15 atores que fizeram mais pela humanidade do que todos os seus críticos juntos

Desde o discurso da Meryl Streep contra Trump, muitos "especialistas" surgiram para desmerecer os atores engajados politicamente, mas com qual propriedade?

0 16.597

“A opinião de um ator sobre política não importa merda alguma”, essa “opinião” emitida pelo também ator Kevin Spacey (da série “House of Cards”) foi efusiva e levianamente adotada por aqueles que escolheram o caminho da antipolítica em terras tupiniquins.

Essa negação da política consolida-se como um projeto de poder, quando passar a ser incessantemente propagada pela grande mídia. Mídia que, inclusive, vive a tratar política como sinônimo de corrupção para que as pessoas encarem a democracia e a política como perda de tempo e passem a crer que apenas no mercado as coisas acontecem, restringindo este debate a um seleto grupo de burocratas. Tanto que a última figura a reproduzir a “máxima” de Spacey foi a ultraconservadora jornalista Rachel Sheherazade, da emissora SBT, uma das maiores do país.

No entanto, os condutores desse projeto parecem (ou fingem) desconhecer que muitos atores profissionais já ousaram deixar sua zona de conforto e abriram mão de suas condições privilegiadas para ir para o front; para, nas ruas, defenderem causas sociais de suma importância para a humanidade. Mesmo que isso, muitas vezes, até lhes custassem algemas nas mãos. Uma luta que vale muito mais do que qualquer “opinião” proferida. Em razão disso, elaboramos uma breve lista que serve para refrescar a memória desses nossos “especialistas” em política, que tentam desmerecer o posicionamento político de atores unicamente pelo fato de serem atores.

1 - George Clooney


Um dos maiores galãs de Hollywood sempre foi engajado em diversas causas sociopolíticas, e uma delas é a questão da crise humanitária no Sudão. Esta, inclusive, o fez parar da prisão. Em 2012, o ator e diretor foi preso em um protesto na embaixada sudanesa em Washington, nos Estados Unidos.

George Clooney foi acusado de invadir o local e levado de lá algemado. Ele protestava contra as ações do presidente Omar al Bashir. O pai do ator, Nick, e outros ativistas foram alertados por policiais para deixar a área e saíram de lá pelas mãos do Serviço Secreto. Clooney exigia que o Sudão "parasse de matar e atacar indiscriminadamente homens, mulheres e crianças". A popularidade do ator fez com que a causa ficasse mais conhecida ao redor do mundo quando ele foi preso.

2 - Jane Fonda


Em 1970, a atriz, uma firme opositora da Guerra do Vietnã, foi detida quando desembarcava no aeroporto de Cleveland acusada de tráfico de drogas. No entanto, a atriz simplesmente possuía três envelopes com vitaminas e refeições que usaria para se alimentar durante um acampamento no campus de uma universidade local, onde faria um discurso contra a Guerra do Vietnã. Naquela ocasião, Jane foi inclusive fotografada rindo em um acampamento de norte-vietnamitas, que lutavam contra os Estados Unidos. Tal fato levou um veterano da Guerra do Vietnã a cuspir no rosto da atriz, durante uma sessão de autógrafos em Kansas City, no ano de 2005.

Em 2007 Jane voltou às ruas para se somar aos protestos contra o conflito no Iraque.

3 - Vanessa Redgrave


A atriz, que também foi detida em uma manifestação na embaixada do Vietnã nos Estados Unidos, sempre defendeu causas relacionadas à defesa da Palestina e o Feminismo. Em 1978, chegou a fazer um discurso pacifista ao receber um Oscar. Além disso, participou de manifestações contra a guerra no Iraque e contra o então presidente estadunidense, George Bush, em 2003.

4 - Daryl Hannah


A relação da atriz com causas ligadas à natureza vem de longa data. Daryl Hannah, a sereia de "Splash - Uma Sereia em Minha Vida", sempre abraçou pautas ambientais e inclusive participou do fórum de sustentabilidade do SWU, aqui no Brasil.

