de se vender como racional, é uma forte ideologia que legitima e defende uma concepção aristocrática do mundo.


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Muitas pessoas hoje concordariam que não existe algo como culpa coletiva ou inocência coletiva, e que se algo assim existisse, nenhum indivíduo poderia jamais ser culpado ou inocente. Isso evidentemente não significa negar que existe algo como responsabilidade política, que porém existe completamente à parte daquilo que o membro individual do grupo fez e que portanto não pode nem ser julgada em termos morais nem ser levada perante uma corte criminal.

Hannah Arendt, prefácio de “Eichmann em Jerusalém — um relato sobre a banalidade do mal”.

Henrique Meireles, Mansueto e Samuel Pessoa — cinismo blasé.

Em 03 de agosto de 2017, o economista-chefe da Gradual Investimentos André Perfeito publicou em sua conta pessoal no Facebook um desabafo cáustico e provocativo sobre dilemas de seu ofício no mercado financeiro. Relembrou um episódio polêmico no qual compartilhou sua reflexão desconfortante sobre a comemoração no mercado quando houve bombardeios na Síria que desencadearam alta do petróleo e ganhos no mercado. Na ocasião, repassou comentários a clientes e depois, no jornal, viu a foto estampada de um pai segurando dois filhos mortos.

A partir daí levanta provocações sobre o cinismo e amoralidade na natureza do mercado financeiro e sua atividade pairando acima dos suplícios humanos, em nome da operacionalização do business, assim como o comportamento de analistas de mercado comemorando a blindagem de Michel Temer, pego em flagrante em crimes contra o ofício de servidor público e em esquemas pesados de corrupção, tráfico de influência e ocultação de crimes. Tudo em nome de medidas chamadas retoricamente de “reformas” com impactos fortes na segurança social das pessoas. Comemoravam independentemente de saberem o custo desta blindagem que impediu o Supremo Tribunal Federal de investigá-lo (ou seja, não era nem para julgá-lo).

A postagem questiona a amoralidade descarada dos profissionais, a hipocrisia do discurso anticorrupção que ostentavam até então, o descaramento em desconsiderar os resultados econômicos e fiscais do governo até então; a falta de consideração com “o caos na segurança, a falta de pagamento de salários de servidores, o fechamento de faculdades e o sucateamento da ciência e tecnologia”. Retomando ainda o fato dos colegas ignorarem os efeitos de medidas tomadas por um presidente sem respaldo democrático, fecha sua indignação contra este cinismo dizendo: “Deixo isso aqui aos analistas cínicos e covardes do mercado de capitais brasileiro”.

André Perfeito recebeu muitos comentários de apoio. Mas alguns profissionais não reagiram bem. Tiraram o corpo fora com a resposta-pronta: meramente são profissionais encarregados de fazer as engrenagens rodarem, com a tarefa inexorável de maximizar o retorno para os clientes. Mais ainda, isto seria a atitude racional esperada.

Isto provoca reflexões imprescindíveis, potentes e urgentes, e nos remete às observações feitas pela filósofa Hannah Arendt sobre o caso de Adolf Otto Eichmann, o tenente coronel e burocrata do regime nazista sequestrado pela organização “secreta” oficial de terrorismo israelense, Mossad, para ser julgado em Israel. Hannah Arendt fora cobrir e escrever sobre o julgamento para um jornal estadunidense, e o que ela averiguou a confrontara. Ela se defronta com alguém que se “impessoalizava” em seus trabalhos, procedendo quase mecanicamente às “causas eficientes”, contudo, consciente da “causa final” e consequência dela, o extermínio de pessoas. Seu senso de integridade era cumprir seu ofício com eficiência, agilizando todas as papeladas e trâmites, para manter o funcionamento das instituições de seu país.

Neste cenário desumanizado, Hannah Arendt viu que o mal não está manifesto apenas em espetacularizações nem no poder nu ideologicamente justificado, mas também nas engrenagens em cotidianos e tediosos funcionamento, quando alguém suspende sua consciência quanto à sua responsabilidade pelo que está ajudando a operar. É capilar e presente na aparente inexpressividade. Houve angustiados clamores contra tal caracterização de Eichmann por parte da filósofa, reivindicando que se afigurava tremendamente desproporcional ao que seu julgamento representava ante a dor horrenda para com as vítimas.

Este episódio envolvendo a postagem do economista André Perfeito suscita reflexões críticas sobre a própria ciência econômica e a postura predominante, sobre racionalidade e ética diante da vida social. Sobre a natureza do conhecimento nos tempos caóticos em que vivemos.

O “Mercado” tem razões que a própria razão desconhece

Na segunda quinzena de março de 2016, o dólar caiu e a bolsa caiu [1]. Houve um estranhamento, porque as pessoas estavam acostumadas a associar automaticamente bolsa subindo com dólar caindo. Mas pode ocorrer o inverso. Bolsa subir, mas a entrada de dólares ser menor do que outros fatores para desvalorizarem a moeda. Bolsas podem oscilar em intervalos de minutos com especulações políticas nos noticiários, por exemplo. Muitos estão acostumados a pensar, mais ainda, que resultados momentâneos do mercado de ações significam um prospecto confiável sobre a economia do país e reflete com segurança o que será melhor ou pior no médio prazo, ou mesmo no longo. Por isso se considerava que meramente era um reflexo da expectativa política por parte de empresas financeiras.

Vamos refletir brevemente sobre por que a realidade é mais complexa e quais problemas estão envolvidos mais a fundo nessa questão.

