12 motivos pelos quais nossos liberais estão mais para conservadores

No Brasil o jurássico liberalismo voltou a ser moda, mas não se deixe enganar: a maioria daqueles que usam essa "nova" roupagem é para esconder algo muito mais antigo: o seu conservadorismo.

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Nos anos 2000, a estabilidade econômica viabilizada por um governo de esquerda fez o discurso liberal perder força nas terras tupiniquins. Os adeptos desse proselitismo precisaram aguardar o término do mandato de Lula à frente da presidência do Brasil para tentarem aproveitar a lacuna deixada pela saída de um grande líder popular e voltarem a buscar espaço no cenário político nacional. Essa oportunidade veio quando Dilma Rousseff assumiu o comando do país. E a direita, obviamente, não deixaria passar.

Explorando ao fundo a oportunidade de fazer oposição a uma presidente considerada keynesiana e com bem menos prestígio e bagagem que seu antecessor, o discurso neoliberal travestido com uma nova “roupagem”, de fato, acabou ecoando pelos quatro cantos do país. No entanto, ao analisarmos com calma os principais expoentes propagadores dessa ideologia, percebemos que de liberal eles não têm quase nada, pois alguns think tanks nacionais (autointitulados “liberais”) parecem desconhecer que o liberalismo se baseia na defesa da liberdade contra a intervenção estatal na vida do indivíduo. Saiba agora porquê.


1 – São contra o direito ao aborto

Não me esquarteje, aspire, estoure o cérebro, triture e/ou me mate com um veneno.

Posted by ILISP – Instituto Liberal de São Paulo on Thursday, December 1, 2016

O Movimento Brasil Livre (MBL) e o Instituto Liberal de São Paulo (ILISP) posicionaram-se contra o direito de abortar, imediatamente, após o STF, no ano passado, considerar que um caso específico de aborto realizado com três meses de gestação não é crime.

Decisão que descriminaliza aborto pode cair.

Posted by MBL – Movimento Brasil Livre on Tuesday, November 29, 2016

Além disso, o colunista da revista IstoÉ Rodrigo Constantino e o Instituto Liberal – instituição da qual é presidente – também sempre fizeram questão de deixar bem claro suas posições favoráveis à proibição do aborto.

Aborto não pode ser dividido de forma simplista entre “liberais” e “conservadores”


2 – Não se posicionam a favor da legalização das drogas

Fundado em 2011, o Partido Novo é o primeiro partido de viés claramente “liberal” criado no Brasil desde a extinção da velha União Democrática Nacional (UDN). Mas, segundo João Dionisio Amoêdo, presidente e idealizador do partido, nas questões comportamentais, como o aborto e a liberação da maconha, o Novo prefere não se posicionar. Certa vez, chegou até a dizer que é muito bem vinda em seu partido qualquer pessoa que apoia as bandeiras econômicas do Novo, independente de seu posicionamento pró ou contra aborto ou drogas.


3 – Apoiam o autoritarismo estatal

Rodrigo Constantino e seu Instituto Liberal também são defensores explícitos de regimes militares sob a justificativa de que eles evitaram “ditaduras comunistas”. Defesa, que na verdade, não passa de uma sociopatia e um medo exacerbado pela perda de privilégios que as reformas de base de João Goulart e Salvador Allende poderiam acarretar. Reformas estas que inclusive já foram feitas pelos países mais desenvolvidos do globo.

Ademais, mesmo que a implantação de outra tirania realmente estivesse em curso no Brasil e no Chile, jamais um liberal defenderia uma ditadura para evitar outra. Pra citar um liberal, Benjamin Franklin dizia assim: “aqueles que sacrificam sua liberdade em troca de segurança não terão, nem merecem ter, qualquer uma das duas”.

Ainda: com o AI-5 – o pior momento da ditadura – a PM passou a servir como braço auxiliar do Exército em sua política de repressão. Tal violência indiscriminada empregada pela instituição, sobretudo em áreas mais pobres, é herança desse período. Curiosamente, essa postura ostensiva perpetrada até os dias atuais conta com o apoio do MBL e de Rodrigo Constantino.


