12 estereótipos racistas dos EUA que você já viu mas não soube identificar

Eles estão na capa da Vogue com Gisele Bündchen, em desenhos animados da Disney e do "Tom e Jerry" ou em filmes hollywoodianos como "E o Vento Levou". Conheça alguns estereótipos racistas que existiram e que persistem na mídia dos EUA.

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Aviso: o texto contém imagens de referência histórica e necessárias para sua contextualização que podem ser consideradas ofensivas.

Acompanho já há algum tempo debates nas redes sociais sobre racismo e sempre surgem muitas dúvidas quanto aos estereótipos e às ofensas racistas vindas geralmente dos EUA e que não fazem parte do cotidiano brasileiro  —  pelo menos não quanto ao de uso corrente.

Conhecer esses estereótipos é obrigatório para todos aqueles que querem compreender polêmicas internacionais e perceber o racismo nas obras midiáticas americanizadas que consumimos no nosso dia a dia, bem como os que estão sendo reproduzidos pelos próprios brasileiros.

Por esse motivo, eu e meu consultor de língua inglesa e cultura midiática americana, Francisco Izzo, fizemos uma pesquisa básica em sites e artigos norte-americanos para tentarmos falar um pouco de alguns desses estereótipos de um modo bem didático, simplificado e informal.

O objetivo é popularizar a discussão em torno desses estereótipos que sempre vemos, mas não compreendemos bem e possibilitar um diálogo usando uma linguagem descomplicada. Pelo texto abordar os estereótipos mais conhecidos, certamente muitos ficaram de fora, no entanto podem ser acrescentados aqui com o tempo. Se o leitor tiver sugestões de novos termos ou estereótipos a serem pesquisados, basta avisar aqui mesmo nos comentários, ou, se preferir, entrando em contato com a Voyager ou no inbox de sua página no Facebook.

O texto foi criado originalmente para um álbum no Facebook e então publicado no Medium. Já esta versão para a Voyager foi preparada e acrescida de informações por Jorge Caronte.

1. Jim Crow

O personagem Jim Crow no desenho animado Dumbo, da Disney (1941).

Thomas D. Rice era um comediante nova-iorquino nascido no início do século XIX. Com a intenção de renovar no seu repertório, ele resolveu visitar o Sul dos EUA para buscar inspiração.  Lá, ele descobriu que era um costume dos senhores brancos comparar os seus escravos com corvos (em inglês, crow). Seus escravos, nas horas de descanso, costumavam cantar uma canção (cuja origem é desconhecida) sobre uma figura lendária chamada Jim Crow.[1]

Então, como qualquer ser humano “normal”, o comediante simplesmente teve a genial ideia de pintar seu corpo de preto e se apresentar em casas de shows onde cantava sua adaptação da música dos escravos  —  a Jump Jim Crow.

Nessas apresentações, ele incorporava o que achava ser o “típico escravo negro”: um cara burro, vestindo trapos, fazendo trapalhadas e andando de maneira boba por aí.

Isso fez um sucesso tão grande que criou todo um gênero de apresentações semelhantes  —  the minstrel show  — um “espetáculo” em que se pagava para ver diversos brancos imitando negros usando o blackface em diversas situações cômicas e estereotipadas.

Com o tempo, os brancos passaram a usar o termo Jim Crow como sinônimo para negros estadunidenses e como uma marca de como negros eram inferiores e bem menos desenvolvidos intelectualmente.

Assim essa imagem racista do Jim Crow se consolidou e se tornou um estigma tão forte que as leis de segregação racial impostas nos Estados Unidos ganharam o nome informal de Jim Crow Laws (Leis Jim Crow).[2][3]

Até mesmo a Disney, considerada uma empresa de entretenimento para toda a família, se valeu desse estereótipo, basta lembrarmos dos corvos do quarto longa-metragem de animação da empresa, o desenho Dumbo. Em 1941, quando as leis de segregação racial ainda existiam nos EUA, a Disney lançou essa animação que tinha entre os personagens corvos com os trejeitos estereotipados associados aos negros (malandros, musicais, com o sotaque típico, etc.) e cujo líder se chamava… Adivinha? Isso mesmo, Jim Crow!


2. Sambo (Coon)

Ilustração do livro “The story of Little Black Sambo” (1908).

Em 1898, quando a escravidão nos EUA já havia sido abolida e as leis de segregação já estavam sendo aplicadas, foi lançado um livro infantil chamado The History of Little Black Sambo(algo como “A História do Pequeno Negro Sambo” em tradução livre), escrito por Hellen Bannerman.

O livro foi escrito quando Bannerman estava entediada em uma viagem de trem pela Índia. Pelo visto, o tédio impediu que a autora se inspirasse na cultura local, fazendo-a preferir narrar uma história infantil geograficamente e culturalmente incoerente e com personagens negros estereotipados. Sambo, sua mãe Black Mumbo e seu preguiçoso pai Black Jumbo (nomes também considerados racistas) são negros do Sul da Índia e comem panqueca, algo que não faz parte da culinária indiana.[4]

A historinha era sobre um garoto de pele escura que tapeou um grupo de tigres famintos graças às suas habilidades  —  era felizão, sem preocupações, irresponsável, malandrão, inocente. Assim, no contexto dos EUA da segregação, rapidamente Sambo se tornou um estereótipo de criança negra.