Não dá para culpar as pessoas, pelo menos a maioria, por pensarem assim como exposto. Embutido nisto estão discussões sobre pressupostos na economia que não têm visibilidade. A questão é que os comentários que vemos geralmente na imprensa são enviesados por umas linhas no campo da economia que, como será mostrado, baseiam-se em princípios fundamentais que são irrealistas e indemonstráveis empiricamente, e prevalecem por dois motivos.

1. Possibilitam traçar cenários previsíveis e mais manejáveis. De fato, para alguns trabalhos como mercados futuros, é possível conseguir ferramentas que acertam frequentemente investimentos. A partir daí – pode-se perguntar a estudantes de economia ou recém-formados -, por mais que se problematize no curso, quando se forma, o mercado de trabalho é mais favorável a quem se proponha a trabalhar com economia neoclássica.

2. Este viés capta mais recursos, é mais fartamente financiado por agentes privados, corporativos ou não, com maior condição de financiar departamentos ou projetos de pesquisa; e de volta, contam com maior estrutura de lobby e de evidência na imprensa.

A especulação com a moeda em si não seria ruim, segundo essa linha de pensamento, porque especuladores que prezem menos pela eficiência e lógica tendem a levar prejuízo e/ou se ajustar ou perecer. Os especuladores mais eficientes e lógicos lucrariam e prevaleceriam. Desta forma, o mercado seria ditado por esses e ponderaria a solução mais ótima e que refletiria as mais adequadas condições para a economia, estabilizando os meios de pagamento. Uma corrente de teóricos na economia advoga isso.

Parece óbvio? Ah, mas é longe de ser óbvio. Um dos construtos que conduzem essa linha de pensamento é um destes que foi apresentado como irrealista e indemonstrável. É o pressuposto chamado “racionalidade substantiva” dos agentes. O que isso ensina?

Que há uma “racionalidade substantiva” nos agentes econômicos, compradores, vendedores, eu, você, os outros, na hora de atuar num mercado. Que nossas ações são balizadas por pesar com eficiência o passado, o presente e o futuro, considerando o que o governo, empresas, bancos, etc. estão sinalizando e tomando a melhor decisão a partir disso. E que suas decisões convergem no que se refere aos investimentos, aos ganhos e remunerações. E adaptariam seu comportamento a partir do desempenho dos processos em vigor na economia de acordo com o presente e passado deles.

Como isto poderia explicar epidemias de obesidade mórbida devida a maus hábitos alimentares, outros comportamentos prejudiciais impulsionados pelo poder da propaganda, é um mistério. Contudo, se preconiza que, dada essa ação racional dos agentes, o saldo das interações deles no mercado sempre será mais ótimo e eficiente. Por isso, não se contesta a configuração do momento no mercado, é como se fosse o melhor e mais objetivo reflexo da realidade.

Mas o dado é que sobre o postulado do parágrafo anterior sobre especulação e mercado financeiro, pairam anomalias relacionadas a: assimetria de informação, mais racionalidade limitada e heterogeneidade de racionalidades (múltiplos “eus” disputando a orientação do comportamento de cada um de nós, como o “nobel” Thomas Schelling ensinou [2]). São características da realidade humana que demonstram que os mercados são também falhos.

Voltando à questão do mercado financeiro. O mercado da China apresentou estes tempos um fenômeno agravante de instabilidade, por ser composto em grande peso por pessoas físicas comuns investindo [3]. Eram muito mais vulneráveis a rumores, propagandas, pânicos, emoções, do que pessoas jurídicas grandes, com muito mais acesso à informação e um ganho de aprendizagem de muitas experiências que elas combinam.

Um mercado com estas últimas é menos instável, mas elas podem aproveitar também para promoverem situações que façam pessoas físicas correrem pra vender ações, o que provoca o comportamento de manada. Como consequência, as ações ficariam mais baratas e depois se constataria que a situação e perspectivas das empresas era melhor do que isso, e as entidades maiores que compraram as ações lucrariam. Claro, isso desestabiliza empresas… As pessoas dependem mais do curto prazo, estão mais vulneráveis ao investirem suas economias, conseguem menos crédito para cobrir problemas.

Veja que o problema de racionalidade foi mais contrabalanceado por uma capacidade derivada de uma estrutura corporativa em relação a um indivíduo. Mesmo assim, esses entes corporativos incorrem em graves erros semelhantes, como nas bolhas “ponto-com” ou na crise de 2008 [4]. Muitas racionalidades concorrem dentro de uma organização, e mesmo dentro de cada um de nós.

Foi com isso que o especulador liberal George Soros contou quando apostou contra a Libra esterlina nos anos 1990 e provocou uma grande instabilidade na Inglaterra, jogando com emissões de sinais para induzir e “tapear” comentaristas da imprensa, investidores concorrentes e confundir o governo. Já dizia David Hume, em “O Tratado da Natureza Humana”: “não vai contra a razão preferir a destruição do mundo inteiro a coçar o meu dedo”.

