Breve história do “Coisa Ruim”: uma combinação de várias culturas

O diabo, como descrito pelo cristianismo, na verdade é uma mescla de mitos de várias civilizações antigas como a persa, a babilônica e a assíria.


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“Com tudo isso, meus amigos, será um dia de ‘desgraça’ para nós se aquilo a que os humanos se referem como ‘religião’ desaparecer da Terra, pois ela ainda pode nos fornecer pecados extremamente saborosos. A fina flor da profanação só pode crescer se for plantada perto do Sagrado. Em nenhum lugar a nossa tentação é tão bem sucedida quanto nos próprios pés do altar”.

Do demônio Fitafuso, em “Cartas de um diabo ao seu aprendiz”, de C.S.Lewis

Às vezes, em alguns ambientes religiosos, ele é quase tão mais falado do que o próprio Deus que dizem servir. Há aqueles que dizem ser seus seguidores ou admiradores. Pipocam por alguns fóruns teorias sobre a evolução até a configuração cristã clássica de sua imagem. Muitas delas são chutes.

Jesus sendo desafiado pelo diabo em “Tentação de Cristo”, de Ary Scheffer (1854).

Propomos uma aventura por uma brevíssima recapitulação da história da emergência do conceito da figura conhecida como o Diabo. A ideia aqui não é entrar no debate sobre a existência do ente, a natureza desta existência ou do ser ou não-ser. Mas enquanto fenômeno no mundo humano, social e cultural. Vamos ver um pouco como se constituiu na matriz do cristianismo e do imaginário judaico antigo – muito mais polimórfico e multifacetado do que geralmente se imagina.

Até um tempo atrás se julgava que foi algo nascido na interação com o Império Persa, sob influência da religião de Zoroastro, que advogava dois polos ontológicos fundamentais, duas forças volitivas em um conflito cósmico permanente. Hoje tal visão está superada, ainda que se tenha em mente a contribuição forte deste sistema religioso.

O povo hebreu (bem antes do judaísmo) ia constituindo seu ideário religioso a partir de experiências de visionários, da experiência e tradições coletivas do povo, em influência de interações complexas do seu meio circundante. Em grande parte queria contrastar com as noções e referenciais dos vizinhos, sobretudo rivais, contudo, retrabalhava-nas. Decerto, era forte a pressão por assimilações de povos muitas vezes mais estruturados e organizados, de grandes nações e impérios com mitologias e religiões exuberantes e elaboradas que davam sentido às organizações sociais.

Hoje temos meios extremamente mais férteis do que no passado próximo para compreendermos cenários primordiais deste processo, através de muitos documentos dos povos do Oriente Próximo, como os textos de Ras Shamra, os manuscritos ugaríticos de Marzēah, os selos de Tell Asmar, o Tratado de Enuma Elish, etc.

“O diabo na curva, no meio do redemunho…” – Grande Sertão: Veredas

Diversos mitos versavam sobre o conflito da divindade mais proeminente do imaginário vencendo forças mais antigas do caos.

Uma muito influente fora a vitória de Baal contra Leviatã, a serpente que aparece em alguns achados representada com sete cabeças; ou contra Yam (ou o “Juiz Nahar“), o mar, o deus da destruição, ou contra “Mot“, rei das profundezas da morte, em que Baal desta forma consegue escapar da sua morte como destino final e passa a ser doador da vida. Baal era um vistoso guerreiro, inferior no panteão à figura anciã sábia de El, que sob uma outra forma, era cultuada pelos hebreus, se mesclando com YHWH, havendo ainda a controvérsia sobre a origem geográfica do nome e figura de YHWH[1]. Baal desafiou a serpente do caos primordial e da morte. Vitorioso, passou a ser aclamado como grande divindade, doadora da vida.

Marduk contra o monstro do caos Tiamat.

Em outras fontes, interagindo com outras figuras religiosas poderosas como Gilgamesh (um rei terrível e poderoso que centralizou o poder na Suméria), uma imagem similar a Leviatã aparece como Tiamat ( caldeus – vencida por Marduk ), Rahab, etc. É impressionante o quão vasta é esta marca no inconsciente coletivo humano, espalhado por tradições em diversas regiões, como milenarmente na Índia, com a vitória de Indra sobre a serpente Vishnu. Elites sacerdotais usavam esse apelo para legitimar a ordem aristocrática e centralizações monárquicas.