Claro que os brancos não precisavam de um livro para pensar isso dos negros, não é mesmo? Esse estereótipo já existia associado à palavra Coon — contração da palavra racoon, que em português significa guaxinim. Isso mesmo, aquele animal pequeno, selvagem e que rouba ovos de galinhas sem ninguém perceber porque ele é bem ligeiro, esperto, etc.

Capa do álbum “Zip Coon”, de George Dixon, década de 1830.

Então, além do Jim Crow, um dos personagens que marcaram a trajetória dos Minstrel Shows (aquelas apresentações de brancos fazendo blackface que faziam um enorme sucesso citadas anteriormente) foi o Zip Coon.

Enquanto Jim Crow era um pastiche de um escravo negro sulista, Zip Coon, que foi interpretado pela primeira vez por George Dixon em 1834, era o que consideravam um “típico negro liberto do Norte”: um negro malandro que quer ostentar sua situação de liberto andando bem vestido por aí, cheio de arrogância por não “se colocar no seu lugar”, usando gírias exageradas e andando pelas cidades aplicando golpes.

Pois bem, Coon ou Sambo se tornaram sinônimos de uma ofensa racial usada para associar negros à malandragem, à preguiça; a gente que foge das obrigações, que vive fazendo graça, cantando e só quer ficar de boa comendo melancia… Mas depois a gente chega nessa parte.


3. Uncle Tom

Tio Tomás e a pequena Eva: pintura baseada no livro Uncle Tom’s Cabin, de Edwin Longsden Long (1850).

Em 1852, durante as discussões sobre o fim da escravidão nos EUA e antes da famosa Guerra Civil Americana, Harriet Beecher Stowe, uma escritora abolicionista de Connecticut, lançou o romance anti-escravista Uncle Tom’s Cabin (adaptado para o português como A Cabana do Pai Tomás).[5]

No livro, Stowe contava a história do Uncle Tom, um escravo idoso que terminou espancado até a morte por se negar a colaborar com seu dono e contar o paradeiro de escravas fugidas. No romance a intenção é de colocar Uncle Tom como um mártir, um símbolo que denuncia os maus tratos e a crueldade da escravidão.

Literatura anti-Tom: capa do livro Aunt Phillips’s Cabin, de Mary Henderson Eastman (1852).

Porém, como era esperado, o livro incomodou profundamente os brancos sulistas. Era a época de Abraham Lincoln, daquelas discussões acaloradas em torno de questões como “escravos têm alma ou não têm”, etc. Então, como resposta à obra de Stowe, surgiram vários livros tentando “refutá-lo”, que ficaram conhecidos como literatura anti-Tom.[6] Em alguns deles fizeram uma nova versão do Uncle Tom como um grande defensor da escravidão e fiel aos brancos, que prontamente entrega outros escravos e trabalha contra toda tentativa de resistência negra. Em resumo, transformaram o Tio Tom de mártir para um grande canalha.

E adivinha qual versão ficou mais famosa com a ajuda dos performers brancos usando blackface em seus minstrel shows?

Dessa forma, Uncle Tom passou a ser um modo pejorativo de chamar o negro excessivamente servil, que tenta ganhar vantagens dentro da estrutura racista sendo gentil e leal ao homem branco, uma espécie de traidor do povo negro.

Durante ataques de cunho racista no início do século XX, era comum espalharem imagens do Uncle Tom dando “conselhos” para que os negros não reagissem e fossem obedientes e dóceis para que assim não voltassem a sofrer violência. O personagem de Samuel L. Jackson em Django Livre (2012) é um claro exemplo desse Uncle Tom distorcido pelos brancos sulistas.

Também é comum usarem o termo “bojangles” para se referir a esse tipo de figura. Isso em menção ao dançarino Bill “Bojangles” Robinson, o primeiro negro a chegar na mídia e no cinema —  já que na época os negros eram representados por brancos fazendo blackface  —,  mas para isso, Bojangles fazia participações de sapateado em filmes que hoje são considerados o suprassumo do racismo e do desrespeito à imagem do negro (podem procurar pelo filme The Littlest Rebel ou A Pequena Rebelde, de 1935, estrelado pela atriz mirim Shirley Temple para se ter uma ideia).

Antes de prosseguirmos para o próximo estereótipo racista, voltemos a falar um pouco da escritora Harriet Stowe e sua obra (originalmente uma série que virou livro) que muitos dizem ter sido o estopim da Guerra Civil nos EUA, o best seller Uncle Tom’s Cabin, até para poder compreender melhor os próximos casos.

Ao abordar a escravidão no Sul dos EUA, Sowie, talvez por ser uma mulher branca de um período extremamente racista, não conseguiu evitar o racismo em sua obra, mesmo que romantizado. Isso permitiu que seus personagens negros fossem facilmente distorcidos pelos brancos sulistas, como já vimos no exemplo do Uncle Tom. Assim, seu livro, que na época foi tão vendido quanto a Bíblia tornando-se extremamente popular[7], acabou contribuindo para consolidar ou mesmo criar novos estereótipos racistas nos EUA.