Pensem em alguns dados especuladores que no primeiro momento aparentem se portar com menos rigor lógico e eficiência. Se conseguiram obter informações que nem todos obtiveram, podem agir no meio de um momento confuso em que ações fiquem em alta, adquirindo e, de repente, no balanço das empresas, constata-se que a situação delas não justificou o marketing (como as bolhas nos fins dos anos 1990 nos Estados Unidos, e mesmo fraudes nos balanços contábeis de grandes empresas nesta época e recentemente no Japão); mas estes especuladores venderam antes e ganharam muito dinheiro. Prevaleceram sobre os outros especuladores que pareciam ser mais “racionais”. “A Coruja de Minerva alça voo ao crepúsculo”,  disse o filósofo alemão Hegel, e mais tarde Nietzsche provocava também, ao dizer: “só depois que deixarmos as cidades é que veremos a que altura estão as torres acima das casas”. Só se perceberá quem era quem no retrospecto, e não no momento. Assim, muitas vezes a aparência do momento não reflete a verdade.

Agentes no mercado se induzem e são sugestionáveis por vários fatores, inclusive autossugestão, profecias autorrealizáveis, limites para o autocontrole, etc. Ocorrendo em determinado momento maior número ou menor número de agentes mais ou menos sugestionáveis e influenciáveis, que podem comprar ou vender algo por um preço mais alto ou mais baixo do que um futuro próximo vai informar que valia — o que na economia se chama “seleção adversa”.

Se a proporção for maior, o que pode ocorrer por momentos tumultuosos ou favoráveis a comportamentos de manada, forte transmissão de carga emotiva, etc., maior a chance de especuladores espertalhões prevalecerem. E o mercado estaria longe de conduzir a um equilíbrio, a um corretor de distorções; longe, longe de estar refletindo o saldo real do que deveria ser de acordo, ainda mais que as preferências pelo imediato tendam a superar ganhos maiores no futuro. Ocorre algo que é chamado de loop de feedback positivo, quando fenômenos que afastam um sistema do equilíbrio são amplificados — comuns em mercados como os imobiliários, mercados cambiais, com as ferramentas de gestão de risco do mercado financeiro, etc [5].

A corrente dominante não considera a economia uma “ciência social”, mas ela precisa ser

Friedman e Pinochet.

Economia. Do grego oikos (de forma mais genérica, “casa”, com conotações de um conjunto familiar amplo que convive entre si) combinado com nomos (costume, norma ou lei). Uma expressão que forma a ideia de “normas e costumes do ambiente habitado em comum” ou “ambiente de convivência”.

Como se possibilita prover recursos e condições, no ambiente comum, de forma a viabilizar a vida dos habitantes deste ambiente no momento e na perspectiva futura, em diversos lugares e ocasiões da história, as pessoas convencionaram acordos de convivência, convenções, relações de poder, de estima, reconhecimento, estranhamento, aceitação ou de repulsa. Formas diferentes de acessar, possuir, colher, caçar ou trabalhar recursos, cuidar, armazenar (ou não), de se comportar junto ao ambiente, trocar (ou não, ou mais eventualmente ou mais regularmente), distribuir, redistribuir, tomar, partilhar.

A economia é um campo do saber que estuda este mundo de fenômenos, processos, relações, numa seara de outras ciências com pontos em comum, como antropologia, sociologia, psicologia, história, ciências cognitivas… Enfim, economia é uma ciência social. Ou deveria ser.

Alguns têm medo disso. Uns porque têm certas dificuldades de amadurecimento emocional em lidar com com a palavra/ideia “social”. Mais amplamente, é a presunção de que se assumir assim seria perder espaço de prestígio, dado que ser uma ciência social é aceitar muitas limitações sobre o quão é possível ser preciso no que se assevera — essa limitação é própria da natureza mais complexa e menos controlada e incerta daquilo a que se está estudando. Mas a realidade cobra o preço, e a presunção, que tenta ser sustentada por artifícios retóricos e aparentes, pode mesmo cair no ridículo.

Então alguns reagem a esse risco. Milton Friedman (1953) [6] questionou o senso de que a economia deve ser cobrada por elaborar teorias e descrições com correspondência à realidade em si. A economia remeter-se-ia sim a produzir modelos, o mais sintético possível, capazes de possibilitar previsões coerentes e úteis. Mas afinal, as previsões são sobre o quê? Com base em quê? E sobre o que se pode testar se elas, enquanto previsões, corresponderão com eficácia passível de comprovação ou de invalidação? Elas são referentes a apenas uma construção virtual de realidade ou ao ambiente onde vivem as pessoas, bens de consumo, máquinas, animais e elementos naturais, instituições, relações sociais?

Logo, no mínimo é um argumento circular dizer que não é tarefa da economia se preocupar sobre sua acurácia em corresponder com a realidade em si; deve ser sim prudente e admitir que a descrição não pode ser exata, límpida e atemporal, com margem de incerteza e condicionamento no tempo e espaço.

Vulgarmente às vezes se difunde a ideia de que a característica essencial da dita economia “ortodoxa” é a matematização; essa é uma visão ingênua e distorcida. Outros profissionais e estudiosos do campo podem também ser grandes apreciadores da matemática, assim como se encontram muitos com formação em matemática. A grande questão é que a economia “ortodoxa” pauta o emprego da matemática numa perspectiva metodológica encerrada na filosofia (superada) do neopositivismo [7]. Dessa linha filosófica decorrem pressupostos: o “monismo metodológico”; a ideia de que a sociedade é regida por leis naturais universais no; a possibilidade de encontrar a “política econômica” ótima transcendendo a geografia e a características sociológicas; que as ciências humanas devem ser “neutras e objetivas”, se isolando de considerações valorativas, ou se apoiando na dicotomia entre “juízos de fatos x juízos de valor” [8].

É nesse escopo que se pode entender também a real intenção nesse instrumentalismo tal qual enunciado por Friedman.