4 – Apoiam projetos de censura como os do “Escola Sem Partido”

Os primeiros Projetos de Lei baseados no movimento “Escola Sem Partido” foram elaborados em conversas dos irmãos ultraconservadores Bolsonaro, Flávio e Carlos (atualmente ambos no PSC) com Miguel Nagib e propostos em 2014.

Atualmente 11 PL’s tramitam em âmbitos estaduais (um já aprovado em Alagoas), diversos em municípios e há, também, em escala federal, um proposto em 2015 pelo deputado federal Izalci Lucas (PSDB-DF), que já teve parecer favorável na comissão permanente da câmara dos deputados. Em abril do ano passado, a Assembleia Legislativa de Alagoas derrubou o veto do governador e aprovou o PL que proíbe os docentes de emitirem opinião em sala de aula, proposta similar a que tramita na câmara dos deputados.

Na prática esses projetos propõem uma educação descolada da sociedade. O professor deixa de debater temas delicados e se presta apenas a transmitir o conteúdo didático de forma mecânica e automatizada, sem trazer reflexão e análise destes para formação dos alunos como cidadãos. Além disso, estabelecem que temas como gênero, política, homofobia, machismo, raça, religião e notícias de jornal sejam proibidas em sala de aula, isto é, tudo que envolve o aluno para além da classe não pode ser debatido, pois, de acordo com a proposta, cabe à família a exclusividade da formação crítica social desses temas. E o pior é que há movimentos e sites, que se dizem defensores da liberdade, apoiando esses projetos.

E ainda tem gente que é contra o Escola Sem Partido…

Escola Sem Partido – Uma Demonstração Prática


5 – Apoiam Trump

O presidente estadunidense Donald Trump elegeu-se ostentando posições extremamente protecionistas e antiglobalização, bandeiras estas totalmente contrárias ao liberalismo. Seu discurso de ódio, no entanto, fez saltar a veia conservadora de alguns de nossos “liberais”, como Kim Kataguiri e Rodrigo Constantino, que demonstraram apoio a um republicano preconceituoso, homofóbico, racista, xenofóbico e machista.

http://rodrigoconstantino.com/artigos/5-razoes-para-votar-em-trump/

DEBATE! O tema agora é eleições americanas!De um lado, Fernando Holiday, Pedro D'Eyrot e Renato Battista defendem…

Posted by MBL – Movimento Brasil Livre on Monday, November 7, 2016


6 – Apoiaram Crivella

No segundo turno das últimas eleições municipais do Rio de Janeiro, a disputa ficou entre Marcelo Freixo, candidato que defende causas libertárias como as legalizações do aborto e das drogas, e Marcelo Crivella, bispo de uma igreja ultrafundamentalista, contrário a todas essas pautas, que já atacou a homossexualidade, classificando-a como um “terrível mal” e certa vez declarou que as mulheres devem ser submissas aos homens. Mas por incrível que pareça, ainda assim, os nossos liberais optaram por ficar do lado do candidato da Igreja Universal, como vocês podem conferir nos links abaixo:

Hoje aconteceu o último debate dos candidatos à prefeitura do Rio de Janeiro. De um lado um fundamentalista religioso…

Posted by ILISP – Instituto Liberal de São Paulo on Friday, October 28, 2016

Após diversos pedidos por inbox na página, destacamos nosso batalhão de operações especiais para evitar que falte papel…

Posted by MBL – Movimento Brasil Livre on Tuesday, October 11, 2016


7 – Defendem e apoiam a família Bolsonaro

Temos, sim, nossas diferenças. Mas não podemos JAMAIS nos calar diante de injustiças. Hoje, o deputado Jair Bolsonaro…

Posted by MBL – Movimento Brasil Livre on Tuesday, June 21, 2016

A família Bolsonaro é famosa por ser uma grande inimiga das liberdades individuais. Forte opositora de pautas como as legalizações do aborto e das drogas, também é, na atual cena política, a maior defensora da ditadura militar.

Porém, Rodrigo Constantino, “um liberal sem medo de polêmica”, como o mesmo se define, declarou voto e fez campanha para o deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSC-RJ) durante sua candidatura à prefeitura do Rio de Janeiro, no ano passado. Já João Luiz Mauad, diretor do Instituto Liberal (o mesmo de Constantino), se declarou eleitor do pai de Flávio, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ).