Além do Uncle Tom subserviente, outros personagens do livro também acabaram se tornando caricaturas de negros, como Sam, o “happy darky” indolente e sossegado, a cozinheira Aunt Chloe, a incivilizada criança Topsy e as sexualmente objetificadas mestiças Eliza, Cassy e Emmeline. As cinco últimas personagens estão relacionadas respectivamente aos estereótipos da Mammy, da Pickaninny e da Jezebel, como iremos conferir a seguir.


4. Tia Jemima (a Mammy)

Vivian Leigh e Hattie McDaniel no filme E o Vento Levou (1939).

Mommy é o modo carinhoso de se chamar uma mãe em inglês, já Mammy é como um negro do século XIX pronunciaria a palavra “Mommy” nos estados sulistas americanos.[8]

Logo, Mammy vem das memórias e diários escritos por brancos no pós-guerra civil, onde contavam como foram felizes ao lado da escrava de casa que era “quase da família”, aquela que os amamentou, que deixava os próprios filhos de lado para cuidar deles, que não tinha vaidade nem vontades, que dedicava a vida inteira a todas essas crianças brancas maravilhosas que ela amava como se fossem os próprios filhos —  Ó, que bonito!

A descrição básica da Mammy gira em torno de uma mulher negra bem gorda, com seios enormes capazes de amamentar todas as crianças brancas do mundo, um lenço para esconder o cabelo crespo “horroroso” e uma personalidade forte, cheia de garra, mas que só serve para lutar pela família branca que ela tanto ama.

Ela é uma doméstica, nasceu para isso. Cozinha como ninguém e tem as melhores receitas. É leal, é gentil, dá dicas de limpeza, é supersticiosa, religiosa, tá sempre pronta para aconselhar as donas de casa e suas filhas  —  uma grande amiga!

Claro que por se dedicar tanto à família branca a Mammy é alguém sem pretensões, sem vida própria, assexuada e que só sabe servir e mais nada, mas o importante é usar a imagem para enfatizar uma suposta boa relação entre senhores e escravos que tenta mascarar uma relação de poder gritante rolando.

Essa imagem foi firmada no cotidiano e na cultura popular principalmente depois do lançamento dos produtos culinários da Tia [Aunt] Jemima em 1889. Os produtos, a partir de 1893, ganharam um logo que trazia uma mulher negra com todas as características já citadas aqui e a figura da Aunt Jemima se tornou referência popular rapidamente, fixando uma nova personagem na publicidade, TV e cinema. Vários musicais, séries de TV e filmes tiveram sua versão da Tia Jemima.

A marca Aunt Jemima ainda existe, mas atualmente deu uma repaginada em suas embalagens e logo para tentar dar uma aliviada na imagem estereotipada (dar aliviada = tirar o lenço da cabeça, como podem ver.)

A fixação da imagem da mulher negra como Mammy foi também usada no discurso ideológico que manteve as mulheres negras presas ao trabalho doméstico. Eram mulheres com vocação para servir e não para alcançar melhores postos ou terem maiores pretensões no mercado de trabalho. Além disso, por anos definiu o lugar da mulher negra na mídia: só aparecia na função de doméstica e conselheira da patroa, não sendo representada como nada além de uma eterna Mammy.

Hattie McDaniel, a primeira mulher negra a ganhar um Oscar por seu papel no filme Gone With the Wind ou E o Vento Levou, fez a maior parte da sua carreira interpretando Mammies no cinema. Só na década de 1930, McDaniel interpretou pelo menos 40 empregadas domésticas. Vale lembrar que o ano em que Hattie McDaniel levou o Oscar de Melhor Atriz (1940), foi também o ano em que uma pessoa negra esteve pela primeira vez em um cerimônia do Oscar sem ser para fazer faxina ou servir cafezinho…[9]

Muitas garotas propaganda nos EUA resgatam a figura da Mammy de um modo mais disfarçado, como tirando o lenço da cabeça ou algum outro detalhe  —  mas obviamente só para produtos de cozinha ou de limpeza, como ocorreu com a garota do Pinho Sol até um tempo atrás.

O equivalente masculino da Mammy / Tia Jemima é representado em produtos e na mídia como Tio Ben ou o Tio Remus (falaremos mais sobre o Tio Remus na parte do Magical Negro).


5. Golliwogg, Golly Doll e Pickaninny

Ilustração do livro “The Adventures of Two Dutch Dolls and a Golliwogg“, da escritora e cartunista Florence Kate Upton, de 1895. Florence fez uma série de livros tendo o Golliwogg como tema.

Golliwogg, Golliwog ou Golly Doll, é o nome de bonequinhos de trapo que apareciam em livros infantis no século XIX caracterizados como uma caricatura de criança negra totalmente estereotipada e com traços exagerados. Um bonequinho com blackface basicamente.[10]

Esse bonequinho criou tendência iconográfica para a criação de itens, produtos e shows que usavam blackface. E rapidamente se tornou uma ofensa racial.

Pickaninny é uma palavra adaptada de “pequenino” em português.[11] E era usada para se referir pejorativamente às crianças negras  —  aquelas que lembravam os golliwoggs ou golly dolls.[12]

Basicamente, pickaninny, golly doll e golliwog são formas depreciativas e racistas de se chamar uma criança negra, colocando-a sempre como arteira, independente, imune à dor e que não precisa de cuidados de ninguém, nem dos pais, que podem deixá-las sozinhas de boa e ir cuidar das crianças brancas dos seus patrões sem problemas.