Cada um destes aspectos foi superado na arena da filosofia do conhecimento, embora, infelizmente, na área da economia ainda se pense que sejam “a última bolacha do pacote”. Superados pelo Realismo Crítico (hoje com a versão “transcendental”) [9] e agora pelo Novo Realismo. O primeiro, simplificando “grosseiramente”, assevera nosso acesso aos fenômenos e elementos da realidade, ainda que mediados e limitadamente, ou sob formas bem diferentes do que os fenômenos aparentam em primeira instância, mas ainda assim se reportando a ela. O material da realidade sobre o qual se debruça é que vai ditar o método adequado – cuja validade de gerar resultados é posta a crivo a posteriori – não havendo, portanto, a possibilidade honesta de um método universal [10].

O Novo Realismo, sendo algo de emergência bem recente, pede assim uma explicação melhor, justificada pela grande possibilidade que abre para tratar essa questão da natureza do conhecimento de maneira mais inteligente do que a proposta por Friedman e mais fecunda para economia. Este programa filosófico, que se insere no bojo de um novo contexto em que na filosofia, em todo o mundo, ressurge forte um novo prezar pela “ontologia”, a reflexão sobre as características gerais da propriedade de ser, ou para tudo aquilo que “é”.

No Brasil, somos apresentados com dois livros do jovem filósofo Markus Gabriel: O Sentido da Existência: Para um novo realismo ontológico e Por Que o Mundo Não Existe [11]. Gabriel possui hoje 37 anos, e com 29 se tornara diretor do Centro Internacional de Filosofia, na Universidade de Bonn (Alemanha). Exerce a Cátedra de Epistemologia, Filosofia Moderna e Contemporânea. Ele discute nessas obras o acesso que podemos ter às manifestações da realidade e à própria naturalidade, além da natureza desse acesso. “Chamo de realismo interno a tese de que os campos de sentido são individuados por meio das suas condições de objetividade, e mais precisamente a tese de que são possíveis asserções sobre objetos que aparecem no interior deles, verdadeiras ou falsas, independentemente do fato de apresentarmos exigências especificamente humanas ou mentais” (em O Sentido da Existência, p. 61).

Para Gabriel, existir é “manifestar-se em um campo de sentido” (Por Que o Mundo Não Existe, p.72). Campos de sentido seriam algo próximo a âmbitos que contêm a “circunstância devido a qual um fato é acessível de determinada maneira” (O Sentido da Existência, p.74) “Existência sempre contém uma informação sobre a localização”, ou seja, em que campo de sentido se manifesta? (Por Que o Mundo Não Existe, p.74). E o que ele concebe como “campos de sentido”? Para Gabriel, sentido “é o nosso acesso aos objetos” (Por Que o Mundo Não Existe, p.76). O “sentido é o acesso ao significado”, “o acesso ao valor de verdade, que pode ser verdadeiro ou falso”, em que a falsidade se deve à possibilidade de nos enganarmos em relação ao sentido que foi compreendido (Por Que o Mundo Não Existe, p.72).

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A economia, bem como outras disciplinas, seriam um situar de campos de sentido – próprios de cada uma delas -, para o apreensível da realidade, a partir de uma reorganização dos campos de objetos correspondentes que existem nesses campos de sentido. Uma perspectiva repleta de ricas possibilidades para lidar com a forma de uma disciplina do conhecimento falar sobre seus objetos.

Hilary Putnam, hoje talvez o mais reputado filósofo na área de desenvolvimento de trabalhos de aproximação entre filosofia e ciência, não apenas na discussão sobre a natureza do conhecimento, mas também na prática analítica e avaliação das experiências, escreveu incisivamente sobre o vazio da dicotomia “juízo de fato x juízo de valor”. Apontou as fragilidades na evolução histórica dos argumentos favoráveis a tal, bem como as falhas de entendimento acerca da natureza dos fatos e do valor.

Em lugar disso, Putnam apregoa que há um espaço para uma distinção, meramente operacional e não reputada ao campo do conhecimento ou aos objetos deste em si. Apresenta que os denominados “valores epistêmicos” (que são muito usados para pesar a balança a favor de uma resolução de um problema, com proposições diferentes que, ao levarem a explicações que atendem aos dados, reivindicam solucioná-lo em pé de igualdade) na ciência, como simplicidade, coerência, etc. [também empregadas a elegância, a “fecundidade” e a abrangência], estão “no mesmo barco” dos valores éticos em termos de objetividade. Oportunamente, em sua crítica ácida e contundente, a marreta também desce na economia. [12]

O conceito do Homo economicus como o motor da ideologia econômica ortodoxa

Para operacionalizar seu procedimento de análise, a economia “ortodoxa” possui alguns princípios aplicativos. Um dos mais importantes nos últimos tempos é chamado princípio das “expectativas racionais” [13], que se refere às escolhas e preferências dos agentes, junto com a ideia da racionalidade econômica substantiva dos mesmos. O Homo economicus (um artifício para representar as pessoas como símbolos abstratos padronizados úteis para os modelos) agiria de maneira lógica para buscar maximizar o resultado ótimo para seus interesses próprios. É a premissa necessária considerada fundamental para os modelos da corrente dominante na economia.