Em 2012, foi presa na Casa Branca quando protestava contra a extensão de um oleoduto nos Estados Unidos com a intenção de ligar o Canadá até a costa do Golfo. Daryl estava sentada na calçada da Casa Branca com outros protestantes e se recusou a deixar o local. Os manifestantes também eram contra o investimento em obtenção de energia por meio de combustíveis fósseis e pediam que o governo investisse em energia limpa. Anteriormente, ela já tinha sido detida lutando pelo fim da extração de carvão para proteger os jardins urbanos em Los Angeles.

5 – Susan Saradon


Em 1993, Susan Sarandon e seu ex-marido, parceiro de profissão e ativismo Tim Robbins, roubaram a cena ao recriminar o governo norte-americano em plena cerimônia de premiação do Oscar. Na ocasião, a atriz e o diretor abordaram a situação dos 267 haitianos com HIV que estavam presos em Guantánamo.

Susan também foi detida em 1999, durante um protesto contra a morte de um imigrante africano, sob a acusação de que estaria causando a desordem pública. Além de ativista, a atriz atualmente luta contra a pobreza infantil como embaixadora da Unicef e também faz parte da Heifer Internacional, organização que distribui animais de fazenda para as famílias pobres.

Por seu engajamento político humanista, Sarandon recebeu o Prêmio Humanitário Ação Contra a Fome (Action Against Hunger Humanitarian Award) em 2006. Um ano depois, em 2007, ela também foi homenageada por seu trabalho como Embaixadora da Boa Vontade da UNICEF, por sua defesa das vítimas da fome e HIV/ AIDS e como porta-voz da Heifer International .

Ao lado de Jane Fonda, Tim Robbins e Sean Penn, a atriz voltou às ruas para protestar contra a Guerra do Iraque em 2007.

6 – Kirk Douglas

Na segunda metade da década de 1940, Dalton Trumbo era o roteirista mais bem pago de Hollywood. No entanto, com a Guerra Fria e a emergência do macarthismo, ele e outros colegas, também de esquerda, foram banidos dos estúdios e impedidos de trabalhar. Dessa forma, Trumbo escreveu dezenas de roteiros para filmes B, assinados com pseudônimos. Um deles, The Brave One, de 1956, rendeu-lhe um Oscar, oficialmente atribuído ao seu heterônimo Robert Rich.

Até que, em um belo dia, ele foi procurado pelo ator Kirk Douglas para escrever um roteiro que daria origem ao filme Spartacus, um dos maiores sucessos do cinema americano. Quando o filme estourou, Kirk Douglas anunciou que o verdadeiro roteirista era Trumbo. A essa altura até o então presidente estadunidense John Kennedy já havia assistido o filme e o elogiado, ou seja, não havia mais como censurá-lo. Logo depois disso, a política macarthista caiu.

7 – Noah Wyle

George Clooney não é o único ex-integrante do elenco de “Plantão Médico” que acabou tendo problemas com as autoridades por causa de seu posicionamento político. Noah Wyle, também conhecido por suas participações em "Falling skies", passou por uma situação parecida no ano de 2012, quando protestava em Washington contra o projeto de extinção do Medicaid, uma espécie de SUS dos estadunidenses. Ele foi algemado e levado para a delegacia junto a mais 100 pessoas.

"Hoje participei de uma iniciativa da Adapt para chamar atenção sobre cortes do Medicaid que tem sido feitos por muitos estados e que correm o risco de serem ampliados para uma ação em nível federal... é uma questão de direitos civis, não de medicina", disse Wyle em comunicado divulgado à época.

8 - Lucy Lawless


Mais conhecida no Brasil pelo seu papel na série cult XenaA Princesa Guerreira, Lucy também é ativista do Greenpeace. Ela também foi presa em 2012 após entrar em um navio e passar quatro dias sentada em uma torre de perfuração de petróleo para protestar contra a exploração do recurso natural no Ártico. Com esse sobrenome, não tinha como não ser uma pessoa contestadora.