Contudo, pode-se conceber uma controvérsia na mentalidade hebreia, de onde se reformatou a ideia dos vizinhos: o fator mais constrangedor seria que sua divindade era anterior a qualquer outra, sendo assim, ficaria embaraçoso conceber que se revoltou contra seres malignos anteriormente mais poderosos. Desta forma, se inverteu, e estes seres, poderosos mas inferiores, ora aparecem como insurretos subjugados, ora como vencidos e dominados por El/YHWH no ato de dar forma e ordem ao mundo criado (concomitante, na busca de estabelecer sua identidade própria por contraste com os rivais, a cultura israelita foi associando algumas das divindades principais rivais – também devido às práticas de culto que eram condenadas pela ética israelita – com os próprios seres insurgentes). Isto evoluía conforme a ideologia da ordem política e social monárquica também se centralizava.

Alguns exemplos:

Traçou um círculo à superfície das águas, até aos confins da luz e das trevas. As colunas do céu tremem e se espantam da sua ameaça. Com a sua força fende o mar e com o seu entendimento abate o adversário. Pelo seu sopro aclara os céus, a sua mão fere o dragão veloz.

Jó 26, 10- 13

Dominas a fúria do mar; quando as suas ondas se levantam, tu as amainas. Calcaste a Rahab, como um ferido de morte; com o teu poderoso braço dispersaste os teus inimigos.

Salmo 89, 9-10

Por acaso não és tu aquele que despedaçou Rahab, que trespassou o Dragão?

Isaías 51.9,10

Tu, com o teu poder, dividiste o mar; esmagaste sobre as águas a cabeça dos monstros marinhos. Tu espedaçaste as cabeças do Leviatã e o deste por alimento às alimárias do deserto. Tu abriste fontes e ribeiros; secaste rios caudalosos. Teu é o dia; tua, também, a noite; a luz e o sol, tu os formaste. Fixaste os confins da terra; verão e inverno, tu os fizeste.

Salmo 74.13-17

Se estabeleceu então na religião hebreia essas figuras poderosas, mas inferiores à sua Divindade. Se temia, sobretudo pela associação com o mar, de onde provinham muitos impérios conquistadores. Mas a concepção de um estreito interesse com a vida humana era remota ainda.

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“Fique tranquilo; meu amor por você e o seu amor por mim são idênticos. Eu sempre quis o seu bem, assim como você, tolinho, sempre quis o meu. A diferença é que eu sou o mais forte. Acho que agora eles farão com que você seja meu; ou pelo menos um pedaço de você. Se eu amo você? Ora, claro. Tanto quanto as apetitosas guloseimas com as quais já me fartei”.

Do demônio Fitafuso para o sobrinho Vermebile, em “Cartas de um diabo ao seu aprendiz”.

Como muitos imaginários de seu contexto geocultural, os israelitas antigos concebiam o mundo habitado por espíritos não-humanos, seres sobrenaturais de caráter diversos. Alguns, como nosso caipora, caboclo d’água, curupira, armavam emboscadas em bosques, beiras de rios, na escuridão, etc. (como na raiz da lenda da luta de Jacó com o ser divino em Gênesis 32,24; ou quando Moisés quase é morto por uma obscura figura divina em Êxodo 4,24).

Abstraindo sobre o que já foi abordado: as pessoas articulam seus sistemas simbólicos sobre as realidades espirituais, transcendentes, sobrenaturais, mediadas pelo impacto conotativo e carga semântica na representação de seres, fenômenos e ideias de nosso mundo, e pelas impressões que lhes são impostas na vida, no mundo social, na própria natureza. Assim, muito popular entre os israelitas também era a ideia de “corte celestial”, sua divindade como Rei. Por exemplo, em expressões de “buscar a face” do Senhor (Adonai), a ideia é tomada da busca de se ter audiência com os reis e serem atendidos por eles. O próprio termo “El” entre os hebreus às vezes era usado na acepção de uma mescla do Rei divino e a corte (Elohim). Nesta corte atuaria um Promotor, um Acusador, que era um destes espíritos dos quais falamos acima; era adversário declarado dos humanos (“evoluiu” para esse papel a partir de outra representação mais primitiva, na qual era um membro da corte encarregado de tarefas, digamos, “menos nobres”). O nome com o qual mais se sagrou foi “Ha Satan”, O Adversário.

Confira também
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Sob influência persa, o que se incrementou, então já no judaísmo (pois as tribos israelitas do norte foram deportadas pelo Império Assírio nas décadas finais do século VIII a.C. e perderam-se na história, permanecendo o reino do Sul, Judá – para o qual houve uma certa migração de refugiados do Reino do Norte no período imediatamente antecedente -, mesmo com a deportação pelo Império Babilônico nos inícios do século VI a.C.; a tribo de Judá e juntamente, em boa parte, a de Benjamim, permaneceu coesa em diversas partes do Oriente Próximo e muitos na sua terra, com um retorno de relativo vulto sob o Império Persa a partir da antepenúltima década do século VI, numa política de repovoamento sob vassalagem imperial), foi que as antigas formas monstruosas do caos passaram a ter um papel maior na vida humana, na história. Tornaram-se as senhoras de um mundo sombrio, para onde iriam pessoas desertadas de Deus; e passaram a atuar também como adversárias do projeto de Deus para Israel.