A partir desta ideia, daquele princípio, deriva-se a doutrina de que as expectativas do ator social são como equações que se desdobram inexoravelmente por lógica interna, e seriam identificadas com as predições dos modelos. Os indivíduos, autocentrados e “atomizados”, formam expectativas e agem de forma lógica com elas sobre o processo econômico; agem como sob um exame lógico do passado e o presente num horizonte de tempo retilíneo e reversível, computando as ações dos atores sociais governamentais e privados (nacionais e internacionais) no processo [14]. Se vê o futuro refletir o passado em um museu de novidades. Este futuro refletiria diretamente o comportamento passado, de acordo com regras de escolhas captáveis e representáveis pelos cálculos abstratos.

Em contraposição, outros estudiosos com um enfoque mais amplo ponderam com atenção às experimentações:

A análise de estudos de caso, a meta-análise e os experimentos com sujeitos humanos geraram uma série de regularidades comportamentais observadas que não são explicadas pela teoria da escolha racional ou por outras teorias tipicamente usadas no estudo da ação coletiva. A heterogeneidade das preferências, as preferências relacionadas aos outros e a racionalidade limitada são tidas como componentes importantes na compreensão das regularidades observadas [15].

Falaremos mais adiante sobre a questão do “reducionismo”, que então elucidará melhor o que vamos ponderar agora: que, além das premissas da economia ortodoxa, proliferam propostas para partirmos da concepção de uma racionalidade limitada e adaptativa por parte das pessoas e grupos de pessoas, ajustada às possibilidades condicionadas de cada um e de todos [16].

Mas o Homo economicus não existe…

O grande economista e intelectual Herbert Simon [17], que conjugou suas preocupações na área de economia com pesquisas e estudos em sistemas de informações, inteligência artificial, psicologia cognitiva, sociologia e administração pública, foi um dos maiores arautos e sistematizadores do conceito de “racionalidade limitada”. Uma realidade que deriva das “falhas no conhecimento das alternativas, incerteza a respeito de eventos exógenos [que provêm ou derivam de fatores externos] e inabilidade no cálculo de suas consequências” [18].

Advindo das implicações a respeito, um postulado alternativo ao das “expectativas racionais” parte de uma perspectiva sistêmica da ação social e dos processos cognitivos, que vem sendo incrementada nas neurociências e estudos da cognição [19] e as sistematizações expostas por eminentes neurocientistas e especialistas da cognição [20]. Nele, as emoções são partes integrantes do domínio cognitivo, de acordo com a estrutura orgânica dos indivíduos — que são “sistemas vivos” e não abstrações; sendo então que o pensamento humano é indissociável das sensações e processos corporais, afetadas pelo ambiente em que se está inserido. Durkheim, o sociólogo clássico que muitos conheceram a respeito quando sociologia era obrigatória no ensino médio, já expunha tal parâmetro de maneira enfática e consistente:

Apesar do fato de crenças e práticas sociais nos permearem a partir de fora, não decorre que as recebamos passivamente e sem fazer com que sofram modificações. Ao pensar sobre instituições coletivas, nos assimilamos a elas, as individualizamos e de certa forma imprimimos nelas nossa marca. Do mesmo modo, ao pensar no mundo dos sentidos, cada um de nós colore da sua própria maneira, e pessoas diferentes se adaptam diferentemente a um ambiente físico idêntico [21].

Neurocientistas expressam que a dinâmica de nossas ações orienta-se por esquemas mentais ambientais, com impulsos e reações de acordo com as expectativas, alvos, visões e também sensações, não recepcionando as informações do ambiente passivamente e sem subjetividade [22]. Significados culturais apreendidos atuam na construção social de parâmetros de conduta [23].

O notório neurologista português Antônio Damásio (2011, p. 43) também elucida os processos de decisão e o papel das emoções:

Emoções ocorrem quando imagens processadas no cérebro põem em ação regiões desencadeadoras de emoção, por exemplo, a amígdala ou regiões especiais do lobo frontal. (…) É importante, pelo menos nos humanos, o fato de que certas ideias e planos também vêm a mente. Por exemplo, uma emoção negativa como a tristeza leva à evocação de pensamentos sobre fatos negativos; uma emoção positiva causa o oposto; os planos de ação representados na nossa mente também condizem com o sinal geral da emoção. Certos estilos de processamento mental são imediatamente implementados assim que ocorre uma emoção.

Tais considerações combinam-se para submeter ao crivo e relativizar uma das mais importantes ideias da ala hegemônica do ensino de economia atual, a Teoria Neoclássica da Demanda [24].

Como os economistas antes chamados “institucionalistas” apregoavam, são sobretudo os instintos e costumes, em boa parte socialmente condicionados, que movem o comportamento econômico, acima de uma racionalidade calculista formalmente representada. [25]. Essas inserções e condicionamentos acarretam modificações na importância que uma pessoa (ou grupo) dá a algo, bem como a capacidade de concessão ou de obtenção de algo.

É uma concepção condizente com o que o Damásio (2011, p. 343) problematiza: “Nossa constituição biológica nos inclina a consumir o que não devemos, mas, além disso, o mesmo faz as tradições culturais que pautaram nossa constituição biológica e foram por ela moldadas, e até a indústria da publicidade que a explora”. “(…) Devemos pôr de lado a ideia de que o mundo é pré-dado e de que a cognição é representação. Na ciência cognitiva, isso significa que devemos pôr em questão a ideia de que as informações existem já feitas no mundo e de que elas são extraídas por um sistema cognitivo. Assim, as novas teorias da cognição advogam que a ‘percepção e ação’ são inseparáveis” (2004, p. 22).