Quando o mesmo Jair Bolsonaro se tornou réu, no ano passado, em duas ações penais no Supremo Tribunal Federal (STF) por injúria e apologia ao crime de estupro por afirmar no plenário da Câmara dos Deputados, em 2014, que a também deputada federal Maria do Rosário (PTRS) não deveria ser estuprada porque “não merecia”, a página do grupo MBL no Facebook, publicou um post dizendo que Bolsonaro “é vítima de fascismo censório em ação no STF”, assim como já havia feito Mário Guerreiro no site do Instituto Liberal.

Flávio Bolsonaro ao lado do coronel filiado ao PSL Pedro Chavarry Duarte, em duas ocasiões diferentes.

Também em 2016, o coronel reformado da Polícia Militar Pedro Chavarry Duarte, de 62 anos, que em 2014 concorreu a deputado federal pelo Partido Social Liberal (PSL), foi preso após ser encontrado em um carro com uma criança de 2 anos nua. Esse militar já foi flagrado não apenas uma, mas duas vezes ao lado do deputado estadual (PSC-RJ) Flávio Bolsonaro, o que revelou uma relação estreita entre os dois.

Se eleitores do Índio da Costa migrarem para Flavio Bolsonaro ele vai para o segundo turno

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http://rodrigoconstantino.com/artigos/votaria-em-bolsonaro-mas-nao-para-presidente-ou-cada-macaco-no-seu-galho/

Em defesa de Jair Bolsonaro

Congresso em Foco –  MBL defende Bolsonaro e diz que decisão sobre apologia ao estupro foi injusta 


8 – São contra o movimento feminista

Feminismo é um conjunto de movimentos políticos, sociais, ideologias e filosofias que têm como objetivo comum: direitos equânimes (iguais) e uma vivência humana por meio do empoderamento feminino e da libertação de padrões opressores patriarcais, baseados em normas de gênero. O que querem as feministas é apenas colocar a mulher em igualdade de condições em relação aos homens (isso não significa serem contra os homens). E essa é uma postura extremamente liberal – tanto que um ramo do movimento feminista é o feminismo liberal.

Embora seja um movimento que sempre lutou pela liberdade das mulheres, ele não agrada muitos dos “liberais” que por aqui habitam, como pode ser checado abaixo nos links de textos de Rodrigo Constantino e de um post da página do MBL no Facebook, escrito por um dos coordenadores do grupo, que também exalta Jair Bolsonaro:

https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=1839963839570127&id=1622682251298288

http://rodrigoconstantino.blogspot.com.br/2012/03/nao-devemos-nada-ao-feminismo.html

Por que tantas mulheres agredidas continuam com seus agressores?


9 – São anti-igualitários

Rodrigo Constantino é defensor ferrenho da abolição do programa Bolsa Família, o qual chama de esmola estatal, pois o considera um estímulo à preguiça. No entanto, mesmo Friedrich Hayek e Milton Friedman, muitas vezes citados como os maiores partidários dos ideais liberais, não acreditavam nisso. Assim como os liberais clássicos que defendiam o imposto progressivo, eles também eram a favor de algum grau de intervenção estatal para garantir o bem-estar social. Hayek, por exemplo, disse o seguinte em sua autobiografia:

“Sempre afirmei ser favorável a uma renda mínima para cada pessoa no país. Não sou um anarquista. Não sugiro que um sistema competitivo possa funcionar sem um sistema legal efetivo e formulado inteligentemente”.

Do mesmo modo, Friedman propunha um imposto de renda negativo. Ao invés de cobrar impostos dos mais pobres, o Estado pagaria uma quantia a essas famílias. Opa, mas o bolsa-família não é uma medida anti-liberal, eleitoreira e que apenas sustenta vagabundo?

Em seu “Uma Teoria da Justiça” o filósofo liberal John Rawls chega a afirmar que não há justiça no fato de alguém ser “dotado pela natureza” com maiores capacidades e consequentemente conseguir maiores rendimentos. Esse seria um rendimento que não foi obtido pelo seu mérito, seria mais um “acaso da natureza” e que, portanto, não existiria muitos problemas em termos de justiça ou moral, na redistribuição da renda proveniente desse acaso ou mesmo ser contra a distribuição de tal renda com base nesses quesitos (aliás, pelo contrário, seria moral e justo redistribuir).