9 - Christian Bale


Em 2011, o ator do Batman foi agredido por guardas chineses que o impediram de conhecer o ativista Chen Guangcheng, um advogado cego mantido como prisioneiro pelo governo da China. "Eu estou aqui para ver Chen Guangcheng", disse o ator, acompanhado de jornalistas, ao chegar no vilarejo em que o ativista é mantido preso. Quatro homens que bloqueavam a passagem para o local começaram a marchar em sua direção. "Por que eu não posso visitar este homem livre?", questionou Bale, que teve como resposta uma série de socos no rosto pelos guardas, que miravam em sua câmera enquanto tentavam afastá-lo dos jornalistas. "O que eu queria, de verdade, era conhecer o homem", lamentou Bale, após o ocorrido. "Apertar a sua mão e lhe dizer o quão inspirador ele é."

Chen Guangcheng estava sendo mantido confinado em sua casa com sua esposa, mãe e filha, desde que tinha sido libertado, em setembro de 2010. Uma corte local o sentenciou, anteriormente, a quatro anos de prisão por danificar propriedade alheia e interromper o tráfego em um protesto. Guangcheng, um advogado autodidata, apareceu para a mídia no fim dos anos 90, quando passou a lutar pelo que ele chamava de "vítimas dos abusos praticados na China". Christian Bale não chegou a ser preso.

10 - Angelina Jolie


A atriz e embaixadora da ONU é mundialmente conhecida por se dedicar a causas humanitárias e defender os direitos dos refugiados no mundo. A americana esteve em mais de 40 missões em países do terceiro mundo para defender e assegurar direitos. Ela e seu ex-marido, Brad Pitt, já fizeram doações milionárias para ajudar países como Haiti e Sudão.

Após tanto contato com o sofrimento de milhões ao redor do mundo, ela e Brad Pitt fundaram a Jolie-Pitt Foundation, que se dedica a erradicar a pobreza extrema. Com o apoio da sua fundação, ela conseguiu voos para ajudar as pessoas a voltarem para seus países de origem e ambulâncias para cuidar dos feridos que chegavam à Líbia. Além disso, Jolie abriu duas escolas femininas no Afeganistão e adotou três de seus seis filhos. Todos eles eram crianças em condição de refúgio, vindas do Camboja, Etiópia e Vietnã.

11 – Danny Glover


O ator estadunidense Danny Glover é embaixador das Nações Unidas e ativista em defesa dos direitos humanos, contra a pobreza, a fome e a desigualdade racial no mundo. Além de ser ligado a centrais sindicais dos Estados Unidos, também é crítico ferrenho do Banco Mundial.

No ano de 2015, em meio à discussão a respeito do Projeto de Lei (PL) 4330 no Brasil, que permite a terceirização de todos os setores de uma empresa, Danny Glover posou para uma foto na qual segura um cartaz onde se lê “STOP PL 4330”, manifestando sua rejeição à proposta, em evento da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em São Paulo.


Glover já foi detido em duas ocasiões. Ambas elas em manifestações. A primeira em 2004, quando protestava contra o governo sudanês em frente à embaixada do país, em Washington, e em 2010, por desobedecer ordens policiais enquanto protestava diante da sede da multinacional francesa da área de alimentos Sodexho. A companhia é acusada de práticas abusivas contra empregados e más condições de trabalho.

12 - Sean Penn


Um dos atores mais premiados do mundo, o ex-marido de Madonna nunca teve medo de expor suas opiniões políticas. Sean criticou ferozmente, em anúncios pagos, o governo George W. Bush. Foi também um dos mais fortes opositores da invasão do Iraque em 2003, chegando a visitar o país semanas antes do início da operação militar. Ele foi defensor de Hugo Chávez, participando de suas campanhas de reeleição e também do seu funeral. E foi para o então presidente da Venezuela que ele foi pedir ajuda para libertar dois alpinistas presos no Irã.

Sean também abraça causas humanitárias e os direitos civis. É a favor do casamento gay e se envolveu com esforços humanitários após o furacão Katrina e o terremoto no Haiti, onde ficou por um tempo vivendo junto aos desabrigados em um acampamento que ele montou. Além disso, posicionou-se em relação às discussões da última Conferência Internacional sobre o Clima (COP21), em Paris.

13 – Charles Chaplin


O bigode aparado em forma de quadrado é a marca registrada de Carlitos, o personagem mais famoso de Charles Chaplin. A questão é que esse mesmo bigode, usado pelo cara que fez (e ainda faz) muita gente rir, é também a principal característica física de Adolf Hitler, aquele que até hoje é considerado um dos homens mais terríveis da história. Mas embora causem reações tão diferentes nas pessoas, o bigode os tornavam pessoas muito semelhantes (fisicamente, claro).