6. Jezebel: A Mulher Negra Insaciável

A personagem de origem africana Jezebel Jet, da DC Comics: praticamente a personificação do estereótipo nos quadrinhos.

Jezebel ou Jezabel, de acordo com o Primeiro Livro dos Reis do Velho Testamento, foi uma princesa fenícia que se casou com o rei Acab de Israel, tornando-se a rainha dos hebreus. Foi também uma sacerdotisa que dizia falar diretamente com Deus. Como rainha, mostrou-se dominadora e tirana, impondo o culto ao deus fenício Baal e o sacrifício de crianças. Assim, Jezebel se tornou um símbolo bíblico de decadência, pecado, paganismo e, por sua beleza e sensualidade, luxúria, enquanto seu nome passou a denominar demônios femininos.[13]

A morte de Jezebel, de Gustave Doré (1865).

Inicialmente, em uma Europa machista, o mito de Jezebel se tornou uma referência a todas as mulheres consideradas impuras, promíscuas e perigosas. Mais tarde, quando os europeus entraram em contato com tribos africanas, ao depararem-se com a semi nudez e a poligamia em que seus integrantes viviam, relacionaram tanto os homens quanto as mulheres negras à promiscuidade.

Etnocêntricos, os europeus se mostraram incapazes de compreender povos culturalmente diferentes e logo trataram de animalizar os africanos: os negros se tornaram estupradores em potencial que representavam uma clara ameaça à pureza das brancas, já as negras, por sua vez, mulheres devassas que jamais diriam não para um branco, logo impossíveis de serem estupradas. Estava dada as bases dos estereótipos racistas do Mandingo (que falaremos em seguida) e da Jezebel, que passou a ser uma referência apenas às mulheres negras.[14]

Evidentemente isso não era um problema para os europeus da época, que tão logo trataram de se aproveitar da suposta raça promíscua por natureza. Afinal, os negros eram pagãos, imorais e sequer tinham alma, logo não haveria problema algum em abusar dessas mulheres africanas que andam sempre nuas por aí e que demonstram um apetite sexual insaciável. Tratadas como animais exóticos, mulheres africanas foram levadas para a Europa para serem exibidas como atração, entre elas Saartjie Baartman, a Vênus Negra.[15]

O que se seguiu foi a formação de uma instituição racista nas colônias, em que pena de morte estava reservada aos negros escravos que ousassem assediar uma branca — única forma de deter esses monstros sexuais, ao mesmo tempo que o estupro de mulheres negras pelos seus senhores brancos era considerado algo normal, afinal a mulher negra é pura luxúria, como foi Jezebel.

Até mesmo entre abolicionistas as negras eram consideras sexualmente insaciáveis, caso de James Redpath, o qual dizia que “as mulheres escravas ficavam gratas com os avanços dos saxões”. Basicamente o grande impacto desse estereótipo foi a justificação do abuso sexual cometido contra as mulheres negras, pois seria “impossível estuprar mulheres tão promíscuas”.[16]

Mesmo depois da abolição, a mulher negra continuou a ser tratada como objeto sexual, pois de nada adiantaria denunciar os abusos dos brancos em uma sociedade que os justificava baseando-se no mito da mulher negra libidinosa, que se comportava como uma Jezebel. Por conta disso, as mulheres negras tinham medo de denunciar homens brancos por abuso e estupro, o que se mantém até hoje. Qualquer coisa é a negra fogosa que está procurando, sabe como é…

Aliás, essa imagem hipersexualizada da mulher negra devoradora de homens como um contraponto da mulher branca comportada é amplamente usada na mídia (como nesse comercial da galeria).

Dessa forma, o mito da Jezebel negra ajudou a consolidar no imaginário popular a imagem da mulher branca como ótima esposa enquanto as mulheres negras como as melhores amantes.


7. The Black Bucks (O Mandingo)

A modelo Gisele Bündchen e o jogador de basquete Lebron James em ensaio da revista Vogue estadunidense.

Este estereótipo do homem negro nós já conhecemos no Brasil, apenas não conhecemos como ele se chama nos EUA. Basicamente, os brancos donos de escravos promoviam a noção de que os homens africanos eram animais por natureza. Diziam, por exemplo, que “nos negros todas as paixões, emoções e ambições são quase que totalmente dominadas pelo instinto sexual”[17], colaborando assim para noções de bestialidade e primitivismo.

Essa era a definição de um Mandingo  —  aquele negro escravo perigoso e indomável, de pênis exacerbado, lascivo, que provavelmente iria perverter ou estuprar as filhas e esposas do senhor branco.[18]

Depois da Reconstrução Americana[19] o termo Black Buck foi usado para fortalecer esse estereótipo. Os Black Bucks são homens geralmente musculosos, que desafiam a vontade dos brancos e representam um perigo extremo para a sociedade estadunidense. Eles são nervosos, agitados, temperamentais, impulsivos, extremamente violentos e, claro, sexualmente atraídos por mulheres brancas  —  só elas. No que isso resultava? Sim, linchamentos aos montes. Homens negros eram mortos, enforcados e espancados por serem um risco às virginais mocinhas brancas.[20]

Com o tempo a figura do negro hipersexualizado que existe apenas para enlouquecer a pura mocinha branca, se fixou na mídia: virou tema de filme, de quadrinho, de pornografia e continua um forte estereótipo até hoje.