O MBL e os Institutos Liberal, Mises Brasil e Liberal de São Paulo também são contra ações afirmativas e cotas sociais e raciais. Mas segundo o pensamento liberal, para florescermos, basta podar as ervas daninhas, que cada um crescerá em sua singularidade preciosa. Portanto um liberal de verdade deve lutar para que a pobreza não seja uma externalidade que impedem os mais pobres de florescerem. É aí que políticas públicas desta natureza tornam-se necessárias. Pois uma vez que o liberalismo só pode existir onde as condições para competir são similares, para o liberal a igualdade é indispensável no ponto de partida, enquanto o socialista a considera importante no ponto de chegada.

http://rodrigoconstantino.blogspot.com.br/2009/08/ainda-o-bolsa-familia.html

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1732

https://www.facebook.com/institutoliberaldesaopaulo/posts/1844970092395135

http://rodrigoconstantino.com/artigos/cotas-raciais-a-segregacao-do-pais-como-legado-do-pt/

http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/DIREITOS-HUMANOS/505805-REPRESENTANTE-DO-MOVIMENTO-BRASIL-LIVRE-CRITICA-COTAS-DURANTE-COMISSAO-GERAL.html


10 – Defendem os “corporativistas”

Durante os governos Lula e Dilma o empresário Eike Batista foi um dos alvos preferidos dos conservadores que se autointitulam liberais. Segundo esses “liberais”, o Eike não era de fato um empresário, mas sim um representante do “capitalismo de compadrio” ou “corporativista”, por ter usufruído de empréstimos do BNDES.  O real objetivo era claro: deslegitimar a política externa dos governos petistas que tentavam promover os “campeões nacionais”, o que nada tinha de original, já que eles apenas tentavam imitar os países industrializados de capitalismo tardio, como é o caso da própria Coréia do Sul com suas chaebols, um país que esses “liberais” vivem citando como exemplo.

O empresário Marcelo Odebrecht foi outro que se tornou, aos olhos desses “liberais”, um corporativista, mais um que serviu para a narrativa de que no Brasil “não existe capitalismo de verdade” devido a relação promíscua entre o Capital e o Estado (o que ocorre em todos os países do mundo, é bom frisar). Nessa narrativa de capitalismo “puro”, idealizado, que existe apenas nos manuais do liberalismo teórico, a real intenção era tentar atingir os governos petistas.

Com a eleição de Doria na cidade de São Paulo, esse discurso, que está mais para a falácia do escocês de verdade, desapareceu da boca dos “liberais” tupiniquins. Pouco importa que Doria nasceu em berço de ouro e seja um herdeiro de senhores de engenho que exploraram trabalho escravo, típicos representantes  do nosso capitalismo oligárquico e “de compadrio” (genealogia da família Doria aqui).  Pouco importa que Doria seja um “empresário” que aumentou seu patrimônio usando o Estado, ou seja, um autêntico “corporativista”, que eles dizem condenar.

Para eles Doria é um homem bom, que apenas quer o bem de São Paulo, por ter “investido na própria campanha” e por ter dito que abrirá mão do seu salário de prefeito, o que eles chamariam de demagogia ou populismo caso fosse um  político de esquerda ou que eles consideram de esquerda. Um dos preceitos básicos que sustenta a ideologia liberal, o “homo economicus”, o maximizador racional, que age apenas visando seus próprios interesses, agora não serve mais para explicar o mundo, e tampouco as reais intenções do Doria no controle da máquina pública de uma metrópole. O ceticismo que dizem ter em relação aos políticos desapareceu. A suposta repulsa em relação ao “capitalismo de compadrio” se revela um teatro, cujos atores fazem cara de indignação em apenas determinados governos.

E vão além, se prestando a serem relações públicas praticamente oficiais de Doria em suas mídias e blogs, como fizeram os “liberais” subcelebridades de Facebook Rodrigo da Silva e Renata Barreto.

