Por um ciberespaço mais favorável ao desenvolvimento humano

Surge a Voyager, uma mídia independente que se propõe a contribuir com a melhora do debate público, bem como combater a desinformação existente na net e em suas redes sociais.

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Com a popularização da internet, as pessoas mais otimistas acreditavam que melhores dias chegariam para a humanidade com o advento da Era da Informação. Como havia previsto o escritor canadense Marshall McLuhan, viveríamos numa aldeia global interconectados, onde poderíamos nos conhecer, trocar informações e compartilhar conhecimento, o que melhoraria a nossa percepção da realidade, consequentemente poderíamos transformar o mundo num lugar melhor.

Com efeito,  a internet encurtou distâncias e a comunicação foi facilitada. Hoje  já é possível acessá-la com o dedo em telas touch screen de smartphones e tablets, porém, mesmo com tanta facilidade, o que os mais otimistas previram em relação à democratização do acesso ao conhecimento infelizmente não ocorreu.

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A Era da Informação possibilitou a integração do mundo, o que derrubou as barreiras que impediam a livre circulação do dinheiro, já o mesmo não ocorreu com as que impedem o progresso humano.

Apesar das boas iniciativas de mídias independentes  e da importância das redes sociais na organização de manifestações e movimentos contestatórios em todo o mundo, o que mais vimos crescer com a internet foi a desinformação e a futilidade.

A parcialidade da grande mídia já era conhecida, obviamente ela não seria diferente na internet, contudo, mesmo com as novas possibilidades dadas pela rede virtual para o surgimento de algo transformador, isso não ocorreu como se esperava.

O que vimos foi o surgimento e proliferação de mídias tendenciosas, sejam de esquerda, alinhadas a partidos, sejam de direita, com suas bobagens sobre "livre mercado", quando não caindo no fascismo explícito. Apesar de ser um cenário pouco animador, ele pode e deve ser mudado, ainda mais pelo fato da internet ainda ser um meio de comunicação de enorme potencial. Lamentações de nada adiantam, é necessário reagir.



Uma mídia independente, comprometida com a transmissão do conhecimento e o combate à desinformação na internet : surge assim a Voyager

Foi a urgência de se fazer algo para ajudar a mudar desse cenário, mesmo que seja uma iniciativa modesta, que no dia 28 de outubro de 2016 surge na internet a Voyager. A ideia de sua criação foi motivada principalmente pela indignação contra a forma deliberada que enganam as pessoas na rede, apostando em sua ignorância (no sentido de não saber) para espalhar desinformação, chegando a superar as mídias convencionais em alcance.

No entanto a Voyager não se limitará a combater a desinformação na rede, ela também  se compromete a  ajudar na democratização do acesso ao conhecimento. Para isso ser possível, ela abordará temas imprescindíveis para a construção de uma sociedade melhor, de uma forma simples (mas sem ser superficial) tornando assim a leitura desses temas mais facilitada, e de uma forma que desperte o interesse do grande público. Tais temas serão tratados na Voyager nas seguintes categorias:

Política - É necessário falar de fato sobre política, sem cair nas briguinhas partidárias da política representativa. Política não é discutir se Lula, Aécio, Dilma, Temer, Cunha, Caiado, Maluf, Alckmin são corruptos ou não. Essa personalização da política apenas empobrece seu debate e acaba tornando secundários os seus reais objetivos e intenções. Já basta a grande mídia para tratar a política de forma pequena e maniqueísta, na Voyager a política será analisada considerando toda a sua complexidade.

História - Porque para entender o presente é necessário conhecer o passado. A História é essencial para saber as causas  dos nossos problemas e conflitos contemporâneos, sem a qual eles não podem ser corretamente contextualizados e compreendidos para ser possível sua efetiva superação.

Cultura- É comum confundirmos cultura com erudição ou artes clássicas, o que é um erro. Uma analogia que facilitaria o seu entendimento: a cultura opera como um software, que carrega informações de milhares de anos e é constantemente atualizado; nós seríamos o computador em que esse software é instalado.  A Voyager será um meio de aprendermos juntos como funciona a linguagem da programação desse software, seja para falar sobre obras de Tarsila do Amaral, da saga Star Wars, se o funk é ou não é cultura, como o Super Mário se tornou um símbolo cultural do Japão, o que seria o multiculturalismo, enfim, discutiremos sobre a cultura em todas as suas manifestações.