Em 1917, durante a Primeira Guerra Mundial, fizeram um pôster de propaganda de guerra contra a Alemanha. No pôster, colocaram um macaco gigantesco, usando um capacete típico dos exércitos alemães e levando consigo uma mulher branca indefesa. Era uma propaganda com o objetivo de recrutar soldados dispostos a impedir que a selvageria alemã fosse disseminada. O macaco furioso leva em sua mão um bastão em que se lê a palavra “kultur” (cultura), como se a cultura alemã, posta como uma cultura de selvageria e violência, fosse destruir a sociedade com a mesma eficiência de um  bastão nas mãos de uma fera selvagem.

O macaco ilustrado no cartaz não era uma referência aos negros, era só para dar ênfase na selvageria, na destruição iminente, no perigo que as mulheres corriam, no mal que a sociedade deveria evitar. Pois, em 2008, a Vogue publica como capa o jogador de basquete Lebron James e a modelo internacional Gisele Bündchen. Agora percebam o “bom senso” e as influências usadas na composição da imagem.


8. Sapphire

Eddie Murphy como Norbit e Rasputia (2007).

Você certamente já viu essa cena em filmes e quadros de humor: a mulher irritada, que bate e grita com o marido, está sempre furiosa, nunca sorri e poderá agredir a qualquer momento. É ela que manda na área e que exerce o “papel de homem”.

Durante a escravidão, existia o culto à dita verdadeira feminilidade, o qual padronizou e ditou o comportamento feminino na época. Obviamente, os padrões que definiam o que é ser mulher só valiam para as mulheres brancas de classe média.

A atriz Ernestine Wade como Sapphire em “Amos ‘n’ Andy show” (1951?). A personagem apresentava todas as características do estereótipo, dando origem ao termo e o popularizando.

A Sapphire é o total oposto disso: ela é a mulher forte e castradora, que domina o homem, rouba seu papel e geralmente afasta suas crianças e seu companheiro por ser tão autoritária. Ela é uma Mammy sem o mínimo carinho maternal, sem a mínima paciência.

Cientistas sociais do pós-escravidão afirmavam que a culpa do desemprego, pobreza e suposta passividade do homem negro para crescer na vida não era de qualquer política social ou econômica, mas sim, do status matriarcal da dominância da mulher negra descontrolada sobre o homem , afinal, “se você não doma nem sua mulher, como quer ter um emprego?” .[21]

Então, em resumo, esse foi o estereótipo primário da Angry Black Woman, ou Mulher Negra Raivosa, que já vimos tantas vezes em filmes ou desenhos animados originários dos EUA:  aquele que coloca a mulher negra como perigosa, instável, dominada pelas emoções, incapaz de agir racionalmente, como alguém que merece a solidão e que não ligará para isso pois é muito forte e não precisa do mínimo carinho, cuidado ou atenção.


9. O Negro Mágico

Cena do filme “Song of the South” (Disney, 1946).

Este é um estereótipo da ficção. Ao contrário dos outros aqui apresentados, ele não é usado como ofensa racial no dia a dia, mas é usado para apagar o protagonismo dos negros na mídia.
Vamos começar com o exemplo do Uncle Remus, esse velhinho legal aí na imagem acima.

O que ele faz da vida? É o velhinho negro boa praça e carismático que contava historinhas para alegrar a vida das crianças brancas. Ele não tem problemas, nem tensões, pelo contrário, é sorridente, agradável e afetuoso. Todo mundo ama o Uncle Remus. Contudo, ninguém sabe nada sobre ele, a única coisa que sabemos dele é que ele alegra a vida dos brancos. Suas características nos fazem lembrar um pouco a figura da Mammy, porém ele sequer dá bronca, porque ele é brincalhão, amável e indiferente.

Magical Negro, ou o Negro Mágico, é como o Uncle Remus: o eterno assistente do herói branco. Ele pode ou não ter de fato poderes mágicos, mas ele sempre vai ter conhecimentos que o herói branco não tem e com isso conseguirá ajudá-lo e guiá-lo em seus objetivos. Ele é humilde. Não tem a menor intenção de ter o holofote ou a glória, ele está satisfeito com o que tem e apenas quer ser gentil fazendo o protagonista branco superar as barreiras da vida.[22]

Foi o que o Morgan Freeman fez em metade da sua carreira, ao interpretar esses negros sábios ou mágicos que melhoram a vida do protagonista branco, como em Conduzindo Miss Daisy, Robin Hood, Menina de Ouro, os Batman, Todo Poderoso, etc.