Já de um processo anterior se desenvolveu a ideia de que povos tinham um Guardião cósmico, e o povo de Israel tinha o Anjo Miguel (Mikha’El).

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“O Senhor vê? O que não é Deus, é estado do demônio. Deus existe mesmo quando não há. Mas o demônio não precisa existir para haver – a gente sabendo que ele não existe, aí é que ele toma conta de tudo” – Riobaldo, em “Grande Sertão: Veredas”.

Belial Baal (que teve grande poder simbólico no antigo reino de Israel, do Norte) se tornaram os nomes mais populares e difundidos para a grande Força do Caos. Superior em hierarquia com Ha Satan, aos poucos foram se fundindo. Temos, dos tempos de Jesus, documentos mais antigos preservados entre a Seita do Mar Morto, cuja biblioteca em Qumran fora uma das maiores descobertas da história da arqueologia, que nos legam textos em que interagem as crenças em Belial e Ha Satan, ambos por trás das forças das guerras dos impérios opressores odiados (especialmente o romano) – em especial, “Manuscritos da Guerra”, da Biblioteca de Qumran, capítulo 13.

Com a ideia de Belial e Ha Satan se fundindo, temos aí um grande ser do mal, com um caráter de trazer o caos na criação e no mundo, a opressão na geopolítica e inimigo de cada ser humano, atuando para destruir sua vida e lhe buscando afastar da comunhão com Deus, ideia já desenvolvida nos tempos da origem do cristianismo. Onde também veio ganhando corpo outra dimensão extra para o ser maligno, que evoluía junto com uma visão fatalista para com as estruturas sociopolíticas e econômicas do mundo.

Um assunto extenso seria traçar aqui a polêmica no judaísmo quanto a relação entre a divindade transcendente ao mundo com o próprio mundo. Deus seria tão “outro” em relação a este mundo que, como pensar sua atuação no mundo sem comprometer sua transcendência se tornou um dilema. De fato, o judaísmo caminhara para uma concepção monoteísta de caráter muito mais acentuado do que nos tempos mais antigos e mais ainda no período que o antecedeu, na religiosidade hebreia e israelita.

Uma das respostas (precisaríamos de um bom estudo só para apresentar várias destas respostas, mas recomendamos o trabalho de Alan F. Segal, “Two Powers in Heaven: Early Rabbinic Reports about Christianity and Gnosticism“) foi salientar o papel dos anjos. Eram mensageiros e agentes com uma “procuração” divina, atuando para implementar a vontade de Deus no mundo e auxiliar os homens nos propósitos divinos. Mas, diante da constatação do caos e maldade no mundo, uma “ovelha má” na família angelical se fez indispensável: o arquirrival de Miguel (ou Gabriel ou Rafael – que aparecem ora com menor destaque, ora com grande destaque mas em menos documentos), o anjo renegado Samma’el. Um anjo que se rebelara contra Deus, arrastara muitos consigo e se prepara para o grande combate final cósmico (como consta na literatura judaica do tempo das origens cristãs – Jubileus 23,29; Assunção de Moisés 10,1).

Assim, vemos alternando entre estes papéis o nome de Belial, Ha Satan, e posteriormente (com menos aparições em documentos cristãos) Samma’el, para serem fundidas sua características.

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A queda de Lúcifer em “Paraíso Perdido”, de Gustave Doré (1865).

Como testemunho atestando as raizes antigas das quais brotaram este imaginário, podemos ver nas passagens que falam da queda espiritual, política e histórica de alguns grandes reis. Da onde proveio o termo “Lúcifer”, Filho da Luz. Filho da Luz era o nome dado a Vênus – o qual era imaginado ser uma das estrelas. E era comum os reis se associarem a astros, sendo Vênus um nome auspicioso. E o duplo sentido, o sentido cósmico e espiritual presente como alusão nesta epopeia de queda do rei soberbo, pode ser compreendido em que, literariamente, estas passagens são intimamente ligadas à literatura chamada “apocalíptica”; literatura na qual, como vemos ilustrado no livro “Apocalipse” do cânon do Novo Testamento (temos muitos “Apocalipses” no judaísmo contemporâneo de então, bem como presença marcante nos livros veterotestamentários de Ezequiel, Daniel, Joel, algumas passagens em Isaías, etc.), os traços das batalhas dos poderes cósmicos por trás do palco da história humana é marca característica.

Desta forma mestres cristãos dos primeiros séculos viram nesta passagem uma ilustração da queda do Demônio enquanto um Anjo especial que se revoltou contra Deus, crença já se firmando sem a dependência delas.