Ciência - A ciência é um método que nos ajuda a entender como o universo funciona, e nesse processo nos liberta de mitos, crenças, preconceitos, julgamentos e interpretações subjetivas ou de origem cultural, nos possibilitando assim uma melhor compreensão da realidade. Na Voyager será dada ênfase no papel que a ciência possui na sociedade, bem como uma observação crítica da ciência aplicada, defendendo sempre o seu uso para as necessidades humanas e para o bem estar do planeta.

Tecnologia - A humanidade desde seus primórdios tentou facilitar sua vida e resolver problemas do cotidiano, seja usando o fogo, criando a roda ou polindo uma pedra para construir uma lança, ou seja, sempre se valeu do uso da tecnologia. Hoje a tecnologia é mais utilizada para produzir mercadorias e reproduzir uma lógica consumista. Sua função original é colocada de lado e sua aplicação para mudar a realidade a favor da humanidade é desestimulado, quando não combatido, como acontece com o desenvolvimento de energias renováveis a favor dos interesses das petrolíferas. É justamente sobre a sua função hoje e como ela poderia ser melhor aproveitada para o progresso da humanidade que a tecnologia será abordada na Voyager.

Como todos esses temas estão inter-relacionados e que será comum a publicação de textos que englobem mais de uma categoria. As categorias  foram criadas também para facilitar a navegação no site.

Um tributo ao engenho e saber humanos

O nome do site foi escolhido em alusão à sonda espacial Voyager 1, por ser atualmente o engenho feito pelo homem que se encontra mais distante da Terra, chegando ao espaço interestelar. Como a sonda Voyager 1, a intenção do site também é alcançar grandes distâncias e ultrapassar limites em sua exploração do universo do conhecimento.

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Atena com sua coruja, de Hendrick Goltzius

O site Voyager também possui um mascote. É uma coruja porque é um animal que simboliza o saber. Não por acaso a coruja também era a ave de Atena, a deusa da sabedoria. É um robô coruja para simbolizar também a importância do desenvolvimento tecnológico para a humanidade, o que abordaremos, como dito acima, na categoria tecnologia. Além disso uma coruja comum não conseguiria viajar pelo espaço e alcançar a sonda Voyager 1 para comemorar a estréia deste site e nos dar as boas-vindas. 🙂  Ela não será meramente um elemento visual do site, mas também irá participar eventualmente de suas publicações,  complementando os textos e trazendo dados necessários para sua contextualização.

A Verdade é Revolucionária

Vivemos num país onde as mídias de grande repercussão  são controladas por meia dúzia de famílias milionárias e donos de igrejas neopentecostais, cujas filiais são partilhadas entre empresários e políticos, formando um oligopólio cujo único objetivo é defender seus interesses de classe.

A internet veio como a esperança de dar voz àqueles que sempre foram silenciados, porém, até o momento, ela serviu mais para reproduzir essa desigualdade do que dar voz aos "sem mídia". Soma-se a isso, como já dito anteriormente, o surgimento de mídias que servem à ordem estabelecida, desinformando muito com suas publicações.

Tentar mudar essa realidade, mesmo na internet, é um grande desafio às mídias independentes, o qual a Voyager também topa enfrentar, fomentando o senso crítico para combater o senso comum - formado pela ideologia da grande mídia;  divulgando a verdade dos fatos e informações com fontes para ir além dos satélites que espalham desinformação; contribuindo com a democratização do acesso ao conhecimento, para enfraquecer aqueles que se valem da ignorância alheia para induzir ao erro.

Parece ser uma tarefa hercúlea, uma situação impossível de ser mudada, mas talvez ela chegou nesse ponto justamente porque não ousamos lutar por um espaço livre de interesses inescrupulosos e mesquinhos, porque nos calamos em vez de reagir, porque acreditamos que os outros o fariam por nós...

Então é hora de fazer diferente, portanto reajamos e embarquemos juntos nessa jornada por um ciberspaço mais favorável ao desenvolvimento humano! 😉

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