Não é coincidência que as melhores ideias de João Doria até aqui tenham sido justamente aquelas que não custaram nada…

Posted by Spotniks on Tuesday, January 24, 2017


11 – Pensam que a religião é um dos fundamentos do liberalismo


É bem verdade que o filósofo liberal John Locke defendeu a tolerância a partir do ideário cristão. Mas a posição dele era bastante curiosa: por exemplo, os católicos não deveriam ser tolerados, apenas os protestantes (!). Ateus, então, nem se fale: não eram sequer dignos de confiança. Mas é importante dar um desconto pro sujeito: foi um dos primeiros a escrever sobre a ideia de tolerância religiosa, no meio de uma guerra sangrenta entre católicos e protestantes, depois de viver a vida inteira em um mundo concebido religiosamente. E isso tudo em 1689.

Mas a posição lockeana foi depurada ao longo dos últimos 4 séculos de modo a conceber a tolerância religiosa e a separação entre igreja e Estado como princípios institucionais, não religiosos. Tanto é assim que o filósofo liberal John Rawls sustentou, em sua obra “O Liberalismo Político”, que o fundamento racional das instituições políticas deve ser independente em relação a fundamentações lastreadas em uma concepção de bem (o termo filosófico usado por ele para designar uma concepção filosófica ou religiosa de mundo).

Isso sem falar que o liberalismo é a crença de que o ser humano tem riquezas intrínsecas, únicas a cada indivíduo, que – se retirarmos os entraves externos (o que inclui a Igreja) – se desenvolvem ao máximo. Então não pode haver repressão por parte da Igreja, nem mesmo indução.

Contudo, no tocante à religião: Rodrigo Constantino sustenta que Estado laico não é Estado antirreligioso. E não é mesmo. Mas, para ele, retirar crucifixos de órgão público é sinal de antirreligiosidade. Não é; é sinal de que o Estado laico não abraça qualquer forma de religiosidade por tolerar todas, e preferir uma ou um conjunto de crenças em relação às outras seria um claro sinal de intolerância em relação a minorias. Por isso, aliás, a Suprema Corte dos Estados Unidos – aquele país onde fica a Miami adorada por Constantino – proíbe, em escolas públicas, orações públicas (Engel v. Vitale), ou que se leia a Bíblia (Abington School District v. Schempp), ou, ainda, que repartições públicas montem presépios (Allegheny County v. ACLU). Que país antirreligioso, esse, não?

Em maio do ano passado, o MBL, por sua vez, encontrou nas bancadas ruralistas e evangélicas (duas das mais conservadoras do país) seus principais aliados na luta pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff. Segundo o movimento, esses comparsas estariam comprometidos com uma agenda mais liberal para o país (seja lá o que eles queriam dizer com isso).

Do estado laico ao antirreligioso


12 – São contra os direitos LGBT

Como já deve ser previsível a esta altura do texto, Rodrigo Constantino (sempre ele!) também é contra a criminalização da homofobia, o ensino de gênero nas escolas e o casamento homoafetivo. Já Fernando Holiday, um dos líderes do MBL, vereador eleito em São Paulo, se posicionou a favor da extinção das secretarias da prefeitura de São Paulo voltadas para a promoção da igualdade racial e também a que atende a população LGBT.

http://rodrigoconstantino.blogspot.com.br/2011/05/ditadura-cor-de-rosa.html

A liberdade é indivisível. Ou: precisamos salvar o liberalismo dos pseudo-liberais

Vereador eleito em São Paulo, Fernando Holiday, defende fim de secretarias para negros e LGBTs


Conclusão

Diante de todas essas posições assumidas pelos “liberais brasileiros”, fica claro que eles fazem uma confusão entre anti-esquerdismo, anti-estatismo, conservadorismo, machismo, preconceito, autoritarismo moral e político com liberalismo, pois sempre quando lhes foi conveniente, esses pseudoliberais nunca hesitaram em basear suas convicções nos famigerados “valores morais e bons costumes”, além de defenderem Bolsonaros, militarismo, fundamentalismo, censura e até golpes de Estado.

Fica evidente que no Brasil, na maioria dos casos, o liberalismo, quando não é usado como pretexto por grupos que são pagos para ajudar a manter o status quo, não passa de uma máscara usada pelos conservadores numa tentativa de parecerem mais “descolados”, para assim seu discurso retrógrado ter mais aceitação, ao mesmo tempo que fica mais difícil de ser combatido pela confusão que cria. ♦

*Colaboração de Jorge Charon (item 10).

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Cuidado com quem se diz “liberal”: é grande a chance de ser uma farsa

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