E tal semelhança física inspirou a ideia que deu origem ao filme “O Grande Ditador”.  Chaplin resolveu usar esta semelhança para atacar Hitler quando soube da política de opressão racial que o governante estava implementando na Alemanha. No filme de Chaplin, um barbeiro judeu com amnésia tem aparência semelhante à do ditador Adenoid Hynkel – representação de Hitler –, o que faz ambos trocarem de postos em uma confusão.


Os dois personagens são interpretados pelo diretor, que satiriza a ascensão de lideranças autoritárias daquela época, como Hermann Göring, líder do partido nazista; Joseph Goebbels, ministro da propaganda nazista na Alemanha; e Benito Mussolini, líder fascista na Itália. A obra foi então usada como veículo de propaganda anti-nazista, pois na época em que o filme foi lançado, a Inglaterra (país de origem do ator) e a Alemanha estavam em guerra.

Adolf Hitler baniu “O Grande Ditador” da Alemanha e de todos os países que estavam sob seu controle. Entretanto, por curiosidade, solicitou uma cópia do filme, para que pudesse assisti-lo e o próprio Chaplin o enviou ao líder nazista. O filme foi exibido em um cinema militar alemão, em substituição a uma comédia, sem que o público soubesse. Quando se deram conta do filme que estavam assistindo, parte dos soldados alemães disparou em direção à tela e outra simplesmente deixou o local. As informações são do livro A História Bizarra da 2ª Guerra Mundial (Planeta, 2015), do jornalista Otavio Cohen.

O Partido Nazista decretou Chaplin como inimigo da Alemanha e tentou impedir que a população visse o filme, dizendo que a obra "transformava o Reich num circo de personagens excêntricos e bobos".

Além disso, “O Grande Ditador” foi banido na Espanha até a morte do ditador Francisco Franco, em 1975 e na Itália todas as cenas em que a esposa de Napaloni é vista foram cortadas, em respeito à viúva de Benito Mussolini, Rachele. A versão completa apenas pôde ser exibida em 2002.

14 – Marieta Severo


Pressionado pela ditadura, o cantor e compositor Chico Buarque, seu marido à época, se exilou na Itália em janeiro de 1969. A atriz o acompanhou e permaneceu por lá até março de 1970. Após o golpe de 1964, Marieta participou ativamente de assembleias e passeatas. No período, ela e Chico recebiam ameaças constantemente.

15 – Bete Mendes


A atriz Bete Mendes tem um currículo extenso. Interpretou personagens em dezenas de peças de teatro, cerca de dez filmes e mais de 40 novelas e minisséries na televisão. Mas não precisou interpretar nenhum personagem para participar, há mais de 30 anos, de um momento decisivo na história do país. Na manhã de 15 de janeiro de 1985, uma terça-feira, Bete estava no Congresso Nacional. Foi dela, então deputada federal pelo PT, um dos 480 votos que elegeram presidente o ex-governador de Minas Gerais Tancredo Neves (PMDB), candidato de oposição.

O currículo político de Bete vale como resumo da história recente do Brasil. Antes da eleição indireta, enfrentou a ditadura e apoiou as históricas greves do ABC Paulista. Vários fatos tornaram Bete Mendes a musa da oposição à ditadura. Filha de militar, ela se negou a cantar o Hino Nacional na escola, já em abril de 1964. Foi suspensa. Engajou-se, aos 19 anos, no grupo de esquerda Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (Var-­Palmares). Pelos companheiros, era chamada por codinomes. Já os telespectadores da novela a conheciam como a apaixonada Renata. Foi quando passou pela primeira de duas prisões. Numa delas, foi torturada. Ela reconheceria o algoz anos depois, já deputada federal. Numa visita ao Uruguai, em 1985, descobriu que o torturador ocupava o posto de adido militar da embaixada do Brasil. Era o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, também responsável por torturar a ex-presidente Dilma Rousseff.

Print Friendly, PDF & Email

Mais publicações que podem te interessar Mais do autor