O termo Magical Negro foi usado, e desde então se popularizou, por Spike Lee em uma palestra na Universidade de Yale, quando disse que estava saturado de filmes como The Family Man (Um Homem de Família), What Dreams May Come (Amor Além da Vida), The Green Mile (À Espera de um Milagre) e, principalmente, The Legend of Bagger Vance (Lendas da Vida), pelo fato do filme se passar no período da Grande Depressãono Estado da Geórgia, onde negros estavam sendo linchados por toda parte, mas o filme apenas está preocupado em ensinar para Matt Damon como se jogar golfe. Na ocasião Lee declarou indignado: “Como é que os negros têm esses poderes, mas os usam para beneficiar os brancos? Eu fico chateado apenas pensando nisso… Ainda estão fazendo o mesmo de sempre, reciclando o nobre selvagem e o escravo feliz.” [23]


10. Welfare Queens

“Minha empregada largou o emprego para poder engravidar e viver de bolsa família.”

Quem nunca ouviu esse discurso preconceituoso?

Na década de 1930, devido à Grande Depressão, milhões de estadunidenses ficaram em situação de extrema pobreza. Em 1935, Franklin D. Roosevelt, por meio do seu New Deal, instituiu políticas de seguro social (Social Security Act) para tentar reverter essa situação[24]. Mais tarde, nos anos 1960, a imprensa começou a explorar casos de fraude na seguridade social, o que, apesar de serem na maioria dos casos feitas por homens, acabaram estigmatizando mais as mulheres negras.[25]

O cientista político Martin Gilens, da Universidade de Yale, fez uma análise sobre como as fraudes na seguridade social eram abordadas em revistas dos anos 1960 até 1992 e de programas televisivos de 1988 até 1994. O resultado dos seus estudos não deixa dúvida sobre como a imprensa estadunidense ajudou a criar no senso comum a crença de que os negros são os que mais dependem de ajuda estatal: em 62% das matérias sobre pobreza de revistas como Time e NewsWeek eram apresentados negros enquanto 65% das notícias de TV apresentavam os negros como dependentes de assistência social.[26]

Linda Taylor, a mulher que deu origem ao termo “Welfare Queen” (1977).

O estereótipo da Welfare Queeno qual poderíamos traduzir como “Rainha da Bolsa Auxílio”, vem justamente desse contexto. Em 1974, o jornalista George Bliss utilizou o termo em seus artigos no jornal Chicago Tribune para se referir a Linda Taylor e suas diversas fraudes para receber auxílio governamental. As fraudes de Taylor a tornariam conhecida em todos os Estados Unidos. Aproveitando o caso, Ronald Reagan a utilizou exaustivamente em sua campanha presidencial para atacar o Estado de Bem Estar Social [Welfare State] estadunidense. Toda essa exposição de Linda Taylor popularizou o termo.[27]

De início, os dependentes de assistência social não eram alvo de estigma racial, o preconceito atingia todas as mulheres pobres, inclusive as brancas. A mulher era a culpada pela condição de pobreza de todas as cores e raças. Entretanto, o racismo da sociedade estadunidense logo viu que não podia existir essa igualdade na retratação da mulher pobre e colocou as mulheres negras como as piores e responsáveis pelas maiores violações do espírito americano.

Evidentemente, a mulher negra, com aquele apetite sexual absurdamente grande, teria mais filhos e exigiria maiores ganhos vindos do Estado, afinal ela é uma vaidosa, uma ambiciosa (porque é mulher, e “mulher sempre quer dinheiro”) e não respeita a moral de ninguém.

Assim, as Welfare Queens se consolidaram como rótulos usados por parte da classe média, para justificar corte de gastos governamentais com o social e “denunciar” os maus modos de mulheres pobres, principalmente as negras, que são pobres por não saberem se controlar e por terem preguiça de trabalhar.[28]

Trata-se de um estereótipo que, apesar de ser originário dos EUA, conhecemos bem no Brasil devido ao seu equivalente, que seriam as mulheres pobres dependentes da ajuda do governo, principalmente as beneficiadas pelo programa Bolsa Família.


11. Melancias

Boneco de Obama comendo melancia. Danny Hafley, responsável por pendurar o boneco em seu quintal na cidade de Kentucky, defendeu-se dizendo que se trata de liberdade de expressão.

Você já viu algum filme ou desenho animado com uma piadinha sobre melancia e não entendeu? Algum meme na internet que não sacou? (Pode procurar, tem vários).

Então, não existiam melancias na América antes do período da escravidão, pois são frutos típicos do sul da África. Quem trouxe as melancias para os EUA foram os negros escravizados e geralmente eram eles que comiam o fruto. Além disso, os negros libertos cultivavam a melancia para venda, podendo assim ter algum sustento. Por tal razão, a melancia logo se tornou um símbolo de sua liberdade. Evidentemente isso não agradou os brancos sulistas e, como resposta, trataram de destruir esse simbolismo o invertendo: o que simbolizava emancipação e liberdade passou a simbolizar imundície e preguiça.[29]

Logo, os senhores brancos associaram o hábito de comer melancia com a negritude, dando ênfase no modo em que negros comiam o fruto: com as mãos, se lambuzando, deixando a cara cheia de caldo, etc. Essa ênfase era usada para desqualificar os modos dos negros e colocá-los como animais incivilizados, assim como para destratá-los como seres humanos, afinal se eles tinham suas melancias e seu sossego (afinal, lembre-se: para os brancos o negro era preguiçoso), não precisaria de mais nada e de nenhum direito.[30]

A melancia foi amplamente usada na iconografia estereotipada e racista do negro no pós-Reconstrução, desta forma surgiram os produtos, as caricaturas, as representações em que o negro era aquele maluco por melancia e que seria capaz de abandonar qualquer coisa caso jogassem uma melancia na frente dele.

