Quem tem medo da Filosofia e Sociologia no ensino médio?

A supremacia de uma oligarquia fanática por seus próprios privilégios, como é a brasileira, exige que todo questionamento seja prevenido e reprimido.


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Por que o reacionarismo brasileiro tem medo de Filosofia e Sociologia?

Vejamos um exemplo…

A bandeira brasileira tem um lema: “ordem e progresso“. O lema era inspirado na filosofia formulada por Auguste Comte e batizada por ele de “positivismo“. A “ordem” do lema era a preservação de hierarquias tradicionais, o que num país que mal abolira a escravidão era algo trágico, e o “progresso” o econômico e tecnológico. A mensagem implícita é: o Brasil deve crescer, mas no benefício dos privilegiados tradicionais, descendentes dos senhores e traficantes de escravos convertidos em capitalistas e tecnocratas.

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O filósofo francês fundador do positivismo, Auguste Comte (Montpellier, 19/01/1798 – Paris, 5/09/1857).

Comte também inventou o termo Sociologia, que acabou se institucionalizando nas universidades, e concebeu uma linhagem de teoria social que nunca deveria questionar a “ordem” instituída. Ou seja, não deveria compreender os processos sociais como uma totalidade, apenas realizar análises fragmentárias de fatos sociais parciais. Várias vezes reciclado, o positivismo ajudou a formar gerações e gerações de intelectuais servis, que muitas vezes se acreditavam pessoas progressistas, mas na prática contribuíam para legitimar situações de injustiça social.

Um exemplo de doutrina positivista é a “teoria da modernização”, que numa versão brasileira afirma que nosso maior mal é a nossa cultura, e que a solução para “progredir” dentro da “ordem” seria a imposição da supremacia do mercado nas relações sociais.

Este é só um exemplo. Sem filosofia ou sociologia os alunos não conheceriam a origem e o significado do lema “ordem e progresso” na bandeira brasileira, da mesma forma que sem história crítica continuariam achando que os quadrados verde e amarelo da bandeira representariam a exuberância da natureza e da riqueza do Brasil, e não a dinastia portuguesa que continuou governando o país por 77 anos após a independência.

E a supremacia de uma oligarquia fanática por seus próprios privilégios, como é a brasileira, exige que todo questionamento seja prevenido e reprimido.

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