Descreve-se assim a percepção como “ação incorporada”. Considerando isto, a tese sobre a ação social, da economia ortodoxa, de que o aprendizado confere conhecimento satisfatório para dar informação acurada à decisão racional ótima, implicitamente requerida no corpo teórico das “expectativas racionais”, teria de ceder espaço: “(…) podemos imaginar um longo cordão umbilical, ainda mal separado de suas origens e eternamente dependente delas, aos reguladores profundos, elementares e inconscientes do princípio do valor”, assinala Damásio (2011, p.45); “(…) Elucidar os mecanismos neurais por trás da mente consciente revela que nosso self nem sempre é sensato e nem sempre está no controle de todas as decisões” (2011, p.45).

O cientista comportamental Peter A. Ubel, combinando psicologia e economia comportamentais, apresenta que mecanismos próprios do mercado exploram tendências humanas inconscientes e subconscientes de forma que afrontam a análise racional calculada para o bem individual. Argui que estas tendências comportamentais não seriam desvios da natureza humana habitual, mas ela própria em ação, acarretando em dificuldade da percepção e cálculo da racionalidade do comportamento, para a busca de sobreviver, por exemplo, a uma situação de crise imediata [26].

Reducionismo e nominalismo radical: encobrindo o caráter aristocrático da economia dominante

Em seu texto, André Perfeito chega a mencionar o “homem-médio”. Encontramos aí ecos de um artifício problemático empregado na economia. A ideia remete a Adolphe Quetelet, que a engendrou para facilitar modelagens estatísticas com essa abstração, “o homem-médio”, servindo para definir a média para as curvas. Ele seria a essência representativa da sociedade [27] buscando sempre maximizar seu valor de forma individualista. O problema é que nessa tradição econômica estreita, que apenas enxerga trocas mercantis entre indivíduos, sendo que as trocas sociais são de âmbito muito maior do que isso, muito mais complexas [28].

A economia ortodoxa herdou uma perspectiva filosófica que acredita que as explicações para os fenômenos sempre vão remeter a caracterizar as unidades mais simples que lhes constituem. Eles seriam apenas o reflexo da composição total dos comportamentos destas unidades, e todas as propriedades destes fenômenos apenas se explicam pelas propriedades destas unidades isoladas. O que ultrapassa a isso tem realidade apenas como abstração. A combinação de nominalismo com reducionismo.

Não se pode negar que tal concepção foi muito útil e possibilitou muitos avanços na ciência. Mas, pensando novamente em termos de se preocupar com o que o debruçar da realidade a qual é objeto dos estudos econômicos pode nos informar, a atuação dos atores sociais não se dá num plano abstrato puro. Pelo contrário, se dá sob contingências institucionais, históricas, numa dinâmica socioeconômica, cultural e ecológica; e devem responder às exigências dessa dinâmica para sobreviverem nela.

Relembrando Durkheim:

O que há de exclusivamente peculiar na coerção social é que não advém da incomplacência de certas moléculas, mas do prestígio de que são dotadas certas representações. É verdade que os hábitos sejam exclusivos de indivíduos ou hereditários, em certos aspectos possuem essa mesma propriedade. Dominam-nos e nos impõem crenças e práticas. Mas nos dominam a partir de dentro, pois estão inteiramente dentro de cada um de nós. Em contraste, as crenças e práticas sociais agem sobre nós a partir de fora; assim, a ascendência exercida pela primeira tal como comparada à segunda é basicamente muito diferente (1999, XXVIII).

A sociedade é estruturada e funciona em moldes exigidos por uma série de condições interdependentes. É uma implicação do pressuposto analítico próprio do tratamento dedutivo derivado das “expectativas racionais” na microeconomia neoclássica [29] reduzir a sociedade a um tipo de ajuntamento de consciências individuais atomizadas. O leitor lembra daqueles modelos atômicos antigos que víamos na escola, como o de Dalton, em que cada átomo era uma esfera impermeável desconectada, o “limite final” coeso para a realidade? O Homo economicus falha pela mesma limitação.

Tal percepção abraça uma noção onde instituições e as propriedades globais constituintes da sociedade são vistas como meras abstrações, cuja realidade subjaz aos agregados dos agentes individuais que as causam. Assim, por sua vez, as entidades sociais não poderiam ser concebidas como realidades que atuam por si próprias sobre os agentes membros dela (PRADO, 2006, p. 307).

Há algum tempo, os proponentes destas ideias olhavam os críticos por cima, com um olhar esnobe e nariz empinado, julgando que tinham a voz da ciência. Mas as ciências nas quais supostamente este reducionismo poderia ser um fator unificador para prática científica desenvolveram, nas últimas décadas, fatores de superação a esta limitação [30].

Pesquisas que se acumulam apontando para influências de eventos e processos de níveis sistêmicos superiores, condicionando processos de subsistemas de níveis inferiores de forma coerente com as leis que operam nestes níveis. Tal como processos neurológicos produzem fenômenos mentais e outros processos corporais influem nele, processos mentais retroagem sobre fenômenos neurológicos e influem sobre os corporais; analogamente, pode-se entender como interagem as pessoas, infraestruturas, instituições e sociedades. Qualquer fala prepotente de apologia a um reducionismo dogmático para encaixar o ser humano na lógica do mercado, apenas fortalece o fato de que a economia ortodoxa flerta com uma ideologia.

O sistema é mau, mas minha turma é legal

Marcelo Caetano, o draconiano Secretário da Previdência de um dos governos mais rejeitados da história.