Cartaz do filme “Watermeon Man” (1970).

Racistas em geral usam o termo “nigga bait” (isca de crioulo) para falar sobre o fruto. Em 1970, por exemplo, fizeram um filme baseado em A Metamorfose, do Franz Kafka, onde um branco extremamente racista acorda e descobre que se transformou em um negro.

O filme tenta ser um filme anti-racismo, no qual um branco racista descobre “na pele” todo mal que o racismo causa, porém, sem o menor tato e algum senso foi intitulado como “Watermelon Man” ou O Homem Melancia.

No fim do filme, o protagonista se torna negro para sempre, é abandonado por família e amigos por causa da sua cor e vira um pastiche de um Angry Black Man, aquele negro nervoso que tem trejeitos e anda nas ruas arrumando briga com todo mundo. Se o intento do filme era dar uma lição de moral aos racistas, ele falhou miseravelmente.

Tiana, a “primeira princesa negra” da Disney, representando o sabor melancia…

A Disney, por sua vez, sempre foi criticada pela ausência de personagens negros em seus longas de animação, até que, em 2009, o estúdio finalmente lança o filme The Princess and the Frog (A Princesa e o Sapo) com a lendária “primeira princesa negra”, a Tiana. Na hora de fazer o marketing para a venda de doces em que cada fruto representaria uma princesa da Disney, adivinha qual sabor foi reservado para a Tiana?[31]

Desde o fim dos anos 1980, praticamente virou senso comum de que colocar negros comendo melancia na mídia era politicamente incorreto e que, se você insistisse nisso, seria merecidamente alvo de acusações de racismo, processos ou mesmo boicotes. Então, muitos acreditaram que esse era um estereótipo extinto, até o dia da eleição de Barack Obama. Prontamente, na internet, surgiram inúmeros memes que tentavam ofender Obama com o estereótipo da melancia. Hoje Obama não é mais presidente, mas esse estereótipo racista segue sendo utilizado em diversos memes e “piadinhas” contra negros.


12. Frango Frito

Ator comendo frango frito no filme “The Birth of a Nation” (1915). A cena pode ser conferida no Youtube.

Além da melancia, alguns outros alimentos são ligados de modo pejorativo aos negros e sua cultura e, basicamente, todos eles têm uma origem parecida. Por exemplo, o refrigerante de uva: era uma bebida bem mais barata que todos os outros refrigerantes e de menor qualidade  —  basicamente um Dolly uva com o triplo de açúcar e custando 25 centavos. Era coisa de periferia, de guetto; era barato e tinha açúcar, então as crianças negras eram as maiores consumidoras… Para virar um estereótipo racial foi questão de tempo.

O leitor Nicolas Antonio Bargiela também nos lembra sobre a conotação negativa no pó para suco Kool Aid (equivalente ao nosso Ki-Suco), devido aos mesmos motivos do refrigerante de uva. Em The Blacker the Berry, música do disco mais recente (e excelente) do Kendrick Lamar, ele lista alguns estereótipos negros, e no trecho final lá está o Kool Aid:

“Or eat watermelon, chicken, and Kool-Aid on weekdays
Or jump high enough to get Michael Jordan endorsements
Or watch BET cause urban support is important”

Os mesmos processos ocorreram com histórias mais ou menos parecidas com waffles e couve, mas, pelo menos no Brasil, o estereótipo que mais conhecemos é o do frango frito.

Frango frito é um prato típico do sul dos EUA, sua região mais racista. As Mammies eram especialistas em fazer pratos com frango, carne abundante na região, e todo mundo admirava suas receitas secretas. Logo, se tornou chavão relacionar os negros ao delicioso frango frito da culinária sulista.

No entanto, a conotação ofensiva se popularizou com o filme The Birth of a Nation (O Nascimento de uma Nação) de D. W. Griffith  — talvez o filme mais racista de todos os tempos, chegando até a romantizar o surgimento da Ku Klux Klan.[32]

Restaurante Coon Chicken Inn, em Seattle.

Em uma cena do filme é mostrada a Assembleia Legislativa após os negros terem conseguido os direitos para serem eleitos. Todas as pessoas brancas se comportam conforme o protocolo que o local exige, porém os homens negros obviamente não:  eles bebem durante a sessão, colocam o pé descalço na mesa, comportam-se sem etiqueta alguma. É nessa cena com fins cômicos que um dos legisladores negros puxa um balde e começa a devorar um frango frito de um modo extremamente rude e caricato. O objetivo é destacar como os negros não têm modos para lidar com a política e que terem permitido que eles adentrassem naquele espaço foi um total equívoco.