Filho do homem, levanta uma lamentação sobre o rei de Tiro, e dize-lhe: Assim diz o Senhor DEUS: Tu eras o selo da medida, cheio de sabedoria e perfeito em formosura.

Estiveste no Éden, jardim de Deus; de toda a pedra preciosa era a tua cobertura: sardônica, topázio, diamante, turquesa, ônix, jaspe, safira, carbúnculo, esmeralda e ouro; em ti se faziam os teus tambores e os teus pífaros; no dia em que foste criado foram preparados.

Tu eras o querubim, ungido para cobrir, e te estabeleci; no monte santo de Deus estavas, no meio das pedras afogueadas andavas.

Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniqüidade em ti.

Na multiplicação do teu comércio encheram o teu interior de violência, e pecaste; por isso te lancei, profanado, do monte de Deus, e te fiz perecer, ó querubim cobridor, do meio das pedras afogueadas.

Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; por terra te lancei, diante dos reis te pus, para que olhem para ti.

Ezequiel 28:12-17

Como caíste desde o céu, ó estrela da manhã, Filho da Aurora! Como foste atirado à terra, subjugador das nações!

E no entanto, dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e na montanha da Assembléia me assentarei, nos confins do norte.

Subirei sobre até o céu, e serei semelhante ao Altíssimo.

E contudo foste precipitado ao Sheol, ao mais profundo do abismo.

Os que te virem te contemplarão, considerar-te-ão, e dirão: É este o homem que fazia estremecer a terra e que fazia tremer os reinos?

Isaías 14:12-16

Entremeado a esta passagem de Isaías, vê-se o pano de fundo de antigas tradições, constando com uma antiga divindade de sistemas históricos caananitas: Shahar = Aurora, e disputas por poder na corte da divindade máxima do panteão, El, que culminou com o desdouro do desafiante sacrílego no mundo da morte. A memória destas sagas vem reproduzida em poemas proféticos que interpretam a vaidade e quebra do poder de um rei conquistador soberbo e de pouca consideração com os mais “fracos”.

Mas quem não quererá comprar um Mundo
Por uma simples pisadura, ou mesmo
Por outras penas… inda sendo atrozes?
Eis breve narração da empresa minha:
Que resta mais agora a vós, ó Numes,
Senão irdes entrar em plena dita?

– verso do Demônio em “Paraíso Perdido”, de John Milton

Nota

[1] Este ponto merece uma nota à parte. Há várias hipóteses na literatura acadêmica especializada para as origens histórico-culturais da figura “YHWH”. Inclusive a pronúncia é discutida se soa como “Jahvé” ou “Jahô”, sendo a segunda hipótese (que se desdobra também como “Djahú”) a mais consistente pela crítica histórica. As discussões apontam para um significado relacionado a ventos, no sentido do soprar dos ventos. Atualmente duas teorias vigoram de forma mais proemintente no debate do campo: uma aponta as origens na região entre o Egito e Seir, em direção ao Mar Morto; a outra aponta para regiões de estepes ao sul do que hoje é o Estado de Israel. A discussão é complexa e inconclusa.

Para a primeira teoria, este artigo é muito importante: SCHNEIDER, Thomas – The First Documented Occurence of the God Yahweh?

No Brasil foi lançada uma publicação que apresenta o leitor leigo a estas questões de forma acessível, leitura muito respaldada. “A Origem de Javé: o Deus de Israel e seu nome”, de Thomas Römer (que se posiciona pela segunda teoria), da editora Paulus.


Bibliografia

Anderson, James S. Monotheism and Yahweh’s Appropriation of Baal. New York: Bloomsbury, 2015. Pp. x + 147

Flusser, David. Judaismo E As Origens Do Cristianismo, V.2. Capítulo 8, “O Magnificat, o Benedictus e o Manuscrito da Guerra”. Rio de Janeiro: Imago, 2001.

Foster, Benjamin R. Before the Muses: An Anthology of Akkadian Literature. Bethesda, CDL, 2005

Kelly, Henry Ansgar. Satan: uma biografia. Rio de Janeiro: Editora Globo, 2008.

Mettinger, Tryggve. O Significado e a Mensagem dos Nomes de Deus na Bíblia. São Paulo: Ed. Academia Cristã, 2008.

Smith, Mark S. O Memorial de Deus: História, memória e experiência do divino no Antigo Israel. São Paulo: Paulus, 2006.

Sparks, Kenton L. Ancient Texts for the Study of the Hebrew Bible: A Guide to the Background Literature. Peabody, Mass.: Hendrickson, 2005.

Wray, T. J., e Gregory Mobley. The Birth of Satan: Tracing the Devil’s Biblical Roots. New York: Palgrave Macmillan, 2005.

 

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