Reforçando, a economia é chamada a justificar-se caso pretenda se limitar dogmaticamente a um forte reducionismo nominalista (ideia filosófica que considera que conceitos e ideias que abrangem fenômenos não são realidades em si mesmas, mas apenas nomes e linguagens úteis sem existência própria, só os objetos singulares são reais).

Entretanto, vemos que o mesmo que é prontamente considerado inaceitável para os fatos sociais é livremente admitido para outros domínios da natureza. Onde quer que os elementos de qualquer tipo se combinem, por virtude desta combinação dão lugar a novos fenômenos. Consequentemente, é forçoso pensar que estes fenômenos residem não nos elementos, mas na entidade formada pela união destes elementos… (DURKHEIM, 1999, p. 80, grifo nosso).

Não é possível compreender uma economia real ou resultados combinados das interações e relações de cada agente isolando o comportamento de uma pequena parte, pois são sistemas complexos não redutíveis à soma de suas partes componentes. A posição reducionista na microeconomia — que pressupõe que “qualquer propriedade social apenas pode aparecer como algo estritamente resultante das propriedades desses indivíduos” (PRADO, 2006, p. 306) — deve ser, cuidadosamente mas incisivamente, ressalvada. Ou então, tentará impressionar as pessoas, com suas formas de apresentação, para tentar sofisticar o fato de que toca a realidade social pela tangente, mas, nas palavras de Ronald Coase, analisa “indivíduos solitários que fazendo trocas de nozes e frutas silvestres na beira da floresta e depois sentem que sua análise do processo de troca foi completa” [31].

Enquanto isso, no Brasil, agosto de 2017: Programa de Aquisição de Alimentos foi cortado em 44%. Farmácias populares fechadas. Cortes pesados em cima da saúde e educação. O Ministério da Ciência e Tecnologia teve um corte de 40%, ficando com o orçamento mais baixo em 12 anos. Pesquisas agrícolas e para segurança alimentar, em neurociências (inclusive nos programas-referência de estudos do Parkinson e Alzheimer), o programa espacial… o funcionamento do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, todos estão comprometidos, implicando avançados programas de segurança energética e estações experimentais em ciências ambientais, ciência dos materiais, biotecnologia, nanotecnologia… A viabilidade financeira dos Institutos Federais de Ciência e Tecnologia também comprometeu-se. Tudo isto converge para uma conclusão: mentiram apenas parcialmente para aprovar a famigerada “PEC dos gastos”, a Emenda Complementar 95/2016. Na pior parte, estavam sendo sinceros.

O discurso de que não afetaria a educação mostrou o quanto a “ekipeconômica Selegalo” leva seus defensores a sério. Mas, de fato, eles estavam pensando no horizonte maior, no nosso futuro. Os mesmos Eichmann conscientes de que aproveitam a compra do Congresso para impor sua agenda ideológica sem respaldo republicano e democrático [32].

Após a Primeira Guerra, um dos maiores pensadores da economia do século XX, Thorstein Veblen [33], foi demitido do cargo na Administração Federal de Alimentos dos EUA por confeccionar um relatório que apontava o impacto na mão de obra no campo, decorrida da perseguição implacável do presidente Woodrow Wilson contra a Associação dos Trabalhadores Industriais do Mundo e outras organizações sindicais do país. Escolheu a integridade e a honra. Precisamos urgentemente de intelectuais e profissionais assim; pessoas como ele, que devem sempre ser lembradas, quando confrontamos a banalidade do mal [34].