Daí para frente, o estereótipo se fortaleceu e ainda deu brecha para que eventos de caráter extremamente ofensivo à comunidade negra continuassem sendo feitas  —  como por exemplo, a inauguração, em 1925, de um restaurante especializado em frango frito: o Coon Chicken Inn. Lembra da conotação racista do termo Coon já explicado acima? “Ah, mas pode ser só coincidência, vocês veem maldade em tudo, nada a ver”… Hum, ok. Então joga o nome do restaurante na busca do Google e veja toda a iconografia que o envolve. Pois é… O restaurante foi alvo de protestos de grupos como o histórico NAACP (The National Association for the Advancement of Colored People, ou A Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor) desde os anos 1930, até ter sua última unidade finalmente ser fechada em 1957.[33]

Mesmo sendo antigos e tendo sido combatidos, os estereótipos do frango frito e da melancia persistem e hoje fazem parte dos estereótipos racistas modernos que podemos conferir nos inúmeros memes feitos por brancos que se espalham na internet.

Observação:

O original deste texto, apesar de informal e não contar com fontes bibliográficas, foi baseado em uma real pesquisa. Pesquisamos sobre termos e estereótipos vistos em filmes, desenhos, séries e em alguns artigos em inglês que líamos pela internet. Basicamente o que fizemos foi procurar fóruns, discussões e textos em blogs americanos para ver o sentido que davam a cada termo, assim como as explicações históricas que apareciam.

Já na preparação do texto para ser publicado na Voyager, Jorge Caronte fez um novo trabalho de pesquisa para referenciar os principais pontos do texto, ou seja, os dados apresentados passaram por uma “checagem” e foram validados. Esses estereótipos se dividem entre Históricos e Modernos e tentamos, na medida do possível, indicar origens e datas, só faltando quando não foi possível encontrar, logo, contribuições são bem vindas.

Notas e referências:

[1] African American Registry – Thomas Rice, the Face of Jim Crow
[2] Britannica – Jim Crow Law
[3] Khan Academy – Jim Crow
[4] Vice – The Bad Cannon-The Story of Little Black Sambo
[5] Publico – “A Cabana do Pai Tomás”, de Harriet Beecher Stowe O livro que levou ao fim da escravatura americana
[6] MACKETHAN, Lucinda – Genres of Southern Literature
[7] Historianet – Uncle Tom´s Cabin
[8] Jim Crow Museum of Racist Memorabilia – The Mammy Caricature
[9] Publico – Hattie McDaniel: a actriz que esperou pelo seu Óscar no fundo da sala
[10] History of Dolls – History of Golliwogg
[11] Oxford Dictionary – Definition of pickaninny in US English
[12] Jim Crow Museum of Racist Memorabilia – The Picaninny Caricature
[13] Britannica – Jezebel, Queen of Israel
[14] Jim Crow Museum of Racist Memorabilia – The Jezebel Stereotype
[15] BBC  – Sarah Baartman: a chocante história da africana que virou atração de circo
[16] Africa Resource – A History of Abuse and Black Female Sexuality
[17] RICHESON, Marques P. – SEX, DRUGS, AND . . . RACE-TO-CASTRATE: A BLACK BOX WARNING OF CHEMICAL CASTRATION’S POTENTIAL RACIAL SIDE EFFECTS (PDF)
[18] Springer – Sexual stereotyping of black males in interracial sex
[19Reconstrução Americana foi o período de literal reconstrução do país (tanto em estrutura, quanto jurídica) após a Guerra Civil Americana que deixou os EUA devastados. Ocorreu entre 1865 e 1877, período em que cidades foram reconstruídas e se iniciaram as discussões sobre qual seria o destino dos negros com o fim da escravidão e como o Estado deveria lidar com isso. Exatamente por esse clima de decisão sobre como a sociedade e a justiça americanas iriam se reestruturar, esse é o período onde surgiram as sociedades secretas/organizações de supremacia branca, como a Ku Klux Klan. Este também foi o período da proliferação dos discursos de ódio que defendiam a segregação dos negros, os quais se fortaleceram com a conveniência do Estado.
[20] Jim Crow Museum – The Brute Caricature
[21] Mammy, Jezebel, Sapphire and Their Homegirls (PDF)
Sobre os estereótipos de Mammy, Jezebel e Sapphire ver também Stereotypes of Black American Women Related to Sexuality and Motherhood da US National Library of Medicine
National Institutes of Health
[22] Other Sociologist – Hollywood Racism: The Magical Negro Trope
[23] Yale Bulletin & Calendar – Director Spike Lee slams ‘same old’ black stereotypes in today’s films
[24] DOUGLAS, Susan Douglas; MICHAELS, Meredith – The Mommy Myth: The Idealization of Motherhood and How It Has Undermined All Women
[25Social Security Act (PDF)
Social Security – Cronology
[26] UCLA – The “Welfare Queen” Experiment: How Viewers React to Images of African-American Mothers on Welfare
[27] Slate – The Welfare Queen
[28] For Harriet – The Myth of the Welfare Queen: How Classism Has Worked Against Black Women
[29] The Atlantic – How Watermelons Became a Racist Trope
[30] The Society Pages – Watermelon: Symbolizing the Supposed Simplicity of Slaves
[31] Business Insider – OOPS: Disney’s First Black Princess Sells Watermelon Candy
[32] BBC – The Birth of a Nation: The most racist movie ever made?
[33]  University of Washington – The Coon Chicken Inn: North Seattle’s Beacon of Bigotry
Para mais informações consultar The Online Reference Guide to African American History.

 

 

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