Notas

[1]
• UOL Economia – Dólar tem maior queda desde novembro e fecha a R$ 3,653, com crise política
.
[2]
• SHELLIN, Thomas C. – Choice and Consequence: perspectives of an errant economist
.
[3]
• Exame – Queda na bolsa chinesa leva instabilidade a mercados no mundo
• _______ –  China anuncia suspensão de circuit breaker nas bolsas
• UNEB – A CRISE DA BOLSA DE VALORES CHINESA: UMA ANÁLISE DOS EFEITOS SOBRE MERCADOS ACIONÁRIOS INTERNACIONAIS
.
[4]
• Techdirt – Nanotech Excitement Boosts Wrong Stock
• Federal Reserve – Open Market Operations
.
[5]
Economic Theory for the New Millennium
• Journal of Economic Behavior and Organization – Option Traders Use (very) Sophisticated Heuristics, Never the Black–Scholes–Merton Formula
• MANDELBROT,  B.; HUDSON, R. L. –
The (Mis)behavior markets: a fractal view of risk, ruin and reward
• Arthur, W. Brian. – 
Positive feedbacks in the economy. Scientific american262.2 (1990): 92-99.
.
[6]
• FRIEDMAN, M. – Essays in Positive Economics (Chicago: University of Chicago Press, 1953), pgs 3-34
.
[7]
• ROBBINS, L. – An Essay on the Nature and Significance of Economic Science
.
[8]
• SCIACCA, M.F. – História da Filosofia, 3ªed. São Paulo: Mestre Jou, 1968, pg. 292.
.
[9]
• Para uma fecunda e consistente abordagem aplicada à economia, veja
Essays on The Nature and State of Modern Economics ou o artigo Ontology and Social Relations: Reply to Doug Porpora and to Colin Wight e também Economics and Reality, de Tony Lawson
.
[10]
• BASKHAR, R. – “Realismo”, in T. Bottomore e W. Outhwaite (eds.), Dicionário do Pensamento Social do Século XX. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor.
.
[11]
• GABRIEL, M. – O sentido da existência: Para um novo realismo ontológico. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2016. 196p.
• _____________ –
Porque o Mundo Não Existe. Petrópolis: Vozes, 2016. 204p.
.
[12]
• Obcjetivity and Science/Ethics Distinction
• PUTNAM, H. –
O Colapso da Verdade e outros ensaios. São Paulo: Ideias e Letras, 2008. 216 p.
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[13]
• LUCAS, R. E. – Econometric Policy Evaluation: A Critique. Carnegie Rochester Conference Series on Public Policy, n.1, p. 19-46, 1976.
• SARGENT, T. J. – 
Rational expectations and inflation. London : Harper and Row, 1986. 212p.
• SIMON, H.A. – 
Estudo dos processos decisórios nas organizações administrativas – 3ª Edição – Rio de Janeiro – Ed. FGV – 1979.
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[15]
• OSTROM, E.; POTEETE, A. R.; JANSSEN, M. A. – Trabalho em Parceria: Ação coletiva, bens comuns e múltiplos métodos. São Paulo: Editora Senac. 2011
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[16]
• FIGUEIREDO, M. – A decisão do voto: democracia e racionalidade. Belo Horizonte: UFMG, 2008. p.130.
[17]
• SIMON, H. A. – The Science of the Artificial. Cambridge, MA: The MIT PRESS, 1996, 3ªed., 215P.
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[18]
• SANDRONI, P. – (Org.) Novíssimo Dicionário de Economia. São Paulo: Best Seller. 1999. p.231
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[19]
• MATURANA, H. VARELA, F. – A árvore do conhecimento – As bases biológicas do conhecimento humano. São Paulo: Palas Athena, 2004. 283p.
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[20]
• DAMÁSIO, A. R. – E o Cérebro Criou o Homem. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. 437p.
• KAHNEMAN, D. –
Rápido e Devagar – duas formas de pensar. Rio de Janeiro: Ed. Objetiva. 2012, 624p.
• LEDOUX J.E. –
Emotion, Memory, and the Brain. Scientific American, 12. 2002, p. 62-71.
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[21]
• DURKHEIM, É. – As regras do método sociológico. São Paulo: Martins Fontes, 1999. 200p.
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[22]
• ARBIB, M. – The Meaphorical Brain 2: Neural Networks and Beyond. Nova York: Willey, 1989, 458p.[23]
• BROTHERS, L. – Friday’s Footprint: How Society Shapes the Human Mind. Londres: Oxford University Press, 1997. 208p.
• HARRÉ, H. R.(org.). – 
The Social Construction of Emotions. Oxford: Blackwell, 1986. xiv+316p.[24]
• PRADO, E. – Oferta e Demanda: uma Crítica

[25]
• BRUNO, M. A. P. – Macroanálise, regulação e o método uma alternativa ao holismo e ao individualismo metodológicos para uma macroeconomia histórica e institucionalista. Revista de Economia Política, v. 25, n. 4, out./dez. 2005. p.337-356.
• CAMARGO, P. –
Neuromarketing: Descodificando a Mente do Consumidor. Portugal: IPAM, 2009, 147p.
• CONCEIÇÃO, O. A. C. – 
Os antigos, os novos e os neo-institucionalistas: há convergência teórica no pensamento institucionalista? Análise Econômica, v. 19, n. 36, 2001, p. 25-46.

[26]
• UBEL, A. P. Loucura do Livre Mercado: Porque a natureza humana vai contra a economia e porque isso importa. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2014. 280 p.

[27]
• Auetelet, A. – A treatise on man and the development of his faculties

[28]
• ARIELY, D. – Previsivelmente Irracional:  Como as situações do dia a dia influenciam as nossas decisões. São Paulo: Campus, 2008. 304 p.

[29]
• PRADO, E. F. S. Microeconomia reducionista e microeconomia sistêmica. Nova economia, Belo Horizonte, ago 2006, vol.16, no.2, p.303-322

[30]
• CAMPBELL, D. – Downward causation in hierarchically organised biological systems“. AYALA, • F.J.; DOBZHANSKY, T. – (Eds.) Studies in the philosophy of biology: Reduction and related problems. London/Basingstoke: Macmillan. 1974. p.179–186.
• ELREDGE, N. SALTHE, N.S. – 
Hierarchy and evolution. In R. Dawkins & M. Ridley (eds.), Oxford Surveys in Evolutionary Biology, 1984, 1:182-206.
• GALAAEN, Ø. S. – 
The Disturbing Matter of Downward Causation: A Study of the Exclusion Argument and its Causal-Explanatory Presuppositions. University of Oslo. 2006. 186 p.
• POLANYI, M. – 
Life’s Irreducible Structures. Science, n.160. 1968. p.1308-1312.

[31]
• COASE, D. – The Institutional Structure of Production. University of Chicago Law Occasional Paper, No. 28, 1992

[32]
•ASA – Redução no PAA contribui para desmonte da agricultura familiar
• G1 – 
Farmácias populares serão fechadas pelo governo
• ___ –
Crise e cortes de orçamento fazem ciência brasileira entrar em decadência
• UOL – 
Cortes de gastos na Saúde são “morte do SUS”, diz ex-ministro
• Época –
Cortes ameaçam sobrevivência dos institutos federais de ciência e tecnologia
• Ciencianautas –
Cortes na ciência no Brasil viram assunto na revista Nature

[33]
• Princeton Alumni Weekly – Before Turing There Was Veblen

[34]
• RIESMAN, D. – Thorstein Veblen: A Critical Interpretation. New York and London, Charles Scribner’s Sons, 1953.- xiii, 221 pp.

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